Considerações Estratégicas Sobre o Processo de Informatização das Empresas e Propriedades Rurais


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Publicado em: 01/03/1997

objetivo deste trabalho é fornecer Informações estratégicas e práticas sobre o processo de informatização das empresas/ propriedades rurais. Uma situação que combina mudanças na organização/gestão da produção e do trabalho e informática. Inovações que estão sendo introduzidas na agropecuária objetivando, como na indústria e no setor de serviços, responder às alterações econômico-sociais ocorridas nas últimas décadas (crise de mercado, desestabilização do sistema financeiro internacional e aumento da necessidade empresarial de controlar a produção). Um resumo estatístico relativo a áreas e campos de aplicação dos principais softwares agropecuários disponíveis no país também é apresentado.

Termos para indexação: Informática, agricultura, recursos humanos. 1. Introdução O processo de informatização das empresas/propriedades rurais deve obedecer a uma série de etapas, denominadas de desenvolvimento (Meirelles, 1994 .: Jesus, 1993).

À primeira etapa (estruturação), objetiva promover organização e racionalização dos processos administrativos. Uma organi- ' UFLA-COPPE! zação prévia, independente de computador UFRJ das rotinas de trabalho/controle da proprie- 2 UFLA dade.

A segunda etapa (automação), diz res- * COPPE/UFRJ peito ao processo de efetiva adoção da 20 - Revista Plantio Direto - Março/Abril de 1997 tecnologia computacional, segundo três estratégias básicas: contratação do desenvolvimento de programas específicos, utilização de software de caráter genérico - pacotes e aquisição de programas específicos já desenvolvidos para o setor rural - aplicativos.

Na terceira etapa (integração) os sistemas que antes funcionavam isoladamente passam a ser integrados. Trata-se do estágio final a ser atingido e representa um processo de maximização do uso dos recursos em busca de minimização dos custos operacionais.

Tem-se, então, uma situação que conjuga mudanças na organização/gestão da produção e do trabalho e informática. Inovações que estão sendo introduzidas na agropecuária objetivando, como na indústria e no setor de serviços, responder às alterações econômr- Cas-sociais ocorridas nas últimas décadas (err se de mercado, desestabilização do sistema financeiro internacional e aumento da necessidade empresarial de controlar a produção).

— Supõe-se, portanto, uma profunda modificação estrutural e técnica na empresa (propriedade rural) à medida que o uso dá Informática for se tornando corriqueiro. Entretanto, faltam investigações sobre o assunto. Particularmente, observa-se ausência de eS- tudos relativos a aspectos individuais dê informatização agrícola, tais como: impacto* da informatização no conjunto de trabalhadores (capacitação, responsabilidade, qualifica” ção), tipos de programas disponíveis no MEI cado, os mais utilizados, questões relativas ao desenvolvimento de programas específicos para o setor, tipo de empresa que opta pela 3 informatização, equipamentos mais utilizados Tabela 1: Software agropecuário: áreas/campos de aplicação Prod. Plantas Prod. Animal Eng. Agrícola Ena A Inf. geográficas Irrig. E drenagem Topografia Ambiência Bovinos leite Aves Bovinos de corte Bovinos Rebanho Suínos Nutrição Equinos Caprinos Veterinária Gerenciamento Contab. De custos Planej. e controle Folha de pagtº Planej. produção Contabilidade Cooperativas Agroindústria Agronomia Engenhos Sementes Cana Café Citros infra-estrutura dos fornecedores, atendimento, segurança e qualidade.

Tais aspectos constituem-se nos componentes ou elementos em estudo, avaliação e análise deste trabalho.

2. Metodologia Pode-se dizer que este é um estudo exploratório. Uma investigação de campo, foi realizada no período de 04/95 a 07/95 junto a 106 produtores/administradores rurais da região sul de Minas Gerais, 03 instituições de ensino, pesquisa e extensão e 22 softhouses/profissionais de várias regiões do país. Para coleta de dados foram elaborados questionários, que serviram como roteiro e base para operacionalização de entrevistas, ou seja, foram diretamente aplicados (contato direto/telefone) ou enviados aos componentes da pesquisa (correios, fax ou e-mail).

