Associação de Produtores de Plantio Direto dos Estados de Manitoba (Canadá) e North Dakota (USA) foi formalmente organizada em janeiro de 1982, na cidade de Minot, ND. Antes disso, durante vári- OS anos, no final da década de 70 e início dos anos 80, diversos encontros e debates aconteceram com esse objetivo. Em Minot, os propósitos da Associação foram definidos: facilitar a troca de idéia entre os produtores, encorajar a pesquisa de plantio direto e disseminar as informações sobre o sistema. Hoje, estes continuam sendo as funções da Entidade. Ela prega a preservação dos recursos naturais e agricolas para as futuras gerações, promovendo um sistema de cultivo que reduz drasticamente a erosão do solo e aumenta a matéria orgânica.” Entre suas atividades, a Associação publica um jornal trimestral e manuais para orientação a técnicos e produtores. Nesta edição, estamos reproduzindo oartigo sobre economia, extraido da publicação “Zero Tillage - Advancing de Art”, que circulou em 1997. Devemos observar que a matéria tem função ilustrativa, já que, como fica bem claro, trata-se de condições de solo e clima bastante diferenciadas, com neve durante o inverno rigoroso e apenas um cultivo anual.
Plantio Direto Avançando o conhecimento Economia O Plantio Direto aumenta os resultados econômicos de curto e longo prazo da fazenda e protege o solo e a água, dos quais todos dependemos. Isto é verdade na Austrália, na África e na América do Sul, assim como nas planícies setentrionais dos Estados Unidos. A idéia por trás do plantio direto é incrementar os retornos líquidos através de maiores produtividades e custos menores. Em práticamente todas as condições Isto é possivel, desde que outros ítens, tais como tradição e habilidade gerencial, não prejudiquem o processo de tomada de decisão. Este componente mostrará que quando o plantio direto é adotado, o gerenciamento é tão importante como a tecnologia para torná-lo viável.
Canadá-Estados Unidos David Rourke* Por que plantio direto? O plantio direto está viável economicamente agora devido ao custo mais baixo de glifosato e ao aumento nos preços dos combustíveis e da mão de obra, além do interesse relativo nos valores dos grãos. Além disso, o desenvolvimento de equipamentos para semeadura e boas práticas agronômicas dão oportunidade para maiores e mais consistentes rendimentos. Se o incentivo para a adoção de plantio direto é rendimento ou custos menores, depende principalmente da localização da fazenda. Nas áreas úmidas das planícies setentrionais, os custos menores tem sido um grande incentivo. Nas regiões mais áridas, os produtores tem adotado o sistema para preservar umidade e aumentar rendimentos. Em todos os lugares, os agr!- cultores estão adotando plantio direto para administrar riscos e diversificar sua renda. Este é o primeiro passo para alcançar àa sustentabilidade ambiental, social e econômica de longo prazo.
Melhorando a umidade do solo O plantio direto pode aumentar em torno de 50 mm a mais na água do solo na época de semeadura (fig.1). Até 100 mm de umidade extra no solo tem sido medida em lavouras de plantio direto. Esta economia de água pode proteger as culturas da seca e transformá-la em maiores rendimentos (tabela 1).Médias maiores de produtividade tornam o plantio direto menos arriscado do que o sistema de preparo convencional. Umidade preservada se transforma em lucro líquido sob plantio direto. Neste exemplo de Manitoba, Canadá, menores perdas por evaporação aumentaram a retenção da neve e a infiltração da chuva e da neve com plantio direto, resultando em maior produtividade e lucro. Normalmente, 250-300 mm de neve dão um retorno de 25 mm de água. Culturas de folhas largas, especialmente, respondem a esta água extra porque são mais sensíveis ao estress por seca. Diversificar a lavoura, plantando culturas de folhas largas é uma boa estratégia econômica, a qual se torna menos arriscada sob plantio direto. Mesmo nas úmidas e pesadas argilas do Vale do Rio Vermelho, o plantio direto pode aumentar a permeabilidade do solo enquanto protege as culturas do estress das secas de meio de verão. Comparativos de produtividade Revista Plantio Direto - Julho/Agosto de 1997- 13 — Plantio Direto no umido Vale do Rio Vermelho mostram que o plantio direto funciona comparativamente bem, particularmente em anos secos. Na maioria dos solos plantados pelos membros da Associação de Produtores de Plantio Direto de IVianitoba e North Dakota, o uso de plantio direto eliminou a necessidade de pousio. O custo da terra ociosa é evitado.
Umidade do solo mais uniforme em lavouras sob plantio direto permite que as culturas amadureçam uniformemente. As culturas podem, então, muitas vezes serem colhidas rápidamente para reduzir perdas por predadores e mau tempo.
