primeiras A primeira lavqura lavouras de de Bartz plantio direto “Confessamos que, já de início, ficamos impressionados com a eficiência e a regulari- No início do segundo semestre de 1972. dade de plantio, além do rendimento das máhavia uma fermentação na direção do plantio quinas. Havíamos acompanhado anteriormendireto. Muitos técnicos e produtores tiveram — te inúmeros ensaios de “plantio direto”, seja importância nesse momento, como Bráulio — COM maquinário experimental da Missão Ale- Barbosa Ferraz, agricultor também pioneiro mã Junto ao IPEAME, seja com semeadoras na conservação de solos e plantio direto na adaptadas. Contudo, em nenhum dos casos hasua fazenda em Andirá, nas proximidades de viamos ficado inteiramente convencidos da Ourinhos, São Paulo. Na região de Londrina, possibilidade de aplicação do método em grana chegada das semeadoras importadas por des áreas. Bartz e Schlieper incentivavam o debate a respeito das novas tecnologias. Em Sertaneja, o agricultor Kioyi Endo fez uma adaptação sobre uma semeadora nacional mas acabou falecendo no mês de outubro daquele ano, sem poder ver à lavoura plantada pelos seus familiares.
Carlos Schlieper e Herbert Bartz promoveram a vinda a Londrina e região do pesquisador Glover B. Triplett Jr., do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Universidade de Ohio, Estados Unidos, aproveitando sua vinda ao Brasil, na primeira quinzena de outubro, através de convênio com a ESALQ de Piracicaba, São Paulo. Triplett Jr. Já tinha informações técnicas importantes sobre as diferenças entre plantio direto e o preparo convencional e, com a tradução de Rolf Derpsch, visitou diversos produtores na faixa entre Cornélio Procópio e Sertaneja, divulgando o sistema. Os itens básicos apre- Herbert Bartz sentados pelo professor americano falavam As afirmações acima constam de um reda eliminação da vegetação existentecomum . latório técnico do engenheiro agrônomo mostra “ herbicida dessecante e a colocação da semente — Rubens Stresser, do Banco do Brasil, que aca- PTYIméira no solo com o mínimo de revolvimento pos- — bou acompanhando o desenvolvimento das lavoura de sível, sendo que a principal vantagem era a primeiras lavouras sob plantio direto de plantio direto proteção contra a erosão, graças à absorção Herbert Bartz e de Carlos Schlieper, que não em 1972 prosseguiria com o sistema em anos seguintes. Stresser foi como uma espécie de anjo da guarda, defendendo a nova tecnologia e seus avanços junto à instituição oficial de crédito. No seu primeiro relatório sobre o assunto, no dia 11 de dezembro de 1972, ele afirmava: “O método de “plantio direto” resulta numa economia mínima de 40% em relação ao custo do plantio no método tradicional. Além disso, as sucessivas arações e gradeações, feitas com das gotas da chuva pela camada de resíduos vegetais na superfície. Os produtores e técnicos questionaram o visitante sobre as diferenças de declividade entre lavouras brasileiras e americanas e sobre a não existência de semeadoras específicas para plantio direto no Brasil. Nesse período, a ICI também realizava pesquisas sobre adaptações de semeadoras para as condições brasileiras.
Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 29 É ” ' j FAS TAB RNANAÁFIA | 4 Nite re, É PREPARO st À JET F . F Ca * q à A ” ? ” ar - E...
| É A ã N 2 te a. uUIIO A) AA A FAR: FA) ia sl ca A h: ” E ES E. As = E. .. is 1 ET E | - c ” ETA 1. SE .. : E— -... NAquInas tem noje um .. .”s. Ps - j E a ás o . LAPA ra ren e Ps sl LÃ grande avanço nesse período, herbicidas capazes de eliminar invasoras indesejáveis sem afetar a cultura principal, como se fosse uma arma guiada por radar, usadas nas guerras modernas. Se não fosse essa tecnologia desenvolvida para o plantio direto, hoje eu estaria na falência. Graças a elas, tenho condições de enfrentar as adversidades climáticas e as que o governo nos proporciona. ” 30 - revista Flantio Lireto máquinas pesadas, implicam numa progressiva compactação do terreno, que fica exposto à erosão. Aliás, uma grande vantagem que advém do “plantio direto” é justamente a conservação do solo. Há um progressivo aumento da fertilidade do mesmo, pela contínua incorporação dos resíduos de outras plantas, com desenvolvimento da flora microbiana e de minhocas. Teoricamente, tudo indica que o método tem largas poss!- bilidades em nosso país.
