mudança comportamental traz dor. Por isso da resistência do ser humano às mudanças, principalmente após a sua formação psíquica.As dificuldades ainda hoje observadas no desenvolvimento, em termos de área, do sistema plantio direto, deve-se basicamente à necess!1- dade de cambio na cultura estabelecida através de gerações de agricultores onde o arado, a grade e o fogo são elementos poderosos, verdadeiros pilares conceituais estabelecidos no consciente e no inconsciente desse coletivo.
A história do plantio direto no Brasil possui vários heróis, produtores e técnicos que dedicaram seu tempo e sua energia para conhecer melhor o sistema e também para repartir o conhecimento adquirido com colegas e, principalmente, com pessoas com as quais nunca se tocaram antes mas que, imediatamente, formavam um elo a mais numa cadeia de fraternidade.
Dentre as diversas pessoas que foram atores neste cenário, a partir do começo da década de 70, Herbert Bartz possul um espaço especial porque, mesmo tendo iniciado as primeiras tentativas de plantio direto junto com outros produtores, ele foi o único que perseverou e conseguiu vencer as dificuldades in1- ciais de um sistema desconhecido.
Para uma tarefa tão importante, a história selecionou um homem forte, temperado no horror da 1l Guerra Mundial e no frio e na fome da pós guerra.
Ouvi, li e reli tudo o que me veto às mãos Gilberto Borges sobre Herbert Bartz e sua saga de pioneiro no plantio direto. Não tenho dúvidas de que se trata de material para um livro. Mas, dentre todos os fatos selecionados, não me sai da memória a descrição da noite de 13 de fevereiro de 1945, quando completava $ anos, e estava na residência da avó, na cidade de Dresden, na Alemanha já derrotada pelas forças aliadas. O terror desceu do céu, na forma de toneladas de bombas despejadas por avrões ingleses e americanos. Dresden foi arrasada e mais de 350 mil pessoas morreram. À casa onde o menino Herbert estava junto com a avó foi queimada, mas eles sobreviveram no porão, graças a um tonel de água, com a qual se refrescavam do inferno. No dia seguinte, quando se dirigia à casa da mãe, localizada num arrabalde de Dresden, no meio da multidão desatinada, vieram os aviões novamente e metralharam o povo indefeso. Ele lembra o som das balas atingindo o corpo das pessoas.
Segundo Herbert Bartz, o pós guerra, com a falta de comida e de aquecimento, foram os piores momentos.
Foi aí, nesse rigor incomparável, que se formou a personalidade forte, mas ao mesmo tempo amena, de Herbert Bartz, que fizeram a perseverança com a qual ele nos ajudou a montar a tecnologia da semeadura direta e o manejo da palha, para estabelecer, sobre um quadro antes degenerativo, a agricultura do próximo milênio, baseada no conhecimento e no respeito à natureza.
Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 23 GT ma - -. . 7 de las a a as ata aci peca Ra aa na a on o ac o Sia ao Mo A ua are A. r o da a moral na maneira de Ag Air ca, nosso sustento da somente chegaremos a uma agricultura sustentável se tivermos um trato honesto com a natureza. Aquele agricultor que pensa ter uma experiência e capacidade intelectual para enganar a natureza acabará descobrindo que ela reage de diversas maneiras e, mais cedo ou mais tarde, se vinga.
A historia da familia Bariz “O tempo de pós guerra me deu uma |1- ção de vida que eu não tinha como esquecer e acordou em mim, com toda a vontade, o desejo de um dia poder ter comida e fartura a vontade. Daquele tempo para cá, meus sonhos são de produzir alimentos em abundância.” As afirmações iniciais de Herbert Bartz, na entrevista que deu à Revista Plantio Direto, refletem a síntese da formação de um indivíduo que sofreu, juntamente com a família e toda uma comunidade, as adversidades do período pós guerra na Alemanha destruída. Segundo ele, produzir alimentos, e a atividade agrícola como um todo, é um dos trabalhos mais nobres que existem. “Para mim, o desempenho físico e mental que a lavoura me proporciona é um verdadeiro hobby!” Na verdade, segundo registros históricos, a família Bartz, habitantes da região da Renânia, na Alemanha, está ligada à agricultura e à produção de alimentos desde meados do século XVI. Os pais de Herbert, Arnold e Johanna Bartz, vieram para o Brasil em 1927 e se estabeleceram em Rio do Sul, Santa Catarina, onde prosperaram em outro ramo, com uma pedreira e uma firma de construção. Herbert Bartz nasceu 10 anos depois, um ano antes do retorno provisório da família para a Alemanha, na busca de tratamento para Dona Johanna. Porém, em função do momento social em que o país estava envolvido, com a perspectiva da guerra estabelecida, a família Bartz acabou permanecendo na Alemanha até 1960, dois anos após o falecimento da mãe. Nessas duas décadas, eles enfrentaram todos os rigores provocados pela guerra, sendo que o pal, Arnold Bartz, que acabou sendo incorporado ao exército nos últimos tempos da guerra, ficou prisioneiro na frente russa mesmo depois que o conflito acabou. À família enfrentou os piores momentos do pós guerra, com frio e falta de alimentos, sem a presença do pal.
