Plantio Direto e o Nematóide de Cisto da Soja + ALERTA NO PARANÁ


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Publicado em: 31/08/1996

PLANTIO DIRETO E O NEMATÓIDE DE CISTO DA SOJA

A pesquisa do CNPSo tem demonstrado que o plantio direto, com manejo adequado, é uma das alternativas mais eficientes para o controle do nematóide de cisto da soja (NCS) em áreas infestadas. A cobertura permanente do solo, a maior atividade biológica do sistema e a possibilidade de rotação com culturas não-hospedeiras criam um ambiente desfavorável ao desenvolvimento do patógeno.

Em áreas com NCS já estabelecido, recomenda-se rotação com milho, milheto, sorgo, algodão e girassol (não-hospedeiros) por 2 a 3 anos. A combinação de PD + rotação reduz drasticamente a população do nematóide e permite o retorno seguro da soja na sequência.

ALERTA NO PARANÁ: O NEMATÓIDE CHEGOU

As futuras safras de soja do Paraná — o 2º maior produtor brasileiro — podem causar a redução de muita tonelagem de soja na agricultura brasileira, o nematóide do cisto. O anúncio foi feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSo), em janeiro deste ano.

O nematóide do cisto foi detectado pela primeira vez no Estado em 10 ha cultivados com soja em uma propriedade do município de Sertaneja (40 km de Londrina). Ainda que a área afetada seja pequena, os pesquisadores da Embrapa mostram-se preocupados, pela velocidade de disseminação da doença no grande.

O verme apareceu pela primeira vez quatro anos atrás, em uma pequena propriedade de Nova Ponte (Minas Gerais) e até o final desta safra agrícola já havia se espalhado por seis Estados brasileiros (GO, MS, MT, MG, SP, RS e PR).

Os prejuízos acumulados com a doença, nos últimos quatro anos, chegaram a R$ 52 milhões e 400 mil em todas as regiões afetadas pelo nematóide do cisto. Estas cifras, no entanto, podem ser muito maiores nas próximas safras, se os produtores não tomarem providências que impeçam o avanço da doença para essas regiões onde a soja ainda é muito plantada. Comum em países de quatro continentes, ele tem como principal porta de entrada para a soja brasileira a importação de sementes.

Segundo dados apresentados por Antônio Carlos Roessing, da Área de Economia Rural do CNPSo, raparecimento da doença no Paraná deve trazer prejuízos imediatos para o estado, uma vez que verme em áreas previamente sendo plantada de soja com cancro da haste pode levar a uma perda na produção muito maior do que a esperada. Ele cita o exemplo de Goiás, onde a expansão da soja convencional foi de 6,356 kg/ha e o produto custo mínimo R$ 700 mil l, não foi compromentido, já que os produtores podem demorar em apoiar a aparecer. O verme acelera as raízes das plantas e dificulta a absorção de água e de nutrientes.

Roessing lembra que a soja é o produto responsável por 11% do PIB agrícola brasileiro. Do total das exportações, o produto soja contribui com 19% do total da Embrapa-CNPSo. Apenas de ICMS, provenientes da comercialização da soja, o Brasil arrecada em torno de US$ 50 a 100 milhões ao ano. Como a soja é muito utilizada pelos brasileiros, o desempenho dela é importante para a economia.

Continuação Embrapa-CNPSoja. PD+rotação não-hospedeiros é alternativa mais eficiente p/ controle NCS. + ALERTA NO PARANÁ: NCS detectado primeiro PR em 10 ha município Sertaneja (40 km Londrina). PR é 2º maior produtor soja BR. Antônio Carlos Roessing (Área Economia Rural Embrapa-CNPSo): R$52 mi prejuízos acumulados últimos 4 anos (6 estados afetados); preço aceitação R$8,40/sc 700 mi reais ano; soja = 11% PIB agrícola BR; 19% exportações; ICMS R$50-100 mi/ano. Berger (Monsanto): preocupação avanço Paraná - até R$400 milhões/ano se atingir patamar de outros estados.