Agricultura de Precisão - Mais um Desafio para o Agricultor Brasileiro


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Publicado em: 01/05/1997

pequeno agricultor da Serra Gaúcha ou do Oeste Catarinense ou da Região da Mata Mineira diz que conhece palmo-a-palmo a sua roça, é porque ele tem anos de relação íntima com aquele pedaço de chão. Como toda a área é trabalhada por ele e cada pequena mudança é registrada na sua mente, ele é capaz de lembrar o que aconteceu e porque qualquer dada alteração aconteceu ao longo dos anos. Ele sabe quais as linhas de milho que devem receber um pouco mais ou pouco menos de adubo e ele capina os focos de capim com mais frequência e cuidado do que o restante da roça.

Agora, vamos imaginar o mesmo em uma propriedade de 500 ou 5.000 hectares. Para começo de conversa, quem cuida da lavoura, normalmente não é o proprietário; ao menos não é ele sozinho. Mesmo que fosse não seria possível para uma única pessoa arquivar na memória todos os acontecimentos com a localização exata e a conexão desses fatos de ano para ano. No máximo, essa memória se refere às glebas e ele tenta se referir a cada uma individualmente. E possível ele afirmar que a lavoura do “pinhal” rendeu mais porque teve menos infestação, ou que a lavoura da varzea” ou da “corticeira” foi pior porque choveu muito e ficou alagada mais tempo, e assim por diante. Porém é impraticável subdividir essas lavouras e conhecer os fenômenos que estão ocorrendo ao longo dos anos em cada um desses pequenos setores e associa-los uns com os outros. Mais difícil ainda é estabelecer um plano de ação individualizado para cada uma dessas pequenas células.

Essa idealização passou-se a chamar de agricultura de precisão e vem se desenvolvendo como uma importante área das ciências agrárias no que diz respeito a manejo localizado para otimização da produção. A origem da agricultura de precisão como é concebida hoje, tem suas raizes na pressão por uma agricultura menos agressiva ao meio ambiente nos países europeus e logo em seguida nos Estados Unidos. À necessidade da dosagem de insumos que permitam maximizar a produção sem que potenciais excedentes de fertiizantes e defensivos comprometam a qualidade, especialmente da água, foi o carro chefe no desenvolvimento da tecnologia. Porém essa teoria toda continuava inacessível ao agricultor comum por falta de um sistema simples, funcional e preciso de localização no campo. Isso tudo até pouco tempo atrás, quando foi posto em serviço o chamado GPS ou “Global Positioning System”.

Em um certo momento da recente evolução da chama - da agricultura de precisão houve quem a confundisse com o conceito de GPS. Agricultura de precisão é uma filosofia de trabalho e GPS é apenas uma sofisticada ferramenta disponível e de grande utilidade para atingir os objetivos dessa nova filosofia de exploração e administração da produção.

26 - Revista Plantio Direto - maio/junho de 1997 José P. Molin Prof. Assistente do Departamento de Engenharia Rural ESALQ/USP - Piracicaba - SP Agricultura de precisão é um método de administração cuidadosa e detalhada do solo e da cultura para adequar as diferentes condições encontradas em cada pedaço de lavoura. Ela só vingou e está passando por uma vigorosa expansão graças ao surgimento do GPS que permite hoje a administração e tratamento das áreas dentro de uma propriedade com a individualidade de algusns metros quadrados.

Como uma definição rápida, pode-se dizer que GPS é uma constelação de 24 satélites que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos desenvolveu nas últimas duas décadas. O GPS é, obviamente, mais um dos frutos da corrida armamentista e, como não poderia deixar de ser, a ex-União Soviética também produziu o seu sistema equivalente. Hoje nas mãos dos Russos, esse sistema é denominado de GLONASS. Também usa uma constelação de 24 satélites e utiliza princípios semelhantes ao GPS. Com o uso de um receptor na colhedora ou no trator, é possível se ter as coordenadas com erros que variam de 1 a 5 metros, uma precisão considerada suficiênte para aplicaçõesagrícolas. Porém essa precisão só é possível com algum recurso de correção do sinal de GPS e isso é obtido de diferentes formas pelo que convencionou-se chamar de DGPS ou “Differentia! Positioning System”. Outros métodos de localização em campo já foram desenvolvidos, porém nenhum oferece a precisão e apraticidade do GPS.