“Minha mãe ficou com 4 filhos. vivíamos na casa dos avós e a comida era totalmente racionada, tudo era em gramas, 10 eramas, 20 gramas de cada coisa. Quem não passou fome em clima frio, não pode Imaginar do que se trata”, disse o pioneiro do plantio direto.
Volta ao Brasil Em 1960, dois anos após o falecimento da esposa, Arnold Bartz retornou de uma viagem ao Brasil e propôs a Herbert a venda da casa na Alemanha e uma volta ao Brasil. Por ser o único cidadão brasileiro da família. Herbert abandonou provisoriamente a Faculdade de Engenharia Hidráulica da universidade de Aachen, onde tinha excelentes notas e uma bolsa de estudos, para facilitar a vinda da família, em termos das exigências burocráticas na emigração para o Brasil. A suspensão da matrícula na Faculdade foi por um ano, mas, quando terminou esse período, Bartz pediu mais um ano de suspensão e acabou retornando à Alemanha somente anos mais tarde, como visitante.
“Na viagem anterior de meu pai, ele havia comprado o Sitio Renânia, perto de Rolândia, no Paraná, onde iniciamos a plantar e criar animais, e eu acabei por me tornar agricultor”, relata Bartz. “No Início, era uma questão de sobrevivência, para ter uma renda, mas a agricultura nos anos 60 era muito difícil.” Herbert Bartz tem uma boa memória e lembra detalhes dessa época, em que os produtos colhidos valiam pouco e as tecnologia disponíveis eram deficientes. Ocorriam secas e, noutras circunstâncias, quando o solo estava arado e preparado para o plantio, o excesso de chuva castigava com severas erosões. Apesar dessas adversidades, que acabaram por afastar o pai da agricultura, em meados da década de 60, Bartz desenvolveu suas aptidões agrícolas e mecânicas, adaptando mãâquinas e equipamentos, alguns que haviam sido trazidos da Alemanha. “Perto do que temos hoje, eram adaptações primitivas, disse ele, mas naquela época eu já exercitava minhas capacidades de engenheiro mecânico, que não completou a faculdade.” Em 1964, Bartz conseguiu comprar uma pequena colheitadeira automotriz, adquirida de um iugoslavo, que plantava em Guarapuava e temia que o movimento militar de 1964 fosse instalar o comunismo nº Brasil e, por isso, vendeu tudo e voltou para a Europa. Em 1967, diante de uma situação desanimadora, Arnold Bartz desistiu da ati vidade e arrendou as terras da Renânia para o filho. Herbert arrendou mais algumas áreas vizinhas, perfazendo cerca de 200 ha, onde criava porcos e plantava milho, arroz, trigo e soja. De qualquer maneira, a Situação não era boa, com deficiência de tecnologia, a pesquisa praticamente não existia, faltavam sementes de qualidade e assistência técnica. Por isso, muitas inovações que Herbert e seu irmão Ulrich tentaram, como irrigação por aspersão, que provocaram doenças nas culturas de arroz e trigo, apresentaram problemas no desempenho da fazenda. Eles foram apanhando e aprendendo, conforme suas próprias palavras. Com inúmeras tentativas de melhorar os retornos econômicos da propriedades, como a compra de silos aerados — Kongskilde, importados da Dinamarca, Bartz passou a se bater de frente com os problemas da erosão do solo, que se agravavam. Em 69 e 70, chuvas de 200 mm lavaram as lavouras preparadas, o que direcionou para a dispensa do arado e a tentativa do uso de subsolador e grade Rome. “Porém, relata Bartz, com as sucessivas passadas de máquinas para semear, adubar e aplicar defen- SIVOS, a terra novamente compactava e percebemos que, mesmo com curva de nível.
não havia condições de segurar a terra contra a erosão. Entretanto, nenhum tombo serve apenas para cair, mas para que se levante e se ande de maneira diferente.” No final da década de 60 e começo dos anos 70, Bartz tinha toda a inquietação prática e teórica para a busca de um sistema de plantio que solucionasse a grave questão da erosão, que inviabilizava técnica e economicamente a lavoura.