Herbert Bartz plantou cerca de 220 ha com a Allis Chalmers, já que a Rotacaster comprada na Inglaterra somente chegou em Rolândia no início de 1973. Segundo Rolf Derpsch, que acompanhou o início da pr!- meira experiência em larga escala do plantio direto na Fazenda Renânia, os problemas com ervas daninhas foram significativos, e OS CUriosos que foram ver a nova tecnologia diziam que não ja dar certo, por causa das ervas e da compactação.
Mas Bartz estava satisfeito. “Admito que houve uma quebra de mais ou menos 20%, com aquela soja, em relação ao método convencional, disse ele. Isso aconteceu devido à falta de experiência com o novo método, ao desconhecimento da suscetibilidade de certas ervas daninhas aos herbicidas usados (Gramoxone e 2,4 D), além de deficiência no manejo dos fatores biológicos, químico e climático, que influenciaram no desempenho dos produtos.” Mas, segundo suas próprias palavras, ele começou a confirmar na prática que o custo operacional era mais baixo e, portanto, o sistema dava melhores resultados econômicos. As produtividades na lavoura de soja de Herbert Bartz permaneceram baixas até 1976, quando surgiu uma nova geração de herbicidas pré e pós emergentes, além das primeiras informações da pesquisa sobre rotações de culturas conduzidas pelo IAPAR, em convênio com a ICI. Com uma tecnologia constantemente em evolucã paralelo à melhoria na fertilidade do stilo as produtividades em soja e nas demais culturas foram alcançando patamares maiores e O sistema se estabilizou.
A vitória do “Alemdo Louco. de Rolândia Com muita paciência, o pioneiro do plantio direto no Brasil, aquele que iniciou e não esmoreceu com as dificuldades e se manteve dentro dos parâmetros básicos do sistema desde 1972, até recentemente era chamado por muitos de “o alemão louco de Rolândia”, por causa da sua obstinação e das inúmeras experiências que fazia. Mas, com o desenvolvimento do plantio direto, em vista do aumento nas produtividades e na redução de custos com herbicidas, combustíveis e outros insumos, acho que a racionalidade a ser questionada é a dos críticos e não a minha”, disse Herbert Bartz. Mesmo na região de Rolândia e Londrina, somente nos últimos anos o sistema evolui de forma mais signiftcativa. “E um paradoxo que o plantio direto tenha iniciado no Norte do Paraná e somente agora esteja se desenvolvendo aqui, depois de se instalar nas mais diversas regiões do Brasil e da América do Sul. Santo de casa não tem valor!” A partir de 1976, novos acontecimentos e novas tecnologias começaram a dar suporte para as “loucuras” de Bartz. O início efetivo do plantio direto na região dos Campos Gerais do Paraná, principalmente com Nonô Pereira e Franke Dijkstra, que percorreram um caminho análogo ao de Bartz, indo a Rolândia e aos Estados Unidos, onde estiveram com Shirley Phillips, as pesquisas sobre rotação de culturas no IAPAR, que contava com Rolf Derpsch, que havia retornado ao Brasil depois de alguns anos na Alemanha, e a chegada de novos herbicidas foram fatos importantes para a história de Herbert Bartz, que passou a ser requisitado para palestras em várias regiões do Brasil e do exterior. “Na verdade, há um grande reconhecimento pelo nosso trabalho não só no Brasil como no Uruguai, no Paraguai e em outros países. O desenvolvimento do Paraguai foi notável, disse ele. Fui lá mais de 50 vezes em 4 anos e hoje nós já podemos aprender com eles, principalmente na área de abrangência da Cooperativa Colônias Unidas. Mas existem outros locais que evoluíram bastante no Paraguai, como as lavouras dos menonitas. que perceberam o potencial do plantio direto, ultrapassaram as limitações religiosas e hoje são quase mais fanáticos do que nós.” Além da incontável quantidade de agricultores e técnicos que recebeu na sua fazenda e das palestras proferidas, Bartz foi requisitado para assessorar empresas fabricantes de máquinas e implementos. Em 1976. foi nomeado membro do Conselho Assessor da Embrapa, no Centro Nacional de Pesquisas de Trigo, em Passo Fundo, então sob a direção do pesquisador Otoni Rosa. Participando como palestrante ou apenas como assistente, ele esteve presente nos principais eventos que marcaram a história do plantio direto no Brasil, inclusive nos encontros nacionais em Ponta Grossa, Cruz Alta e Goiânia. Participou da fundação e é vice presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha.
