É Possível Conviver com o Nematóide de Cisto da Soja?


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Publicado em: 01/03/1997

Nematóide de Cisto da Soja? RA AO AAA AESA E dio Com plantio direto é mais fácil Nematóide de Cisto de Soja (NCS), praga encontrada em lavouras de soja do cerrado (Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e que já atingiu o Sul do País, é responsável por quedas na produção que podem ir dos 30% aos 50%. Altos graus de infestação comprometem a resistência da soja que, face a um período de seca, simplesmente morre. Tais áreas podem exibir o espantoso índice de 100% de perdas. E o que é pior, o NCS dificilmente será eliminado de uma área infestada. A boa notícia, neste caso, é que uma área com NCS pode produzir bem se a quantidade de nematóides no solo for pequena.

O primeiro passo é detectar esta praga, o que não pode ser descrito como uma tarefa das mais fáceis. Verme minúsculo (menos de 0,7 mm de diâmetro), o nematóide de cisto da soja sobrevive no solo alimentando-se e reproduzindo-se nas raízes da soja. Sua presença nem sempre é notada porque o único indício que o NCS deixa são manchas ou reboleiras de plantas pouco desenvolvidas e amarelas - características encontradas também em casos de deficiência de certos nutrientes (manganês ou potássio), de compactação do solo ou de determinados problemas fisiológicos. Em caso de dúvida, a presença do NCS pode ser comprovada observando-se as raízes com uma lupa de bolso: de cor branca a amarela, as fêmeas ficam apenas com o corpo, inteiro ou em parte, fora da raiz - a cabeça está sempre introduzida na raiz da soja. Ao completar seu ciclo de vida, a fêmea, cheia de ovos, deixa o revestimento externo do corpo (o cisto) para proteger os Ovos, o que permite sua sobrevivência no solo por muitos anos. Ao contrário do nematóide de galhas, o NCS não causa deformações das raízes, mas apenas sua deterioração.

E como esse bichinho tão pequeno se desloca, para contaminar vastas áreas? Infelizmente, parece que tudo o que se refere a Márcio Scaléa* lavoura é um veículo para o NCS: torrões e matérias inertes misturadas a sementes mal beneficiadas, grãos transportados por caminhões ou aderidos a equipamentos agrícolas, veículos ou calçados, vento, chuva e erosão, pássaros ou animais silvestres - a lista parece interminável. Alguns desses fatores, como torrões, máquinas e implementos, são mais Importantes na transmissão dentro da mesma fazenda: outros, como a erosão eólica, favorecem a contaminação entre propriedades.

Por ter ação contra a disseminação tanto dentro de uma propriedade, como entre as fazendas, o plantio direto é uma das mais eficientes armas contra o NCS: ele reduz a erosão eólica (e, portanto, a transmissão de uma fazenda para outra) e o trânsito de máquinas (diminuindo, consequentemente, a possibilidade de transporte de torrões com cistos). No caso de fazendas já infestadas, é recomendável que as áreas livres do NCS sejam preparadas e semeadas primeiro, para evitar receber resíduos de terra contaminada. Cuidados básicos, como a aquisição de sementes livres de torrões e a limpeza cuidadosa de máquinas e equipamentos, são igualmente válidos.

Infestada ou não, a terra deve sempre passar por uma rotação com culturas não hospedeiras, como algodão, amendoim, arroz, cana, girassol, mandioca, milho, pastagem e sorgo, de acordo com as aptidões agrícolas, condições climáticas e mercado da região. No caso de regiões distantes, como o Mato Grosso, onde culturas como o milho têm restrições econômicas de plantio, a grande estratégia para a convivência com o NCS é a rotação com pastagens - que não são hospedeiras - via plantio direto.

Caso haja suspeita de que o nematóide já invadiu sua cultura de soja, não hesite: procure um engenheiro agrônomo ou consulte um técnico de sua confiança. Detectado em fase inicial, o NOS é mais facilmente combatido. E Revista Plantio Direto - Março/Abril de 1997- 19