CANCRO DA HASTE DA SOJA
ESTAMOS VENCENDO UMA BATALHA QUE JÁ NOS CUSTOU MEIO MILHÃO DE DÓLARES
O Estado do Paraná convive tranquilamente com o cancro da haste da soja. Por ter sido a região do Brasil onde a doença apareceu mais cedo, em 1989, nos municípios de Ponta Grossa, Tibagi e Castro, as medidas para enfrentar o problema começaram a ser tomadas imediatamente e hoje, embora a doença ainda ocorra, como na safra chuvosa do ano agrícola 95/96, não estão acontecendo prejuízos significativos.
As afirmações são do engenheiro agrônomo José Tadashi Yorinori, pesquisador da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisas de Soja, de Londrina-PR, a principal autoridade na questão cancro da haste da soja no Brasil. Tadashi tem atravessado o País de ponta a ponta, em todas as latitudes onde a leguminosa está sendo plantada e o problema tem aparecido. "Este ano eu ainda não totalizei os dados", disse o pesquisador da Embrapa-CNPSo à Revista Plantio Direto, em abril deste ano, em Londrina, "mas é possível que os prejuízos fiquem ao redor de 50 milhões de dólares".
"Atualmente, se quiséssemos eliminar totalmente o cancro da haste da soja no Paraná, isto seria possível com o uso de variedades resistentes e a rotação de culturas. Outro estado que evoluiu bastante nesse sentido, depois de perder muito com a ocorrência da doença, é Minas Gerais. Desde o ano passado, eles estão tranquilos, porque os agricultores mineiros tiveram que trocar a força as variedades tradicionais e acabaram sendo exportadores de sementes de variedades resistentes. Nos demais estados, principalmente no Cerrado e Rio Grande do Sul, que enfrentou seca no início da safra passada e, por isso, não teve um ataque severo da doença, ainda existem áreas vulneráveis, principalmente pela falta de uso de variedades resistentes."
"...Quando não haviam variedades resistentes e eu afirmava que o produtor deveria fazer a incorporação da palhada, o pessoal não ouvia mais as outras explicações, achando que eu era contra o plantio direto..."
SOU RADICALMENTE A FAVOR DO PLANTIO DIRETO
Revista Plantio Direto — Por que você foi acusado de ser contra o plantio direto?
José Tadashi Yorinori — Em todas as oportunidades que tive para abordar cancro da haste em situação de plantio direto, quando não existia variedade resistente e o produtor usasse material suscetível, eu afirmava que ele deveria fazer a incorporação da palhada para reduzir a ação do inóculo. O pessoal não ouvia mais as outras explicações, achando que eu era contra o plantio direto. Ocorreram casos em que eu não pude participar de reuniões. Na verdade, sou radicalmente a favor do plantio direto, mas existem situações em que o PD não é possível.
RPD — Quando se justifica abrir mão do plantio direto?
Tadashi — Em países do Cerrado, é preciso ter cautela. No Sul, já temos variedades resistentes e o problema está solucionado. As novas variedades MGBR-46 Conquista e outras têm essa característica. O agricultor pode usar plantio direto sem problemas, desde que use o material recomendado. Onde não existirem variedades resistentes ainda, ou onde o patógeno já está estabelecido, é melhor lavrar uma vez para enterrar o material infestado, depois retomar o sistema.
Entrevista José Tadashi Yorinori (Eng.Agr. PhD pesquisador Embrapa-CNPSoja Londrina-PR). PR 1989 Ponta Grossa/Tibagi/Castro. Prejuízos US$50 mi acumulados nacional. MG resolveu trocando variedades (exporta sementes). Cerrado+RS vulneráveis. Polêmica: defende incorporação palhada (1 lavração) em situação soja+soja c/ variedade suscetível - acusado de 'contra PD'. Esclarece: 'sou radicalmente a favor PD'. Cultivares resistentes solução.