Mais recentemente, já na década de 90, Herbert Bartz respondeu a uma admoestação de uma representação de autoridades alemãs. que visitavam Londrina, e o chamaram de visionário. Ele respondeu, afirmando que a agricultura alemã era de pura exploração da terra e atendia às indústrias de agroquímicos. Os membros da delegação desafiaram Bartz para que fizesse uma palestra na Universidade de Bonn, abordando o tema “Agricultura Tropical e redução no uso de agrotóxicos. Bartz teve uma emoção considerável ao voltara Alemanha, onde fez diversas outras conferências, além daquela proferida em Bonn. Hoje, depois da reunificação, o País já conta com um percentual em torno de 20% das lavouras com plantio direto.
Requisitado para conferências e debates em diversos países, e até para assessorias de alcance internacional, como o relatório sobre as perspectivas do plantio direto, sol!- citado há pouco tempo pelo Banco Mundial, Herbert Bartz parece não se afetar com as honrarias. Sua conduta é na busca de um aperleiçoamento não só na condução da lavoura mas também na relação consigo mesmo e com o universo de pessoas a sua volta.
Porque Rolândia Embora não seja um município de grande porte, Rolândia foi se tornando um nome familiar para os produtores e técnicos ligados ao plantio direto nestes últimos 25 anos, por ser a terra de Herbert Bartz. A imaginação nos levava a pensar que se tratava de uma região de serras consideráveis. Na verdade, o nome da cidade, habitada por um grande número de descendentes de imigrantes alemães, é uma homenagem ao lendário guerreiro europeu Roland, cuja estátua, doada pelo município de Bremen, na Alemanha, enfeita uma das praças de Rolândia.
id * á | “A agricultura moderna, que inclui o plantio direto, é baseada num tripé: capital, tecnologia avançada e homem qualificado, com inteligência e capacidade. Com essa trilogia, incluindo plantio direto como prática conservacionista, nós temos condições de produzir alimentos de forma econômica e resolver o problema da fome no país.” Entrevista 25 anos de plantio direto na fazenda Renânia Atualmente, Herbert Bartz planta 320 ha, dado. Na área própria, 165 ha são de lavoura, mantidas como reserva e proteção ciliar. “Mes nós deixávamos uma reserva”, afirmou ele quanto visitávamos a Fazenda Renânia, Bartz, muito desse ideal preservacionist cente à família Unbehaun, que possui u Rolândia, famosa em todo o Brasi algumas bastante raras, que são cultiva lia. Bartz cita várias pessoas que tiver Entre elas, ele gosta de ressaltar o pa sendo 235 ha próprios e o restante arren- 30 de pastagens e o restante de matas, mo quando a legislação ainda não exigia, durante a entrevista que nos concedeu enem Rolândia, no mês de abril deste ano. Segundo a e de beleza se deve à sua esposa Luiza, pertenam importância no decorrer de sua vida de lutas. 6 . . pel de “fiel escudeiro” desempenhado pelo seu 1rprio iniciou o sistema.
bastante conhecida de falar, é um bom papo , avelmente extenso. Por isso, selecionamos algu- 32 - Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 Revista Plantio Direto - Como está o solo de sua propriedade após 25 anos de plantio direto?
Herbert Bartz - O nosso solo, por natureza, não é muito fértil mas, após todo esse tempo, nossos níveis de fertilidade me- Ilhoraram e estão muito bons. Antes de 72, o pH era de 4 2, fóstoro e potássio quase não existiam e o nível de matéria orgânica estava abaixo de 3. Hoje, o pH está acima de 6.0, os níveis de fósforo ultrapassam 50 ppm e a matéria orgânica está próxima de 6. Eu acredito, acima de tudo, que o longo tempo de plantio direto permitiu um aprofundamento do perfil de fertilidade e acho que isso ajuda a explicar os resultados em época de seca. No ano passado, eu fiquei perplexo ao ver o resultado da lavoura de milho, que ficou 7 semanas sem chuva.
