Projeto Visa Perenizar Pastagens no RS


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Publicado em: 01/05/1997

tornar produtores competitivos e oferecer maior qualidade a20s consumidores. Qualidade, produtividade e relacionamento são palavras básicas na reversão em lucro do atual déficit alimentar do Rio Grande do Sul, calculado em US$ 600 milhões por ano somente com a pecuária. “Os motivos são a não implementação de tecnologias que a pesquisa já comprovou, e que estão à disposição de todos, e a falta de consciência, em termos gerais, do que isso significa para o Estado”, analisa o agrônomo da Melhoramentos Assessoria & Marketing, Victor Hugo Carrão, que Produtores, pesquisadores e assistentes técnicos, no Dia de Campo em Bagé Adriane Rodrigues - Jornalista coordena o projeto de Viabilização e Difusão de Manejo de Pastagens Nativas com Roundup nas Formações Campestres do RS.

Este Projeto é desenvolvido há um ano e meio pela Monsanto do Brasil e atinge 10 propriedades de várias regiões do Estado. O objetivo principal é introduzir forrageiras em campo nativo, melhorar a fertilidade do solo e manejo, observando a relação soloplanta-animal-homem, diferimento e perenização das pastagens, garantindo alimento de qualidade para gado durante o ano todo.

O Rio Grande do Sul possui 12 milhões de hectares de campo nativo. Nesta área, pastam 12 milhões de cabeças de gado que, pela intensidade do frio no inverno, ficam sem allmento e chegam a perder uma média de 45 kg cada. Esta situação de “engorda-emagrece gera um prejuízo anual de U$ 600 milhões e retarda o tempo de abate do animal. “Consumimos hoje carne de cinco anos, quando ideal é de dois anos e meio ou menos, atendendo cada vez mais as exigências do mercado consumidor”, salienta Carrão.

Reflexos “A proposta do projeto vai além da porteira”, diz Carrão, ao observar que hoje em dia, mais do que nunca, o produtor busca reduzir custos. “À consciência de melhora não deve ficar apenas dentro da porteira, mas refletir em ganhos em toda a cadela agroalimentar da carne para o Estado e a sociedade”.

Esta mudança é defendida através do Projeto com a introdução de herbicida para o estabelecimento de espécies forrageiras, dispensando a sua utilização a partir da ocorrência de geada. Durante o |l Seminário de Manejo de Pastagens Nativas com Roundup, realizado nos últimos dias 25 e 26 de março em Bagé, o especialista em Pastagens da Monsanto, Carlos Henrique Dalmazzo, destacou que “nesta região o clima e as condições do solo são ideais para a introdução de forrageiras”. Para ele, cada produtor deve encontrar o caminho da produtividade e do retorno em função da experiência e das pesquisas já realizadas.

“Não tem receita”, afirma Maria Arminda Ortiz Ciprandi, pesquisadora da Monsanto. “O próprio produtor deve adequar cada situação à realidade de sua propriedade. A variabilidade de espécies presentes no campo nativo será um dos fatores indicativos do grau de adequação do uso do herbicida e da tecnologia à propriedade”.

Para obter retorno sobre o investimento e “ganhar dinheiro, Carrão salienta que “a crise está na cabeça das pessoas. À mentalidade do imediatismo mudará quando as pessoas se derem conta que a situação não pode mais continuar assim. Devemos fazer da crise uma oportun!- dade de negócios, treinando e capacitando os recursos humanos, otimizando custos, terceirizando e estimulando parcerias, pensando sempre a médio e longo prazos, aconselha, “buscando a qualidade e a satisfação dos clientes”. a Revista Plantio Direto - maio/junho de 1997 - 23