1997 Será o Grande Ano da Agricultura Brasileira


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Publicado em: 31/08/1996

1997 SERÁ O GRANDE ANO DA AGRICULTURA BRASILEIRA

Para Sartori, é importante o desenrolar dos acontecimentos nos próximos 60 dias, mais ou menos até 15 de outubro, porque o que acontecer lá terá reflexos nos preços daqui. "De qualquer forma", afirmou ele, "é difícil projetar tendências, pois não existe quem saiba o que vai acontecer no mercado amanhã. O mais importante, porém, é ver que as perspectivas no momento são muito boas para a agricultura, inclusive no Brasil".

HOMEM DE MELO

Também em Passo Fundo, no mesmo auditório, igualmente lotado, o engenheiro agrônomo e especialista em economia agrícola Fernando Homem de Melo abordou, de forma mais ampla, as perspectivas da agricultura nacional, no presente e para os próximos anos. Tendo seu trabalho usado como um referencial pelas entidades produtoras e governamentais para a elaboração de políticas agrícolas, ele é um dos conferencistas mais requisitados em todo o país, pela clareza e embasamento de suas colocações. Em Passo Fundo, Fernando Homem de Melo concedeu uma entrevista à Revista Plantio Direto, onde abordou alguns dos principais aspectos da palestra que fez em vários locais da Região Sul, com promoção da Cooperativa Triticícola Mista de Passo Fundo e Centro de Treinamento Sec.Sangue.

Segundo o especialista, 1996 já foi um bom ano para a agricultura brasileira em relação aos anos anteriores. Os preços firmaram a partir do segundo semestre, depois de uma queda no início do ano. Para 1997, as condições internacionais (estoques mundiais em baixos níveis, demanda crescente, redução de subsídios em países produtores como USA/Europa/Canadá) criam um cenário favorável para as commodities agrícolas, especialmente soja, milho e trigo.

O Brasil deve aproveitar essa janela: ampliar a área plantada, modernizar a tecnologia (plantio direto, irrigação, integração lavoura-pecuária), reduzir os custos de produção. Privatização do transporte ferroviário e portuário é fundamental para reduzir o "Custo Brasil". Câmbio deverá ficar mais favorável para exportações. Crédito de custeio já melhorou em 1996, e tendência é manter ou ampliar.

"1997 será o grande ano da agricultura brasileira", afirma Homem de Melo. "Não podemos perder essa oportunidade histórica. O produtor precisa se preparar tecnicamente, investir em tecnologia, organizar-se em cooperativas e associações para ter força na negociação com setores agroindustriais. O futuro é do produtor que se moderniza e se profissionaliza."

Análise conjuntural. (A) João Carlos Sartori (Brassoja PA) palestra Passo Fundo - próximos 60 dias até 15/out cruciais p/ preços, perspectivas muito boas inclusive BR. (B) Fernando Homem de Melo (Eng.Agr. economista referencial entidades+governo) entrevista RPD - 1996 já foi bom, 1997 promete melhor; estoques mundiais baixos+redução subsídios USA/Europa/Canadá; BR deve aproveitar janela histórica (ampliar área, modernizar tecnologia, privatizar transporte/portos). 'Não podemos perder essa oportunidade'.