RPD - Somos testemunhas este ano, durante nossa visita, de uma situação similar: a seca castigando as lavouras de milho safrinha na região e a lavoura de Bartz, nas mesmas circunstâncias, apresentando uma cor verde e um desenvolvimento aparentemente normal. Como é o seu cronograma de plantio?
Bartz - Eu começo a plantar soja em 15 de setembro, com variedades adequadas. Isso nos permite colher a soja e plantar milho em 15 de fevereiro. O milho é muito importante na nossa rotação. À seca não chega a preocupar tanto e, quando a geada atinge a cultura, fizemos silagem para os búfalos.
RPD - Por que você resolveu criar Bufalos? Bartz - Os búfalos foram introduzidos na propriedade para diminuir o excesso de matéria orgânica que as coberturas e o resíduo de colheitas de 10 t de milho e 4 t de soja/ha estavam proporcionando, mas que também traziam alguns problemas. Considero o excesso de matéria orgânica no solo prejudicial, como a gordura das pessoas. No início dos anos 80, por esse motivo, chegamos a ter 5 a 6 lesmas e centopéias em um palmo de lavoura. Numa ocasião, perdemos quase 20 ha de girassol, porque não sabíamos que as lesmas poderiam ser pragas. Por não admitirmos uma solução radical, como queimar ou enterrar, começamos a fazer silagem do excedente para alimentar animais e transformar tudo isso em proteina animal, agregando valores. Como tenho uma filosofia de trabalhar com pouca gente, considerei o búfalo como solução ideal, porque se trata de um animal rústico e de fácil manejo. Sua alimentação é relativamente primitiva, quando comparada com o boi. Feno ligeiramente mofado pode ser fatal para os bovinos, enquanto os búfalos ingerem esse alimento de maneira normal. Os búfalos precisam de água, lama e comida. Não ficam doentes e não pegam carrapatos. Tenho atualmente 160 cabeças mas pretendo estabelecer um plantel de 300 a 400 cabeças porque eles me dão um retorno econômico ao longo do ano, o que me permite ficar independente dos bancos.
RPD - Para a produtividade das demais culturas, qual foi a implicação? Bartz - Nós acreditávamos inicialmente que poderia haver uma queda na produti!- vidade da cultura que viesse logo a seguir, em função da diminuição da matéria orgânica. Porém, para nossa surpresa, percebemos que a produtividade aumentou na cultura da soja. Em dois anos consecutivos, depois de 1987, quando introduzimos os búfalos, pulamos a barreira dos 3500 Kg/ha, atingindo até 4000 kg/ha. Em análise foliares dessa soja de alta produtividade, feitas pela universidade de Londrina, foi possível observar deficiências de N e K. Apesar de todo aquele incremento de produtividade, ainda existe um potencial a ser explorado.
RPD - Como fica a integração lavoura-pecuária em relação à sustentabilidade? Bartz - Em termos de exportação e equilíbrio dos macro nutrientes, é preciso uma filosofia de trabalho que direcione para um sistema produtivo que minimize a exportação dos elementos nâo renováveis. À pecuária, ao exportar valores agregados, na forma de carne, ovos ou leite e seus derivados, permite esse equilíbrio. Por exemplo, se você vende 1 t de carne, 4% são de minerais e 96% de carbohidratos, elementos O beneficie cios que o | agricultor nem imaginava antes. Nesse sentido, é importante que ele se conscientize para a rotação de culturas, porque somente soja e írigo não proporcionam palha suficiente para garantir o controle da erosão , além de não permitir o manejo adequado da umidade e a elevação da fertilidade.” Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 33 sistema pode ser | considerado como bem sucedido quando Dossível elevar o nível de matéria orgânica acima de 5 e alcançar uma estabilidade. Com a eliminação do processo erosivo e manutenção de uma camada de resíduos ao longo do tempo, vai alterando o potencial de fertilidade, o que reflete diretamente no aumento da matéria orgânica, que é um indicador da sustentabilidade do sistema. ” 34 - Revista Plantio Direto - Edição Especial) renováveis, enquanto 1 t de grãos exporta 15 a 18% de macro nutrientes. Esta é a tendência da agricultura sustentável, de otimizar valores agregados com alto potencial de comércio e baixo índice de exportação de minerais. Isto porque as fontes de fósforo e potássio são finitas. Existem estudos de entidades internacionais demonstrando que as reservas de fósforo no mundo inteiro durarão 40 anos, sob um ponto de vista otimista. Em termos pessimistas, elas não deverão ultrapassar 25 anos. Por isso, é necessaário trabalhar com sistemas sustentáveis, onde a exportação de fósforo e outros elementos seja minimizada. Existem estudos, como alguns do IAPAR, com culturas de cobertura de inverno que deixam fósforo disponível para a cultura seguinte, que poderão auxiliar nessa questão importante.
