Gilberto Cunha os últimos tempos, a palavra sustentabilidade tem sido muito utilizada em assuntos relacionados com a agricultura. Muito utilizada e pouco definida. Ou, pelo menos, não claramente definida.
O termo agricultura sustentável, tal qual empregamos no nosso meio, tem sua origem em uma tradução da expressão inglesa “Sustainable Agriculture”. E esta, por sua vez, está ligada a “sustainability”, que literalmente em inglês significa “the ability to keep in existence”, “keep up”, “maintain” ou prolong”. Portanto, em português, sustentabilidade deve ser vista como a capacidade de continuar existindo, de manterse ou prolongar-se no tempo.
De modo geral, a palavra sustentabilidade tem sido aplicada à agricultura com os mais distintos significados. Claramente, identificam-se dois tipos de pensamento com relação ao seu emprego. O primeiro deles, quase como uma ideologia, visando motivar a adoção de práticas alternativas de manejo de culturas. Portanto, como um conceito de prescrição. O segundo, interpretando sustentabilidade como a capacidade para o cumprimento de metas, orientando a agricultura a ter continuidade frente às mudanças que ocorrem em seu ambiente, tanto físico como econômico e social. Desse modo, como um conceito descritivo e orientador do sistema em questão.
Muito embora o conceito de sustentabilidade tenha sido útil na motivação de mudanças na agricultura, exemplos concretos de seu uso como um critério operacional no redirecionamento de esforços para o aperfeiçoamento de sistemas agrícolas são difíceis de identificar.
O movimento de agricultura sustentável teve seu começo nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa Ocidental, em resposta ao impacto da atividade agrícola sobre o ambiente físico e socioeconômico. Desse modo, foi criado o conceito artificial de agricultura convencional, rotulada de insustentável, frente à qual surgiu a agricultura alternativa, autodenominada sustentável, visando à promoção de mudan- Ças.
Filosoficamente, o exame do conceito de agricultura convencional é importante, pois com frequência a agricultura sustentável é descrita em contraste com a agricultura convencional. E o conceito de agricultura convencional foi criado para justificar a conceituação alternativa. A primeira é caracterizada pelo uso intensivo de capital, grande escala de produção, mecanização intensa, monocultura, uso de fertilizantes químicos e de pesticidas em geral, em um modelo típico de potência pela exaustão.
Em contraste, a agricultura sustentável tem sido definida de forma ampla, onde inserem-se várias correntes, tais como: agricultura orgânica, agricultura biológica, agricultura alternativa, agricultura ecológica, agricultura biodinâmica, agricultura de baixos insumos, agricultura regenerativa e agroecologia. Todas elas recomendando práticas de manejo de culturas pretensamente sustentáveis.
É importante ressaltar que o pensamento de sustentabilidade, como uma agricultura alternativa, surgiu em ne a E e Er uma região do mundo desenvolvido, onde não há fome. Desse modo, desviando a política do pós-guerra da segurança alimentar pela da qualidade de ambiente, nos anos oitenta.
A caracterização da sustentabilidade de sistemas agrícolas se defronta com duas dificuldades. A primeira, de ordem conceitual, interpretando sustentabilidade mais como uma ideologia. A segunda, de natureza prática, pois, tratando sustentabilidade como a continuidade no tempo, ela não pode ser observada de imediato. E, envolvendo o futuro, surge a incerteza que é o que efetivamente diferencia o futuro do passado.
Não há dúvida, a aplicação do conceito de sustentabilidade em agricultura é benéfico. Ele fornece subsídios sobre o impacto futuro de decisões tomadas hoje, além de possibilitar o redirecionamento das necessidades de pesquisa agrícola e de auxiliar as intervenções políticas e estruturais, a partir da identificação dos pontos de restrição à atividade.
Portanto, para ser útil, na caracterização de sustentabilidade de qualquer sistema agricola têm de estar Inequivocadamente definido o sistema que deve ser sustentado, o nível mínimo em que ele é considerado sustentável, a dimensão temporal, isto é, por quanto tempo o sistema pode ser sustentado e, finalmente, a probabilidade da capacidade do sistema em se sustentar por um período de tempo, no futuro.
Dessa forma, sustentabilidade em agricultura deve ser quantificada como uma variável contínua, com uma dimensão temporal que não deve ir além de dez ou quinze anos. Pois, em períodos maiores, o realismo das pressuposições utilizadas nos testes de hipótese sobre economia, política e tecnologias cai muito. Também destaca-se que representa uma resposta agregada, podendo qualquer variável que influencie quantitativamente a média, a tendência, a variabildade e a autocorrelação do sistema, influenciar a sua sustentabilidade. Não se deve esquecer, também, que as estratégias de adaptação do produtor, ao longo do tempo, nos processos de decisão são de difícil simulação.
A estrutura conceitual da caracterização da sustentabilidade de sistemas agrícolas, anteriormente descrita, foi elaborada pelo dr. Jimmy W. Hansen, da Universidade da Flórida nos Estados Unidos. E nesse contexto, onde as E Rats SRS O staeÇÃão e as condições climáticas durante TA, do para a continuidade da atividamente para a Suas como em longo prazo, e consequentemeteorologia apli ada Son olhas a Eb Cóbno Na: cional de Des plicada à agricultura da Embrapa-Centro Naquisa de Trigo estão, hoje, centradas na redução de riscos climáticos e no uso de sistemas de suporte à tomada de decisões na agricultura.
“Agrometeorologista da Embrapa - Centro Nacional de Pesquisa de Trigo - Passo Fundo-RS hs : silas ss Sá - .