Antes do Plantio Direto e No mês de novembro de 1971, um temporal se abateu sobre a Região Norte do Paraná, onde as culturas de verão tinham sido plantadas há pouco tempo. Na Fazenda Renânia, perto de Rolândia, uma estranha figura caminhava durante a noite, sob o intenso aguaceiro, focalizando a lavoura de soja com uma lanterna. Protegido por uma capa, a estranha figura com a luz faiscante era Herbert Bartz, que saíra para o tempo porque não conseguia dormir, imaginando o que poderia estar acontecendo com a lavoura de soja recém Fazenda Renânia no início dos anos 70 Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 25 Quanto menos ele interfere e menos quanto maior a sua sensibilidade e consciência ecológica, maiores serão suas chances de vencer a batalha a longo prazo.” plantada. E o que ele viu confirmava as suas piores previsões: a enxurrada estava destruindo a plantação e carregando o solo, com sementes e fertilizantes, para as baixadas.
No dia seguinte, Bartz procurou o engenheiro agrônomo Rolf Derpsch, nascido no Chile e formado na Alemanha, que trabalhava no IPEAME (Instituto de Pesquisas Meridional), através de um convênio com a DED (mais tarde GTZ) , um órgão do governo alemão Bartz já conhecia Rolf e sabia de suas opiniões sobre conservação de solo e de suas experiências com preparo mínimo e plantio direto na cultura do trigo, realizadas pela primeira vez no Brasil, naquele mesmo ano, na Estação Experimental de Maravilha. Os experimentos com plantio direto deram resultado positivo e Derpsch falou com entusiasmo também sobre o desenvolvimento desse sistema nos Estados Unidos e na Inglaterra, mostrando folhetos sobre o assunto.
“Nós tentamos fazer um preparo mínimo naquele ano, usando uma semeadora adaptada sobre uma enxada rotativa, mas não tivemos sucesso, relatou Bartz. Os novos sistemas entusiasmavam, mas não tínhamos equipamentos adequados e a erosão continuava sendo um problema.” Naquela época, a ICI iniciou seus trabalhos visando o desenvolvimento do plantio direto no Brasil e o contato com o engenheiro agrônomo Terry Wiles foi importante para o convencimento de Herbert Bartz a respeito das vantagens do sistema. “Mas uma coisa é você falar sobre um assunto, fazer é outra história E o mesmo que falar sobre ou fazer amor! O importante é a prática!” Pensando dessa forma, Bartz resolveu investir em conhecimentos mais objetivos e, no começo de 1972. programou uma viagem à Europa e Estados Unidos com a finalidade de ver o que havia de novidades em termos de lavouras e máquinas para plantio direto.
“Comprei uma passagem para pagar em 10 vezes, afirmou ele. Eu era arrendatário e Vivia carregado de dívidas, mas cheguei à conclusão de que precisava encontrar uma tecnologia praticável ou desistir de ser agricultor. Não queria assistir passivamente aos desastres impostos pela natureza e o fato de falar inglês de forma r dou na definição da viagem.” , na ocasião, azoável, aju- Bartz embarcou a 20 de maio, deixando plantada a lavoura de trigo, onde foi feita uma área demonstrativa com plantio direto, coordenada por Rolf Derpsch. Segundo o pesquisador, que teve papel preponderante no desenvolvimento de pesquisas sobre plantio direto no Brasil e na América Latina, o uso de uma semeadora importada da Alemanha, que possuía discos de corte eficientes e uma pressão de mola dada por uma alavanca, permitiu o plantio direto de trigo numa área comparativa, dentro da lavoura maior de Herbert Bartz. O ano foi seco e a cultura de trigo sofreu, mas as parcelas de plantio direto se destacaram visualmente, com um melhor desenvolvimento e a cor verde mais acentuada. Bartz, que já estava com à viagem programada, seguiu mais entusiasmado com as perspectivas do sistema.
