Região de Rio Verde GO Aumenta Área de Plantio Direto


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Publicado em: 01/05/1997

Silvio Ferreira: Região de Rio Verde-GO aumenta área de plantio direto “A área com semeadura direta na região sudoeste do Estado de Goiás, especialmente em Rio verde e Montevidiu deverá ficar em torno de 80% na próxima safra, em função dos graves prejuizos causados às lavouras pelas chuvas torrênciais que ocorreram no verão passado, com sérios problemas de erosão. Nós tivemos precipitações localizadas que chegaram a 400 mm numa manhã!” As informações foram prestadas pelo engenheiro agrônomo Silvio Marcos Ferreira, gerente da Empresa Plantar & Colher, uma consultoria agronômica que atende básicamente produtores de plantio direto,na região de Rio Verde, e que esteve participando do I Curso de Fertilidade, em Passo Fundo, no final de abril. Formado pela faculdade de agronomia de Rio Verde, Ferreira atende cerca de 40 mil hectares e seu entusiasmo é pelo plantio direto, do qual são usuários a maioria dos seus clientes.

“Ainda existem restrições ao sistema, disse ele à Revista Plantio Direto, em Passo Fundo. Mas eu acho que elas são de ordem cultural porque, sob o ponto de vista econômico e de preservação do solo, o sistema plantio direto não deixa dúvidas de que é mais favorável. Hoje, já temos tecnologia disponível para o desenvolvimento do sistema no Cerrado, com opções de rotação de culturas, como o milheto, que vai muito bem e já tomou uma área considerável na região, com variedades melhoradas. Trata-se de uma cultura rústica e resistente à seca.” Clube Amigos da Terra Silvio Ferreira fala com entusiasmo do trabalho do Clube Amigos da Terra de Rio Verde, onde ele ajuda a desenvolver pesquisas a campo. “Creio que o CAT de Rio Verde é um dos únicos a desenvolver trabalhos de pesquisa em todo o Brasil, disse ele. Nós encaminhamos diversas pesquisas, como, por exemplo, a distribuição de plantas de milho na safrinha. Já concluímos um trabalho sobre plantio direto em pastagens degradadas, além de diversas outras situações em que usamos calagem sobre pastagens, com resultados excelentes.” O CAT de Rio Verde, atualmente presidido pelo produtor José Roberto Bruceli, é um dos principais vetores do desenvolvimento do plantio direto na região, que planta uma área aproximada de 150 mil ha de soja e 36 mil ha de milho. A região é previlegiada em termos de chuva, apresentando um índice em torno de 1700-1800 mm anuais, que ocorrem de setembro a final de abril. Isso tem permitido uma produtividade de 3000 kg/ha na cultura da soja e 6000 kg/ha em milho.

“Na safra passada, as chuvas foram mais intensas, informou Silvio Ferreira. As doenças apareceram em milho e soja, com uma quebra estimada em 20-30% na cultura de milho.Não tivemos problemas com a soja , porque , com os prejuizos de 2 anos atrás, nesta safra estávamos usando variedades resistentes. O ano foi atípico em termos de chuva mas as perdas em soja não foram significativas.” Segundo Silvio Ferreira, existe uma tendência de incremento de plantio de milho na safrinha e de variedades de soja precoce, o que poderia direcionar para a monocultura da leguminosa no verão, embora ele não salba mensurar essa questão.

Foto: Silvio Ferreira Sudoeste goiano sofreu com a erosão na última safra Revista Plantio Direto - maio/junho de 1997 - 7