Atualmente os agricultores ainda fazem manejo de cada gleba da lavoura uniformemente porque ainda enchergam as áreas de maneira uniforme. Conhecendo a localização de cada pequena porção do campo o agricultor poderá caracterizá-las e determinar se a lavoura é ou não é uniforme. Com o auxílio de computadores, GPS e sistemas de informação geográfica ou GIS (Geographical Information System), é hoje possível registrar a localização de inúmeras ocorrências a nível de campo.

— A coleta de dados para agricultura de precisão já é per- DA MSNáIat, praticável nos Estados Unidos, países Europeus, ráiia e em alguns outros locais. Com o uso de um sensor que mede a quantidade de grãos que entram no tanque graneleiro e de um receptor de GPS se obtém o mapa de colheita de cada lavoura para cada safra com a devida definição. Da mesma forma já se faz mapeamento de indicadores da fertilidade do solo como pH, índice de matéria orgâni- O Vieoae anholáesio e nitrogênio, individualmente. Para isso SM UM dado lcd Investimento na coleta de amostras via GPS. 6 quac riculado com a localização do amostrado! . Mutras informações podem ser registradas, como por exemplo a localização de focos de infestação de doenças, pragas ou invasoras. aii, o campo do diagnóstico, ou coleta de mento parece ser o de maior investimento em ciência, justamente porque é a ferramenta que vai dar ao o uÍtor informações de como tratar cada pedaço da ladiferentemente no futuro. Essa é hoje, exatamente, a .46ija central da agricultura de precisão. Ainda existem mais ide! tas do que respostas em termos de o que fazer com pergun A CAr6 oletadas. De qualquer manei as informações C | 21ra, a recomendação tem sido de se coletar o máximo possível de dados de campo, pois um único mapa de colheita, por exemplo, não indica muita coisa. São necessários vários niveis de informação (mapas) para uma análise mais ampla do que ocorre em um determinado pedaço da lavoura, além do conhecimento indispensável do agricultor ou operador. A outra fase de todo esse processo é posterior ao diagnóstico, OU seja, na aplicação localizada dos insumos. De nada serviria toda essa corrida em busca de informações localizadas se não houvesse como fazer o tratamento também localizado dos problemas. Porém nessa fase, embora já existam equipamentos disponíveis, não existe ainda unanimidade de pensamento ou métodos padronizados de interpretação é ação. = :

Nos países que já vem praticando agricultura de precisão, já existem veículos de aplicação localizada de fertilizantes, em alguns casos com seis ou mais compartimentos, para a composição da aplicação localizada da devida mistura. Essa tarefa normalmente é feita por cooperativas ou prestadores de serviços que tem condições de diluir os elevados custos de investimento de equipamentos dessa natureza. Também são disponíveis equipamentos para variar a densidade de semeadura automaticamente, no campo, tanto para sementes graúdas (semeadoras de precisão ou plantadoras) como para sementes miúdas semeadoras). A aplicaç las com circuito fechad também Já são propos minuir a quantidade de (semeadoras de fluxo contínuo ou ao localizada de defensivos agrícoo de injeção direta do princípio ativo tos como uma solução tanto para diaplicação como o risco de contato do operador com o produto. Nesse caso é compreensível que o GPS possa até ser dispensado, ficando o julgamento todo por conta da avaliação visual do operador.

Uma outra ferramenta útil que utiliza GPS é a chamada barra de luz. É um guia para o operador em aplicação de produtos em faixas. Foi originalmente concebida para guia em aplicações aéreas, visando eliminar a necessidade de sinalizadores ou bandeirinhas. Porém já está sendo proposta para substituir o uso de marcadores de espuma ou mesmo discos marcadores em operações como aplicação de defensivos, fertilizantes e corretivos a lanço e semeadura em semeadoras relativamente largas, especialmente em plantio direto. Consiste em um sinal luminoso posicionado na frente do operador que o orienta a manter uma dada direção.

Com isso tudo o que realmente nos preocupa a nível de Brasil é a qualificação da mão-de-obra rural. Como se não bastasse a dificuldade em se encontrar pessoal com um mínimo de treinamento para operar equipamentos agrícolas, agora Surge uma nova onda que vai muito além. A produção agrícola com competitividade internacional exigirá proprietários, administradores e operadores realmente íntimos do computador e de alguns outros equipamentos eletrônicos de bordo, sem os quais será impossível se praticar a agricultura de precisão já em curso em outros países. — O que sempre foi bom ficou ainda melhor ISO 9002 é a maior garantia de qualidade que o 2) FioNeRR produtor pode ter para as | ” sementes que planta.

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