Cancro da Haste: Epidemiologia e Controle


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Publicado em: 31/08/1996

CANCRO DA HASTE: EPIDEMIOLOGIA E CONTROLE

José Tadashi Yorinori — Eng.-Agr., PhD, Fitopatologista da Embrapa-CNPSo, Londrina-PR.

HISTÓRICO

O cancro da haste é um exemplo típico de vulnerabilidade genética de espécies cultivadas e que, de repente, são surpreendidas com o surgimento de uma nova espécie ou raça de patógeno capaz de causar sérios transtornos à economia do país. A dificuldade na adequação das medidas de controle da doença mostra também o grau de despreparo da assistência técnica e dos produtores para enfrentar problemas de grandes proporções. Além do cancro da haste, a expansão do nematóide do cisto e os graves prejuízos que vem causando à sojicultura brasileira, desde 1992, é outro exemplo dessa situação.

Ao longo do transcurso de oito safras de soja (1989 a 1996), com os objetivos de alertar sobre os riscos de prejuízos e de orientar os produtores e assistência técnica sobre as medidas a serem adotadas para o controle do cancro da haste, mais de duas centenas de palestras, dias de campo e debates foram realizados, informações técnicas foram divulgadas através de mais de 20 mil publicações, além de entrevistas para rádio, televisão e imprensa escrita. A pesquisa colocou, em ritmo de urgência, a disposição dos produtores e da assistência técnica, as informações que permitiram reduzir as perdas. Na região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) onde a disponibilidade de cultivares resistentes era maior, foi desencadeada ampla campanha no sentido de multiplicar as cultivares resistentes, com orientação aos produtores para que se adaptassem.

ETIOLOGIA

O cancro da haste da soja é causado pelo fungo Diaporthe phaseolorum f.sp. meridionalis Morgan-Jones, cuja forma anamórfica é Phomopsis sp. O fungo sobrevive nos restos culturais por períodos de até cinco anos. A disseminação se dá principalmente através das sementes infectadas, dos restos culturais que ficam na superfície do solo e também em sistemas de plantio direto, onde o patógeno encontra ambiente favorável à sobrevivência.

SINTOMAS

Os sintomas iniciais aparecem como lesões avermelhadas no caule, com o centro acinzentado, com prêto e visualmente impressionantes na ocorrência. A planta murcha rápidamente e morre, geralmente no estágio reprodutivo entre V3 e R5. O cancro pode atingir até 100% das plantas em lavouras suscetíveis quando a doença é severa, causando perdas totais.

MEDIDAS DE CONTROLE

1) Variedades resistentes — constitui a medida mais econômica e efetiva. Mais de 50 cultivares resistentes foram desenvolvidas e recomendadas para cultivo em diferentes regiões. Entre as principais: BR-16, EMBRAPA 4, EMBRAPA 48, CD-201, BRS-153, MGBR-46 Conquista, entre outras.

2) Rotação de culturas — o uso de milho, sorgo, girassol ou outras não-hospedeiras por 2-3 anos reduz drasticamente a população do patógeno no solo. Para PD, a rotação pode permitir o cultivo de soja resistente em sequência, recompondo o sistema produtivo.

3) Tratamento de sementes — carbendazim + thiram é recomendado para reduzir a transmissão via sementes infectadas, especialmente em áreas com histórico de ocorrência da doença.

4) Manejo no plantio direto — em situações onde o produtor não consegue dispor de variedade resistente e área infestada, recomenda-se considerar uma única lavração para diluir o inóculo. Em áreas com cultivares resistentes ou após rotação adequada, o PD pode ser mantido sem riscos para a cultura.

RECOMENDAÇÕES POR ESTADO

A pesquisa nacional tem produzido recomendações específicas por estado e região, considerando as características climáticas, edaficológicas e o histórico de cada local. Para PR, MG, RS, SC, SP, MS, MT, GO, BA, MA e TO existem listas de cultivares testadas e recomendadas, atualizadas a cada safra com base em ensaios oficiais e da Embrapa.

Artigo técnico. José Tadashi Yorinori (Eng.Agr. PhD Fitopatologista Embrapa-CNPSoja Londrina-PR). 8 safras (1989-1996), +200 palestras+20mil publicações. Etiologia: Diaporthe phaseolorum f.sp. meridionalis Morgan-Jones (anamorfo Phomopsis sp.). Sobrevive nos restos até 5 anos. Sintomas: lesões avermelhadas caule, murcha+morte V3-R5. Controle: 1) Variedades resistentes (BR-16, EMBRAPA 4/48, CD-201, BRS-153, MGBR-46 Conquista); 2) Rotação (milho/sorgo/girassol 2-3 anos); 3) Tratamento sementes (carbendazim+thiram); 4) PD com manejo adequado. +50 cultivares resistentes recomendadas por estado.