Custos são menores Todos apreciam aumentos de produtividade, mas a que custos ? Um levantamento recente em Manitoba, com 300 produtores, mostrou os custos reduzidos sob plantio direto. Redução lí- EEN Preparo Convencional [1] Preparo Mínimo Figura 1. Efeito do sistema de manejo na água do solo na | semeadura em Minto, Manitoba, Canadá | (1992-95) quida de $5.62/acre combinada com cerca de $14.00/acre de produtividade extra resultou em $19.60/acre a mais de lucro para plantio direto em relação ao preparo convencional. À economia para os produtores de plantio direto em um acre inclui N ($1.01); P ($0.81); combustível e lubrificantes ($1.54); reparos (2.17); depreciação de máquinas ($2.53) e trabalhos de colheita ($0.98). Houveram aumentos nos custos de herbicidas ($2.08), fertilizante à base de enxofre ($0.55) e sementes ($0.79) . Estes dois últimos custos provavelmente não são devidos a uma mudança no sistema de plantio mas talvez reflitam a consciência geral dos produtores de plantio direto por melhores práticas agronômicas, Com menores custos, plantio direto é mais lucrativo mesmo em anos quando não existe vantagens de produtividade sobre plantio convencional. Outro trabalho confirma este resultado.
Tabela 1. Impacto do sistema de manejo na produtividade (kg/ha) em lavouras de ervilhas, linho e trigo de primavera sob diferentes condições temperatura e umidade, num solo escuro e leve, em Indian Head, SK, Canadá. (A faixa verde mostra o percentual de aumento do plantio direto sobre preparo convencional) Sistema de manejo* Ervilha PD 1181 64 |1434 PC 718 E 1157 PC 621 Trigo PD 1957 PC Média * PD - Plantio Direto PC - Plantio Convencional *” Quente - Temperatura acima do normal e RevVi & | cà - risiã£o, L ; rê L — Condições do tempo?
Quente Seco Umido 1 (1988) (1 989) (1987) Umido 2 Média (1992) : precipitações próximo do normal Seco - Temperaturas normais, com precipitações abaixo do normal Umido 1 - Temperatura e umidade normal Umido 2 - Temperatura abaixo do normal e precipitações acima do normal Rotação de culturas tem retorno!
Em geral, os retornos de culturas de folhas largas equilibram o risco de cultivá-las nas planícies setentrionais. Os retornos econômicos tem sido altos. o que encoraja os produtores a resolver os problemas associados que ocorrem nas áreas de agronomia e engenharia.
Uma maior diversidade de rotações é, provavelmente, necessária para maximizar os lucros sob plantio direto. Um estudo do Estado de Manitoba mostrou que, quando ambos foram usados, plantio direto e rotação de culturas. o lucro dos produtores foi maior do que qualquer outra combinação de rotação ou de manejo (tabela 2). Os melhores lucros vieram de maiores produtividades e menores custos de maquinário. Em contraste, diversificando com cutturas de folhas largas no preparo convencional, este sistema foi menos lucrativo do que o plantio de trigo sobre trigo.
Este é um ponto importante! É comum para o plantio direto de trigo sobre trigo, ou em pousio, quebras devido à doenças, plantas daninhas ou stand pobre. Estas rotações são menos arriscadas como parte de um sistema de cultivo. Entretanto, com outras culturas que não cereais, o risco é maior com preparo convencional do que sob plantio direto por causa das limitações de umidade. Plantio direto e culturas que não sejam cereais favorecem a complementação entre si, assim como a diversidade minimiza os problemas com pragas e aumenta a relação entre risco e retorno para a fazenda.
Uma estratégia que pode promover melhores retornos líquidos poderia combinar menos herbicidas em trigo, variação na data de semeadura e rotação de culturas, incluindo cereais, oleagionosas e leguminosas. Isto permite maior tempo e custo efetivo no uso de herbicidas, promovendo melhores retornos econômicos no plantio direto do que no preparo convencional, tornando PD o sistema mais lucrativo.
