pesquisador da EMBRAPA-Soja, de Londrina, engenheiro agrônomo José Tadashi Yorinori, atribui a incidência generalizada de oídio na cultura da soja, nesta safra, as condições climáticas extremamente favoráveis encontradas pela doença para se multiplicar e disseminar. Para ele, trata-se de uma “doença errática” (pode-se manifestar ano após ano, ou não), que sempre esteve presente nas lavouras, mas nunca havia assumido um caráter epidêmico.
Ele fez avaliações da incidência de doenças foliares da soja no Brasil Central e no Paraná e estabeleceu algumas linhas de pensamento básicas sobre o problema. Considerando um dos melhores especialistas do país e do mundo quando o assunto é doenças de soja, Tadashi aconselha o produtor a restringir o uso na próxima safra das variedades FT - Abyara, BR-16 e FT-Estrela, identificadas como as mais suscetíveis ao oídio.
De acordo com Tadashi, na região do Cerrado, houve perdas de produtividade por oídio estimadas entre 20% a 50%, em virtude das variedades plantadas serem mais tardias. Já no Paraná, onde 40% da área cultivada foi ocupada com as variedades FT-Abyara e BR-16, as perdas chegaram a até 35% na região de Tibagi e Ventania, onde ele reuniuse com técnicos da região para um Dia de Campo sobre Doenças da Soja, em fevereiro .
Ex-pesquisador do IAPAR, com mestrado e doutorado em Fitopatologia, respectivamente pelas Universidades de Cornell e Illinois, nos Estados Unidos, Tadashi recomenda que o controle do oídio seja feito dando prioridade ao uso de variedades resistentes (Ver na labela 1 a reação das variedades recomendadas para o resto do Estado do Paraná).
O controle químico do oídio com fungicidas na soja é possível e economicamente viável, quando usado corretamente com critério e no momento correto. Todavia, recomenda que o agricultor procure o engenheiro agrônomo para se orientar sobre o uso correto do fungicida e para fazer a aplicação no momento certo. O pesquisador da Fundação ABC, ENg. Agr. Olavo Correia da Silva, realizou estudos sobre o controle químico do oídio, testando diversos principios ativos. Portanto, essas informações geradas pela própria Fundação poderão auxiliar os produtores da região Sul na escolha do fungicida e no momento correto de aplicação. por outro lado, na safra 97/98, o oídio poderá não ocorrer na mesma intensidade da observada na última safra, podendo até dispensar o uso de fungicidas. Todavia, a fim de evitar surpresas desagradáveis, caso haja reincidência do oídio, o produtor de soja deve estar atento desde cedo. Para o controle químico do oídio, a lavoura de soja deve ser vistoriada periodicamente, desde a sua fase inicial a fim de que a aplicação do fungicida, se necessário, seja feita corretamente.
Tadashi também se mostra particularmente preocupado com a incidência de Fusarium (uma doença fúngica existente há cinco anos na região) também conhecida como “Podridão Vermelha da Raíz” ou “Sindrome da Morte Súbita”, que começa a aumentar a intensidade. Essa doença, segundo o pesquisador, manifesta-se com maior severidade em solos compactados e mal drenados, sendo também favorecida pela ocorrência de estiagem durante o ciclo da cultura. Apesar de não causar danos ao milho, sorgo, trigo e outras gramíneas de inverno, o Fusarium multiplica-se na palha, tornando sem efeito a rotação de cultura no controle da doença. Da mesma forma, o Plantio Direto estimula o aumento da doença, com a palhada servindo de comida para o fungo. Como medidas para evitar prejuízo, o especialista orienta o produtor a fazer, todos os anos, vistoria periódica na lavoura a fim de identificar o problema, determinar o nível de Revista Plantio Direto - maio/junho de 1997 - 17 Tabela 1. Reação ao oídio (Microsphaera diffusa) das varieda des de soja recomendacças no estado do Paraná. Avaliação feita sob ocorrência natural a campo. EMBRAPA-Soja, Londrina, PR. Abril /199/.
