NEMATÓIDE DE CISTO DA SOJA
Pesquisadores da Embrapa-Centro Nacional de Pesquisa de Soja, Londrina-PR.
INTRODUÇÃO
Estima-se que, no mundo, 10,6% da produção de soja é perdida anualmente devido ao parasitismo causado pelos nematóides, resultando numa perda de US$ 2.687.081.500. Estes números podem ainda ser maiores, visto que os sintomas de ataque destes patógenos são frequentemente atribuídos à deficiência nutricional ou toxidez de alguns elementos.
No Brasil, várias espécies de nematóides fitoparasitas têm sido relatadas associadas à cultura da soja. Entretanto, as mais agressivas são: 1) Heterodera glycines, o nematóide de cisto da soja; 2) os nematóides de galhas Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria; 3) Pratylenchus brachyurus, o nematóide das lesões; e 4) Rotylenchulus reniformis, o nematóide reniforme.
Devido à sua baixa mobilidade no solo, estes organismos concentram-se em pontos da lavoura levando ao surgimento de reboleiras. Nestes locais, observa-se gradiente crescente de atrofiamento e clorose das plantas até o centro da reboleira, onde as plantas podem morrer, se a densidade populacional de nematóides for muito elevada. Apesar das reboleiras serem sintomas típicos de ataque de nematóides, são facilmente confundidas com manchas ocasionadas pelo depósito de calcário na lavoura.
NEMATÓIDE DE CISTO DA SOJA (NCS)
O NCS é o patógeno que mais prejuízos tem causado à soja no Brasil. Seu ciclo é de 21 a 30 dias na temperatura ideal de 24 a 30°C. Os sintomas incluem reboleiras e raízes com cistos visivelmente fixados. As perdas podem variar de 35 a 50% do peso seco da planta. A reprodução é de 60 a 100 vezes por geração (em uma fêmea). Identificado nos estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia.
MANEJO INTEGRADO
O manejo do NCS exige a combinação de várias táticas:
1) Rotação de culturas — o cultivo de plantas não-hospedeiras (milho, milheto, sorgo, algodão, girassol) por 2-3 anos reduz drasticamente a população do nematóide no solo. Essa é uma das medidas mais efetivas.
2) Variedades resistentes — em desenvolvimento. A Embrapa testa 45-50 mil genótipos/ano. Primeira cultivar com resistência à raça 3 lançada em MG. Porém, há 9 raças no BR e o uso prolongado leva à quebra de resistência.
3) Manejo do solo — sistemas com alta atividade microbiana (plantio direto + cobertura permanente + matéria orgânica) favorecem o controle biológico natural por fungos parasitas de cistos.
4) Prevenção — limpeza rigorosa de máquinas e implementos antes de entrar em áreas livres; controle rígido da origem das sementes; atenção à erosão eólica que dissemina cistos a longas distâncias.
Artigo técnico Embrapa-CNPSoja Londrina-PR. Mundo 10,6% produção soja perdida/ano = US$ 2.687.081.500 (nematóides). BR espécies: Heterodera glycines (NCS), Meloidogyne incognita/javanica/arenaria (galhas), Pratylenchus brachyurus (lesões), Rotylenchulus reniformis. Sintomas: reboleiras (confundidas calcário), gradiente atrofiamento+clorose, fome oculta. NCS: ciclo 21-30 dias 24-30°C; perdas 35-50% peso seco; reprodução 60-100x; PR/MS/MT/MG/GO/BA. Manejo: rotação não-hospedeiras 2-3 anos, variedades resistentes (raça 3), MO+atividade microbiana, prevenção (limpeza máquinas+sementes).