O uso de trabalho fixo e de capital de forma eficiente é importante. Um esquema diversificado de culturas dilu! Custos para maiores áreas, deixando trabalhadores e máquinas ocupados por mais tempo. Lucros líquidos, em áreas adequadas, são maiores quando no mínimo 50% da rotação é milho, soja. milheto e sorgo. O tradicional sistema baseado em trigo pode não cobrir 08 Custos variáveis e da terra no sistemã plantio direto. Claramente, rotação de resultados econômicos podem ser piores do que permanecer com a velha! Plantio direto é o mais perfeito dos sistemas agrícolas. Tomadas de decisões são intensificadas e a necessidade de informação é grande. Para vencer a corrida, os produtores precisam desenvolver oportunamente um efetivo sistema que capitalize as oportunidades econômicas. A pergunta que muitos estão fazendo hoje não é “plantio direto irá funcionar Q'mas como eu posso fazê-lo funcionar melhor?”, ou, talvez mais importante, “eu estou pronto para repensar meu sistema plantio direto? Preparo Convencional Plantio Direto ”Para isto, um pouco de imaginação pode levar por um longo trecho. A viabilidade futura do plantio di- ; HA) imo a reto não está garantida. Problemas po- Figura 2: Uma ilustração dos princípios de fatores limitantes. O nível da água nos barris represen- tenciais como resistência de plantas ta o nível da produtividade da cultura. À esquerda, no sistema convencional, á água é mostrada daninhas à herbicidas, quebras por docomo o fator mais limitante. Mesmo que os outros elementos estejam presentes em quantidades enças e umidade incomum na semeamais adequadas, a produtividade da cultura não pode ser maior do que a permitida pela água. dura precisam ser resolvidas. Parte do Quando a água é agregada sob plantio direto (à direita), a produtividade da cultura é aumentada ANT é identificar o problema, suas até ser controlada pelo fator limitante seguinte, neste caso, rotação de culturas. causas e possíveis remédios.
O outro desafio é desenvolver culturas é mais importante sob plantio direto. Mas, como a figura 3 mostra, nâo meios para administrar problemas de direto do que sob preparo convencio- . tem sentido encher o barril de água maneira efetiva em termos de custos. nal. Os produtores das planícies seten- sómente para vê-lo vazar, porcausade — A tecnologia irá providenciar algumas trionais aprenderam que não mais que — uma fraqueza nalgum lugar do sistema. soluções. Entretanto, com a evolução 50-75% de cereais na rotação é ótimo. Ter vantagem econômica é como — do plantio direto, os produtores preci- O plantio direto tem sido bom para oº=— uma colheitadeira. Uma automotriznova — sam fazer mais do que simplesmente solo deles e para os lucros da família. — e desenvolvida providencia a potência substituir a lavração por herbicidas. Eles Entretanto, alguns são cautelosos em para a colheita e poupa mais, porém, precisam equilibrar sua confiança na relação à fé exagerada nos herbicidas— seelanão for devidamente ajustada, os — tecnologia com o uso de práticas cultucomo substitutos únicos para o manejo rais. da lavoura. Repensando seus sistemas para uma nova etapa, eles reconheceram que a rotação de culturas pode ocu- Tabela 2. Renda média e despesas para o cultivo e rotação em Minto, MB, par um grande papel nas suas opera- Canadá (1991-1995) ÇÕES.
E — Pregao Preparo Mínimo Outros benefícios Ph Convencional : — Plantio Direto —| 100% 75% 50% 100% 75% 50% 100% 75% 50%.
D SStNS os S pI de- Renda $204 $206 $190 $215 S$207 $196 $207 $216 $229 ram um estalo importante para o desen- - RABO SAT SA? — $37 ——S$30 — $30 ”to $30 $30 volvimento do plantio direto. Mas elas MAQUIKSS : ” raramente cobrem o lado humano. Por erbici da 20 26 26 22 27 27 24 30 30 exemplo, os produtores afirmam que Fungicida 2 10 10 3 10 10 3 10 10 com o plantio direto eles gastam me- Fertilizantes — 34 31 29 34 231 2O9 34 31 20 nos tempo na cabine do trator e mais Ss tes 11 10 9 11 10 9 11 10 9 tempo planejando seu sistema de pro- Ee 7 ar loan so AriVin Dao Car iaTi oa cola dução e captando importantes informa- Outros ” = , : custos** : ções de mercado. E então, este é o tem Total de 8161 S$171 $168 S$154 S$i164 $1I6G1 S$148 S$158 S$155 po que sempre significa estar faltando para a família. Os famíliares informam despesas sobre uma melhoria neste caso tam= — Líquido Se : 522 —S$61 $43 .$35 $59 $58 S$74 bém. ** Outros custos: armazenamento, seguro agrícola, impostos territoriais, investimentos na lavoura e Juros. Outros fatores econômicos Rotação de culturas: RSI TELES - 100% cereal: Trigo/trigo/cevada (1991/93) Trigo/trigo/trigo/trigo (1 994/95) i i- 75% cereal: Trigo/cevada/trigo/mostarda (1991/93) Trigo/trigo/trigo/canola ou ervilha (1994/95) quilos à E esa à So Fato: 50%cereal: Trigo/linho/cevada/mostarda (1991/93) Trigo/linho/trigo/canola ou ervilha (1 994-95) necessário identifica Obs: 1 acre = 1.046,84 nº res mais limitantes aos lucros da fazenee La : 1 ha = 2,4/ acres da. Água é menos limitante em plantio Revista Plantio Direto - Julho/Agosto de 1997 - 15