Reação ao oídio 1/ Reação ao oídio 1/ Variedade (Ciclo) Variedade (Ciclo) rara AE As TN Reação O — e ela BR-4-(SP)2/ 43] S FT - Abyara- (MJ = o FT - Cometa - (P) 3 MR BR-16 - (SP) 5 AS o FT - Cristalina (T) 4,5 AS BR -30 - (M) 5 AS : AS BR-36 - (SP) 1 R FT - Estrela - (D) E - (P) 4,5 AS BR-37 - (M) 3 MR FT Guaira ( BR-38 - (M) 1 R FT - Iramaia - (M) á S : -1 íder - (SP 45 AS Campos Gerais - (P) 3,5 S FT - Líder - (SP) COODETEC 201 - Nova 5 AS FT - Manacá - (P) 4 S Iguaçu (SP) COODETEC 202 - (P) 4,5 AS FT - Saray - (P) S5 AS COODETEC 203 - (P) 5 AS IAS 5 - (P) sd 7 EMBRAPA 1 (IAS 5 RC) - (P) 1 R Invicta - (SP) . : EMBRAPA 4 (BR 4-RC) - 4 S KI-S 702 - (M) : õ (SP) EMBRAPA 48 - (P) 4 S EMBRAPA 58M - (P) 4 S OCEPAR 3 - Primavera - (P) 4,5 AS EMBRAPA 59 - (SP) 3 MR OCEPAR 4 - Iguaçú - (SP) 4 S EMBRAPA 60 - (M) 3 MR OCEPAR 6 - (SP) 3 MR EMBRAPA 61 - (M) 2,5 MR OCEPAR 8 - (SP) 2 R EMBRAPA 62 - (SP) 4,5 AS OCEPAR 9 - SS-1 - (M) 1 R FT-2-(M) O R OCEPAR 10 - (P) 4,5 AS FIT - 5 (Formosa) - (ST) 155 R OCEPAR 13 - (SP) 4 S FT - 6 (Veneza) - (SP) 2 R OCEPAR 14 - (P) 5 AS FT - 7 (Taborá) - (P) 4 S OCEPAR 16 - (M) 3 MR FT - 9 (Inaê) - (SP) 35 S OCEPAR 17 - (P) 5 AS FT - 10 (Princesa) - (M) 2 R OCEPAR 18 - (SP) 5 AS FT - 2000 - (M) 1 R Paraná - (P) 5 AS MO OO — À s > ” ts UU i| .... õ Ú > ->—S 1/ Reação ao oídio: NI = Nível de infecção, de acordo com a escala de O foliar infectada (afi); 2 = 11% - 25% afi; 3 = 26% - 50% afi: 4 = 51% (zero) = sem sintoma, 1 = traços a 10% da área | - (5% afi; 5= mais de 75% afi. Reacção: R = | NI=O a 20; MR = Moderadamente resistente: Nl => 2 a 3; S = Suscetivel Nl=>3ad4 AS = AAATENE SeSC apa As avaliações foram feitas em parcelas experimentais ou lavouras comerciais ! bio:
foliar infectada, da parcela ou de plantas individuais. 2/ Ciclo (Grupo de Maturação): (P) = Precoce: (SP) = Semi Precoce: (M) = 3/ Valor máximo obtido em pelo menos um dos seguintes locais de avali Londrina (Embrapa-Soja), Mamborê (Faz. Morofuse), Ponta Grossa Paraná; Pedra Preta (Sementes Girassol e Sementes Polato), Alto e baseadas em estimativas VISUAIS da área Médio: (T) = Tardio.
gi (E.E. Fundação ABC), no | Taquari Mato Grosso; Luziânia (Sementes Pamplona - SLC e Fazenda Salt ferde) em entes São Francisco - Cesar Burtet), no 41 Informação não disponível.
ocorrência e nas áreas mais atingidas, fazer rotação com milho na safra seguinte para evitar prejuízo com a soja. O controle da “Podridão Vermelha da Raiz” só é possível através de variedades resistentes, porém, no momento não há informação concreta sobre a existência de variedade resistente entre as recomendadas no estado do Paraná.
Por fim, aconselha a eliminar a compactação, fazer a amostragem e proceder a respectiva análise do solo fazer o tratamento de semente com fungicida para garantir a germinação e reduzir o “stand” para 10 a 12 plan- 18 - Revista Plantio Direto - maio/junho de 1997 o Verde), em Goiás. e PADF, Distrito Federal.
E por metro linear e fazer o ajuste da população de rão coma época de semeadura e o ciclo da variedade. Um dos fatores que mais influi na redução do poten- Cial de rendimento é o acamamento da soja, que deve ser evitado a todo Custo.
Ocorrendo qualquer irregularidade na lavoura, têcnica ”comenda que o produtor procure a assistência : Ou consulte os órgãos de pesquisa para que O diagnóstico do : : problema s in fim de possib eja feito na fase inicial, a trole, llitar a adoção de medidas adequadas de Que