Sucesso no I Encontro de Plantio Direto na Pequena Propriedade em Frederico Westphalen-RS


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Publicado em: 01/05/1997

I Encontro de Plantio Drreto na Pequena Propriedade, realizada na cidade gaúcha de Frederico Westphalen, localizada na região noroeste do Estado, nos dias 3 e 4 de abril, no parque de exposições da cidade. Aberto pelo Governador Antonio Britto, pelo Secretário de Agricultura e Abastecimento Cézar Schirmer, pelo Presidente da Emater-RS Caio Rocha, pelo Prefeito Municipal de Frederico Westphalen Orlando Girardi e outras autoridades o evento atingiu os objetivos propostos pelos promotores: agilizar a adoção da semeadura direta por parte de agricultores e técnicos na região, caracterizada por solos com declividade acentuada e propriedades com área inferior a 20 ha. “O plantio direto nas pequenas propriedades é mais ef1- ciente do que nas grandes lavouras e, além dos benefícios de controle da erosão, redução de custos melhoria na produtividade, ele proporciona ao agricultor uma sobra considerável de tempo, que ele passa a usar em outras atividades, que melhoram sua renda”, afirmou o engenheiro agrônomo Gaspar Scheide, da Emater, que coordenou a comissão organizadora do Encontro. Para ele, a prática está acabando com O mito de que o plantio direto é um sistema exclusivo de grandes propriedades.

Promoveram o I Encontro a Emater/SAÃA, Frefeitura Municipal de Frederico Westphalen, URF Universidade Regional Integrada e Revista Plantio .— — Direto, com apoio de diversas entidades e de empre” sas ligadas ao plantio direto. Para Nadir Buzatto, Secretário Municipal de Agricultura de Frederico Westphalen, que fez umê análise sobre a situação atual do sistema na região, como um dos palestrantes do evento, ainda existe um vasto caminho a percorrer, mas o sucesso do I Encontro servirá como uma alavanca para impuls!- OoOnar o plantio direto e a evolução das pequenas propriedades, de tal forma que elas tenham nov? perspectivas, diante do quadro avassalador que a globalização ST tnprirhe qu As perspecti quisa EA AA o, E propriedade para os próximos tempos foram analizadas pelo pes aguarda não só os & ae o. A que mostrou uma projeção dura sobre o cenário qu” pequenos e médios proprietários mas todo o setor agrícola da região Sul do Brasil, maio/junho de 1997 com a crescente globalização da economia e suas consequências.

Além deles, palestraram pesquisadores e assistentes técnicos de várias entidades, que abordaram fertilidade e correção do solo, manejo de ervas daninhas, rotação de culturas e outros assuntos importantes.

Na tarde do último dia aconteceu uma demonstração de máquinas e implementos para pequena propriedade, com a participação de técnicos da Emater. Cotrel (Cooperativa Tritícola de Erechim), Embrapa-Trigo e de empresas que produzem semeadoras, pulverizadores e outros implementos para semeadura direta com tração animal ou moto mecanizada em pequenas propriedades.

Preparo convencional não tem lógica 1lustraram as possibilidades práticas do desenvolvimento do plantio direto na região. “Ocorreram muitas mudanças, todas para melhor, e não tem lógica permanecer no convencional”, afirmou ele à Revista Plantio Direto, após o seu depo- Imento aos presentes no I Encontro de Frederico Westphalen. Ruppenthal planta 24 ha de soja, milho e fumo numa área pedregosa, que desgasta os implementos em pouco tempo. O início do plantio direto foi em 1992 e os resultados já são palpáveis. “Antes do plantio direto a gente 1a para a lavoura e víamos toda aquela terra indo embora. Se continuássemos daquela maneira, dentro em breve nós só teríamos a escritura e as pedras”, enfatizou o pequeno produtor gaúcho, que hoje colhe uma média de soja crescente, em torno de 3.000 kg/ha e uma produtividade acima de 6.000 kg/ha na cultura de milho.

Nestor Ruppenthal foi ptoneiro no cultivo mínimo e plantio direto na cultura do fumo na sua região. Segundo ele, as operações da lavoura de fumo diminuiram, principalmente no controle de pragas, o que também acontece na cultura de soja, onde há anos não precisa aplicar inseticida para lagarta. Perguntado se já está estabilizado no plantio direto, Nestor afirmou que ainda falta muito para isso mas a tranquilidade já é bem maior, porque houve uma redução de custos e as operações necessárias para estabelecer uma lavoura são bem mais simples. Usando uma boa cobertura no inverno, normalmente aveia, ervilhaca ou nabo, ele não reclama da terra argilosa, que se apresenta como dificuldade para outros agricultores que tentam introduzir o plantio direto. “Se não tem uma boa palhada, a coisa fica mais difícil. Nós temos um grupo que possui uma semeadora. Então, enquanto um vai fazendo a dessecação outro Já vai semeando. O que você levaria 2 semanas para preparar, em 3 dias está tudo pronto. Apesar do descrédito de alguns, fazer plantio convencional não tem mais lógica!” a Pequena propriedade economiza 20% do custo de produção do milho Em sequência ao Programa de Plantio Direto para a pequena propriedade junto à comunidade da APASA-Associação dos produtores de Alho de Serra Abaixo, o Prof. Rogério de Araújo Almeida (líder do grupo Goyás da Univ. Fed. de Goiás), o Dr. Pedro Luiz de Freitas (EMBRAPA- CNPS) e o Eng. Agr. Márcio Scaléa (Monsanto do Brasil), reuniram-se com membros daquela associação para a entrega de sementes de leucena.

A leucena é uma leguminosa e como tal tem a capacidade de fixar nitrogênio, retirando-o do ar e incorporando-o ao solo em quantidades que chegam a 400 kg/ha. ! Ao distribuir as sementes aos associados da APASA, a intenção é à :* promover o cultivo intercalar de milho ou feijão com a leucena, permitin- [É M do o uso desta leguminosa como fonte de nitrogênio para aquelas culturas, através do corte e distribuição de seus ramos e folhas para cobertura do solo. Esta técnica poderá gerar a economia de até R$ 80,00/ha (cerca de 20% do custo de produção), pois é este o valor dos adubos nitrogenados que os pequenos produtores colocam no milho. Há ainda o benefício adicional da cobertura do solo, protegendo-o da erosão e evitando a germinação de ervas daninhas, além da possibilidade de uso da folhagem excedente da leucena para a alimentação de gado, como fonte de proteina.

Nestor Ruppenthal Falando numa linguagem simples, mas incisiva, o pequeno produtor Nestor Ruppenthal, de Bela Vista, município de Criciumal, fêz um dos depoimentos que Revista Plantio Direto - maio/junho de 1997 - 5