Pragas Preocupam Produtores que Adotam Plantio Direto no Cerrado


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Publicado em: 01/01/1997

início do ano de 1997, várias foram as consultas so- N bre a ocorrência e sobre os danos causados pelo bicho-bolo em lavouras sob plantio direto no cerrado. As larvas de insetos conhecidas por “bicho-bolo” no cerrado e por “coró” no sul do Brasil, pertencem a família Melolonthidae e apresentam hábitos alimentares variados incluindo palha, material orgânico, sementes e plantas.

O conhecimento sobre esse grupo de insetos ainda é muito restrito no Brasil. Existem dezenas de espécies cujas larvas apresentam características morfológicas semelhantes. Algumas poucas foram identificadas e são citadas na bibliografia brasileira. Em consequência disso ocorrem problemas com a identificação, muitas vezes errada, e dúvidas sobre o controle e sobre o manejo das espécies praga.

As espécies que ocorrem na região tropical, onde o inverno é Seco, clima típico do cerrado, são diferentes das que ocorrem no sul do Brasil, onde chove no inverno e no verao e O clima é classificado como subtropical úmido. As espécies de insetos desenvolveram estratégias de sobrevivência e de alimentação adaptadas as condições de clima do sul e do cerrado. As larvas desenvolvem-sSe durante o período de maior crescimento vegetativo das plantas, po! ISSO, no cerrado os danos são causados nas Dirceu N. Gassen* culturas de verão e no sul do Brasil as larvas causam danos no inverno. Àssim, as comparações entre os corós que ocorrem nas duas regiões devem ser feitas com cuidado. São espécies diferentes que apresentam hábitos de alimentação e ciclos biológicos específicos.

Nas lavouras sob PD do cerrado, foram observadas duas espécies princ!- pais. Uma delas caracteriza-se por cavar galerias verticais com 2 em de ”A aração pode ser uma alternativa precipitada considerando o baixo índice de controle e à expectativa de morte através de inimigos naturais.

Revista Plantio Direto - Janeiro/Fevereiro de 1997- 25 diâmetro e até 60 cm de profundidade. Esse coró pertence ao gênero Bothynus e é de ocorrência frequente em lavouras sob plantio direto e em pastagens. A larva abre galerias profundas e armazena palha para sua alimentação. Não é considerado praga, pois não ataca plantas nem consome sementes. É um inseto desejável nas lavouras por causa da abertura de galerias, pela incorporação e mineralização de palha e pelo transporte de nutrientes no perfil do solo.

Por causa dessas características, pode ser confundido com o coró-das-pastagens, Diloboderus abderus, que desenvolve em plantio direto no sul e não ocorre no cerrado.

AS duas espécies podem ser diferenciadas com facilidade pela forma de deslocamento das larvas quando colocadas na superfície do solo. A larva de Diloboderus, ocorre no sul do Brasil, na Argentina e no Uruguai causando danos às plantas cultivadas durante os meses de inverno e na superfície do solo, movimenta-se com as pernas, de pé, em posição normal. A larva de Bothynus, movimenta-se com o dorso do corpo para o solo (de costas) e as pernas para o ar, alimenta-se de palha e não causa danos às plantas.

O outro grupo de corós caracteriza-se por não abrir galerias. As larvas movimentam-se em busca de sementes e de raízes, concentrando-se na linha de semeadura das plantas cultivadas. Alimentam-se de palha, de sementes e da parte subterrânea de plantas. As larvas encontradas no cerrado não pertencem às espécies conhecidas (Diloboderus abderus, Phytalus sanctipauli, Phyllophaga cuyabana e Euetheola humilis) e encontradas em lavouras no sul do Bra- As larvas da espécie coletada no cerrado possivelmente pertencem ao gênero Phyllophaga ou a um grupo muito próximo. Causam danos à semelhança das espécies pertencentes ao gênero Phyllophaga e Phytalus, no sul do Brasil... Consomem a parte subterrânea das plantas, concentramse na linha de semeadura, próximo à superfície do solo e não abrem galerias. O controle com inseticidas no tratamento de sementes é um método eficiente de controle quando as larvas estão presentes no momento da semeadura. No caso do cerrado, os insetos adultos emergem do solo após as primeiras chuvas da primavera. Realizam a cópula, as revoadas e a postura. Algumas semanas após nascem as larvas que se desenvolvem consumindo material orgânico até atingir o terceiro estádio quando atacam plantas. Este intervalo entre a semeadura de milho ou de soja e o início do dano das larvas em janeiro é muito longo para uma expectativa de controle com inseticidas na semente. Além disso, na Soja O uso de inseticidas na semente pode causar fitotoxidade e o custo do tratamento e elevado. Na semeadura de milho safrinha, quando as larvas buscam alimento, o Inseticida protege as sementes e plântulas, baseado na experiência do sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai.

Outra alternativa de controle do coró é a aplicação de inseticidas (clorpirifós ou endossulfam) via líquida no sulco de semeadura nas culturas com maior espaçamento entre linhas como o milho e a soja. Este método é eficiente para pragas de solo em milho e poderá ser validado para controle de coró no cerrado.

A aração e o preparo de solo com escarificador ou grade é a primeira alternativa de controle da praga que os iniciantes do plantio direto identificam. Na realidade ocorrem larvas de bicho-bolo em áreas sob preparo convencional caracterizando a ineficiência da prática. Experimentos de campo evidenciam que o controle de larvas ocorre, principalmente, pela compactação da roda do trator na camada superficial. Com a aração e a gradagem o índice de controle pode chegar a 30 % das larvas. Em geral as larvas de bicho-bolo ocorrem em lavouras isoladas ou parte delas e após um ano de danos desaparecem em função de controle biológico. Várias espécies de predadores, de parasitóides e de microrganismos atacam as larvas que permanecem expostos por longos períodos a estes Inimigos naturais. No sul do Brasil, nos primeiros anos sob plantio direto, muitos dos agricultores que tiveram problemas com esta praga, araram o solo como alternativa de controle. Hoje, com o conhecimento da biologia, dos ; o-bolo passou a ser um problema secundário e até inseto benéfico, considerando a abertura de galerias e a Incorporação de nutrientes. A aração pode ÃO búiao e taA precipitada consideran- O Indice de controle e à expectati- Va de morte através de inimigos naturais Na realidade o plantio direto está sendo introduzido como melhor alternativa aos as- O E SEN negativos do preparo convencional e SO!O e à solução de eventuais problemas devem ser buscad os dentro do novo sistema de semeadura. fio 26 - Revista Plantio Direto - Janeiro/Fevereiro de 1997