Na metade de julho, entretanto, quando Já estava de volta ao Brasil, e a lavoura de trigo, recuperada da seca, prometia uma produtividade de 3000 kg/ha, uma forte geada, com temperatura de 3 graus negativos, pegou a cultura numa fase crítica e o rendimento final não passou de 300 kg/ha. Foi um momento dramático na vida do agricultor Herbert Bartz.
“Naquele tempo não havia Proagro e eu fiquei com uma dívida de 60 mil dólares do custeio da lavoura de trigo. Como já estava com a dívida das importações das semeadoras de plantio direto, que havia comprado nos Estados Unidos e Inglaterra, fui obrigado à vender uma colheitadeira Claas, um trator CBT, um trator Fiat e um Ford Major, além de arados e grades. O produtor que me comprou achou que fez um excelente negócio, mas eu também fiquei satisfeito porque estava me livrando de uma dívida e de máquinas e equipamentos que não me satisfaziam.” Segundo Bartz, que teve o aval do pai cortado, pelo medo de que o filho não cumprisse OS Compromissos, essa ginástica de venda dos equipamentos, além de novos financiamentos, feitos em cima de uma quantidade de sementes de soja que possuía ( e que lhe tirou o sono durante 3 meses, receoso de que os fiscais dos dois bancos financiadores aparecessem para conferir o estoque), permitiu que ele respirasse e prosseguisse com os planos da cultura de verão. “A geada foi como um recado da natureza de que era preciso mudar, e eu não tinha alternativa: o negócio era pular no abismo com os olhos fechados e ver como se chegava ao final”, sentenciou Bartz. Mais tarde, num artigo de Adolfo Bloch, ele encontrou uma afirmativa confortante: “O homem que não tiver uma ligação mística falecido, é tido como o pioneiro do sistema plantio direto nos Estados Unidos, tendo iniciado a semear sem preparar o solo em 1962. Em 1972, ele cultivava cerca de 500 ha de cereais, usando apenas o seu próprio trabalho e de um filho. Herbert Bartz ficou impressionado com esse e com outros fatos, como o de com a terra, não pode se tornar agricultor.” A importância da viagem a Europa e Estados Unidos A viagem de Herbert Bartz., em maio de 1972, começou pela Alemanha. onde visitou a Feira de Equipamentos Avgrícolas, em Hannover. Na Feira, ele viu máquinas de várias partes do mundo e estabeleceu novos contatos para uma visita aos Estados Unidos. Na Inglaterra, Bartz permaneceu uma semana visitando a Estação Experimental da ICI em Fernhust, onde conheceu protótipos de semeadoras de vários países, além das experiências de 8 anos com o herbicida Paraquat em plantio direto e comprou o chassis de uma semeadora Rotacaster, com o objetivo de completá-la com acessórios nacionais, para torná-la mais acessível em termos econômicos. Depois de visitar produtores imgleses, que já tinham experiência com “direct-drilling”, ele conseguiu definir a viagem aos Estados Unidos, graças aos contatos estabelecidos pelo pessoal da ICI com a Chevron Americana, que faziam parte da mesma holding.
“Graças a esses contatos eu pude conhecer as estações experimentais que medi!- am a erosão do solo, as famosas “Sediments Stations”, e, principalmente, a fazenda de Harry Young, um produtor que já fazia plantio direto há 10 anos. Essa visita foi conseguida pelo pesquisador Shirley Phillips, da Universidade de Kentucky, que também tinha toda uma experiência com “no-till” e teve a grandeza de perceber meu entusiasmo e dar corda nele, levantando as 4 horas da manhã e ficando o dia todo comigo.
Bartz ficou maravilhado ao visitar a Fazenda de Harry Young Jr., no condado de Cristian, no Estado de Kentucky. Young, Já Pioneiros Americanos Na foto de 1973 (que ilustra uma das páginas do livro “No-tillage Farming', da autoria de ambos), Shirley Phillips (E) e Harry Young Jr. (D), dois nomes importantes no desenvolvimento do plantio direto (notill) nos Estados Unidos, que receberam Herbert Bartz no primeiro semestre de 1972, dando-lhe um impulso definitivo para que ele assumisse a idéia do plantio direto. Shirley Phillips realizou seus estudos e trabalhos da área de agronomia na Universidade de Kentucky, onde chegou ao doutorado e ao cargo de Diretor Assistente de Extensão para a Agricultura. Trabalhou no desenvolvimento do plantio direto desde 1963, escrevendo artigos, livros e promovendo seminários e áreas demonstrativas do sistema.