O fato é que antes deste trabalho não haviam informações consistentes e atuais sobre o processo de informatização de uma empresa/ propriedade rural e sobre o conjunto de softwares disponíveis para o setor em questão. Nosso maior objetivo foi investigar e procurar compreender melhor esta realidade.

3. Resultados e Discussão 3.1. Estruturação Administrativa Do total de 106 entrevistas, realizadas Junto a empresas/propriedades da Região Sul de Minas Gerais, Identificou-se que 33 (ou 31.1%) utilizam o computador como instrumento de apoio a suas atividades administrativas e gerenciais. Outras 73 (68,9%) empresas ainda não fazem uso desta ferramenta, principalmente devido a falta de conhecimento na área e ao alto custo dos sistemas.

O perfil das empresas que optaram pela informatização é o seguinte: atuam na área de pecuária de leite, são administradas sob base familiar, possuem Hipermídia Silvicultura Ações Flora Software Hipermídia FE No AC SA ns TM SS EA entre 20 e 30 funcionários fixos, área de 300 hectares e produzem em média 40000 litros de leite/mês. Os principais motivos que levaram tais empresas à informatização foram: a facilidade de acesso e domínio da informação (15, 45.4%), grande volume de informações a serem processadas (12, 36.4%) e redução de custos (6, 18.2%). Os principais problemas encontrados referem-se a cole- Sementes Mario José Basso Associado à APASSUL desde 1969 | TRIGO - CEVADA AVEIA - SOJA Aveia: Preta, UPF-16 e UPF-17 Cevada: BR-2 Trigo: EMBRAPA-16 e OR-1 Soja: FI-Cometa, FT-Saray, FT-2002, FT-9, FTI-Abyara, FT- Estrela, FE-2000 Franquiado:

Monsoy S.A. Br 285 - KM 20 Cx. Postal 107 - CEP 95.200-000 Fone Fax (054) 231-11382 VACARIA Rio Grande do Sul - BRASIL Revista Plantio Direto - Março/Abril de 1997- 21 tecnologia. Neste contexto, o enfoque social do processo de informatização é possível quando a preocupação com os efeitos é anterior à adoção (ou seja,: durante a etapa de estruturação); o que permite alinhar as opções de automação e integração de forma a maximizar os benefícios e evitar impactos negatimais utilizados são: planilha eletrônica, banco de dados e processador de textos. Constitui base de conheci!- mento útil (suporte) para O futuro, quando da opção, Se necessária, pelo desenvolvimento de software para à propriedade; ou mesmo no que diz respeito à aquisição de um aplicativo “pronto”. Entretanto, implica em cota de dados (14 empresas ou 42.4%), treinamento básico (10, 30.3%) e alto custo dos sistemas (9, 27.3%). Todos os equipamentos utilizados são compatíveis IBM-PC e encontram-se instalados nas fazendas há mais de um ano, sendo usuários dos sistemas os próprios administradores (empresa capitalista) ou proprietários (empresa familiar) das empresas. Poucos são os auxiliares contratados especificamente para a função tecnológica, ou seja: o processo de informatização não exigiu contratação de funcionários. Quanto à dispensa destes, praticamente todas as empresas (30, 90.9%) foram categóricas em afirmar que o processo de informatização também permi!- tiu a dispensa de empregados. Portanto, não há alteração no número de postos de trabalho. O que ocorre é uma certa demanda por mudanças de conteúdo, um processo de mobilidade, treinamento e reciclagem. Aumenta-se o controle, exige-se do funcionário mais responsabilidade, participação e qualificação, principalmente no que diz respeito à coleta e manipulação de dados.