Harry Young dJr., já falecido, foi o pioneiro do plantio direto nos Estados Unidos. Ele também estudou agronomia na Universidade de Kentucky, onde fez doutorado e lecionou. Em 1962, administrando a fazenda da família, em Cristian, KY, H. Young iniciou as primeiras parcelas experimentais com plantio direto. Desde então, com a evolução para um sistema total sem preparo em sua lavoura com cerca de 500 ha, milhares de produtores e técnicos dos Estados Unidos e de várias partes do mundo visitaram-no para ver como funciona uma tecnologia que hoje, só em seu país, já alcança 15 milhões de hectares.
Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 27 meus últimos 500 dólares e tinha a passagem que o produtor americano que o recepclonava VITDSDA ea Ca o E AI paga até Miami. T1ve a coragem de convidáera engenheiro agrônomo com doutorado, conselheiro de um banco regional e professor da Universidade de Kentucky. Na ocasião da visita de Bartz, ele estava plantando milho, com uma semeadora de seis linhas, tracionada por um trator de 80 Hps “e a mão cheia de graxa”, frisou Bartz. O entusiasmo do vISI- tante brasileiro contagiou Harry Young que, das duas horas programada para a visIta, acabou reservando o dia inteiro e parte da noite para um jantar, juntamente com Shirley los para um restaurante de primeira classe e paguei 150 dólares pelo Jantar. Não me arrependi, mas é claro que sofri no meu Interior. quando fiz O convite. Bartz dá gostosas gargalhadas hoje quando relata esse fato. O investimento valeu, segundo ele, porque vendo a maneira simples como funcionava o sistema. seu entusiasmo cresceu bastante. O solo na Fazenda de Harry Y oung apresentava pendentes acentuadas e Bartz viu plantio e pulverização nessa situação, o que o deixou com a certeza de que poderia usar o sistema em Rolândia, de tal forma que perguntou onde poderia comprar uma semeadora. Harry Young se prontificou a escrever uma carta de recomendação ao pessoal da Allis Chalmers e Shirley Phillips recomendou-o para que fosse diretamente à matriz da Empresa, no Estado de Wisconsin. Com o endosso desses dois pioneiros americanos, Bartz conseguiu fazer a compra da semeadora e eles estavam dispostos a despachá-la para o Brasil sem o pagamento. Mas, na volta, Bartz conseguiu enviar o dinheiro mesmo antes do embarque.
”A Empresa sentiu o potencial de um mercado futuro na América Latina e, mais tarde, eles venderam muitas máquinas aqui, disse Bartz. Ela não foi muito bem em terras roxas, mas teve o valor de ser a primeira.
Juntamente com a de Herbert Bartz chegou outra Allis Chalmers, adquirida pelo produtor Carlos João Schlieper, da região de Londrina, que também dava seus primeiros passos em direção ao plantio direto. O custo total da semeadora, pela qual Bartz pagou 5.800 dólares nos Estados Unidos, acabou ficando em cerca de 17.000 dólares porque, Phillips. “Tenho que confessar que estava com Primeiras Pesquisas ”AS primeiras pesquisas oficiais em plantio direto foram realizadas em 1971, na cultura do trigo, na Estação Experimental do IPEAME, que tinha sede em Londrina e era chefiado pelo engenheiro agrônomo Francisco Terazawa. Rolf Derpsch (foto) e Milton Ramos estavam entre os pesquisadores que conduziram os trabalhos iniciais. Na safra de soja 1971/72, os primeiros experimentos com a cultura foram realizados na Estação de Ponta Grossa. No Rio Grande do Sul, os trabalhos de pesquisa foram iniciados e 1971 na Fecotrigo, em Cruz Alta, e em 1973, na Embrapa de Passo Fundo Nos primeiros anos, a Empresa ICI. (hoje Zeneca) teve papel destacado no incentivo ao trabalho dos órgãos oficiais de pesquisa, no estabelecimento de áreas demonstrativas em lavouras e no desenvolvimento de semeadoras.
28 - Revista Plantio Direto - Edição Especial - sSetembro/Outubro de 1997 o além de frete e seguro, ele teve que pagar 00% de impostos, sob a alegação de que haviam similares nacionais. “Hoje, isso tudo estaria em torno de 40 mil dólares. o que é muito dinheiro e. naquela época, fui muito duro para mim. disse Bartz, porque tive que fazer um empréstimo num banco de São Paulo, como se fosse o financiamento de um carro, para cobrir essa diferença do imposto com o qual fui punido.”