3.2. Automação A automação diz respeito ao processo de efetiva adoção da tecnologia informática, segundo três estratégias básicas (conforme Garcia & Barros, 1985):

Desenvolvimento de software: Opção de longo prazo e alto custo. Um total de 8 empresas (24.2%) contrataram o desenvolvimento de software. Normalmente, a metodologia de desenvolvimento adotada é a prototipação (Pressmam, 1992), privilegiando a participação do usuário (consultiva) em todo o processo. À principal ferramenta de programação utilizada é o gerenciador de banco de dados (12 softhouses). À necessidade de investimento do usuário aumenta conforme o tamanho e complexidade do sistema. A grande vantagem é que o programa a ser desenvolvido objetiva atender (“teoricamente”) a todos os requisitos (exigências) do cliente.

Pacotes Genéricos: Opção de curto prazo e menor custo. Exatamente 5 empresas (15.2%) utilizam programas genéricos. Os pacotes nhecimento básico em informática vos.

(acumulado) por parte dos USUários. Programas específicos: Opção intermediária, 20 empresas/propriedades rurais (60.6%) trabalham com aplicativos. Investigou-se 169 programas, exclusivamente direcionados ao setor agropecuário, comercializados e/ou distribuídos por softhouses e Instituições de ensino/pesquisa. Atendendo a diversas áreas e campos de aplicaçã, conforme ilustra a tabela 1.

3.3. Integração A integração representa a última etapa do processo de informatização. Os sistemas já em pleno funcionamento, passam a ser integrados/interligados. Cria-se, então, através da ferramenta padrão “banco de dados”, uma grande rede de informações interna e externa. Esta pesquisa não identificou nenhuma empresa nesta fase do processo de informatização. Ainda falta muito para chegar-se a este nível no setor agropecuário. Particularmente, no que diz a aspectos sociais e econômicos: educação, qualificação e renda (produtor); capacitação: qualidade e manutenibilidade dos programas (softhouses) e infra-estrutura: estradas e telecomunicações (governo).

4. Conclusões 4.1. Estruturação A tecnologia computacional não pode ser considerada “isoladamente como solução para as atividades da empresa, Para evitar possíveis fra- Cassos, assegurar benefícios duradouros e melhorias contínuas aqueles que compõem a força de trabalho da propriedade devem estar plenamente comprometidos com os resultados almejados, familiarizando-se como processo de mudança em cur- So, confortáveis & motivados para a assimilação e o uso desta nova 22 - Revista Plantio Direto - Março/Abril de 1997 4.2. Automação e Integração Programas são desenvolvidos e/ou adquiridos para atender às necessidades de seus usuários. Após serem colocados em operação, espera-se que tenham uma vida longa e produtiva. Para que isto seja realrdade, saber observar determinadas características, no instante da compra, torna-se essencial. Basicamente, as principais características a serem observadas são: Objetividade: além de satisfazer necessidades e requisitos, o programa deve ser fácil de usar e de aprender; Adaptabilidade: adaptação, adequação do programa/fornecedor ao modo de pensar e trabalhar da propriedade (neste sentido, observa-se aspectos sociais: receptividade, assimilabilidade e engajamento dos usuários); Portabilidade: característica de um programa poder ser operado de maneira fácil e adequada em configurações de equipamentos diferentes da original; Expansibilidade: característica de um programa ter suas funções desenvol vidas de maneira a permitir a adição ou subtração de módulos conforme especificações; Manutenibilidade: característica de um programa per mitir implementar e documentar alterações; e Treinamento: característica da empresa/fornecedor capacitar usuários na utilização de seus pro” gramas.

Quanto ao hardware, os elementos básicos a serem considera” dos para uma escolha adequada, EM função de objetivos atuais e potenc!- ais do uso do computador na empre” sa/propriedade, são: microprocês”-- sador, memória, periféricos, SUP mentos e manutenção. Cabe lembra que todos os fornecedores/desenvo!- ” vedores de software entrevistados utilizam Pcs compatíveis. ão Publicado na Revista Agrosoft neo