RPD - Como está a relação do plantio direto com a área ambientalista e entidades internacionais?
Bartz - No IV Encontro Nacional, em Cruz Alta, um observador do Banco Mundial nos solicitou um relatório sobre as perspectivas do sistema plantio direto, com ênfase na redução do consumo de combustíveis e de agroquímicos. Nós colocamos nesse relatório que é possível notar uma curva decrescente no uso de defensivos e que, se compararmos com o preparo convencional, a redução no uso desses produtos foi drástica. Desde a hora zero, que eu considero 19/2, quando ainda se usava o preparo convencional, houve uma forte redução nos efeitos poluentes, além de uma economia considerável. Antes do plantio direto, produtos como a trifluralina, que foi uma das maiores responsáveis pela erosão em nosso país, exigiam um intenso trabalho de arados e grades no solo. Hoje, estamos num sentido Inverso. De qualquer modo, eu não concordo com os ecologistas radicais que só aceitam o plantio direto se eliminarmos todos os cidas: herbicidas, inseticidas, etc. Eu faço um comparativo com a própria saúde huma - na: você evita tomar remédio ao máximo, porém, quando não existe alternativa. você - Setembro/Outubro de 1997 RPD - Como você está administrando essa parte?
Bartz - Desde a década de 70, nós usamos uma tecnologia de aplicação de defensivos, que inicialmente foi questionada mas que hoje é avalizada por entidades como a Fundacep, de Cruz Alta, e a Fundação ABC, de Castro. Eles também chegaram à conclusão de que o sistema de baixo volume, aplicado de madrugada e à noite, em condições favoráveis, é bem mais eficiente e permite uma redução considerável na quantidade dos produtos. Usando óleo para uma melhor aderência na planta, além de outros artifícios, é possível controlar até ervas resistentes com dosagens de 0,6 a 0,8 I/ha de glifosate. Em relação ao controle de pragas, houve uma evolução significativa igualmente. Nos últimos 8 anos, nós usamos inseticidas na cultura da soja somente uma vez, por causa da seca extrema, salvo engano em 1990. Nós temos uma gama de opções, como baculovirus e bacillus tInuringiensis, que podem ser usados com Inteligência, evitando a aplicação de produtos mais tóxicos e que dão excelentes re- Sultados. O plantio direto nos permite uma convivência com as pragas, através do controle natural. Trata-se de uma sistemática que possibilita “convivermos com o diabo”, como se diz.
RPD - Você adaptou uma semeadora para 6 linhas e comprou uma automotriz moderna para a cultura do milho. Como está a administração dos custos de produção?
Bartz - Após 25 anos, o plantio direto me proporciona determinados prazeres, como manter um alto nivel tecnológico. Essa colheitadeira permite colher, a partir de uma cabine com ar condicionado e mecanismos de controle para evitar perdas, das 9 da manhã às 6 da tarde, sem problemas de cansaço. Eu não tenho medo do investimento porque, acima de tudo, ela me proporciona um trabalho prazeiroso. Em termos de ganhar dinheiro a agricultura é ingrata, mas Se você a considera como uma atividade que dê satisfação, você se sente de outra forma, com prazer no seu trabalho. Isto expltia .. , miles | Rea DA Aga tia é: E. — e di - “1949 1972 1974 Evolução da produtividade na Fazenda Renânia ca porque eu me tornei um agricultor incondicional. E porque também me permite exercitar minhas inclinações para a mecânica, fazer adaptações, por exemplo. No ano passado, quando decidimos racionalizar plantio e colheita, e compramos a colheitadeira nova, tivemos que adaptar uma semeadora de precisão para 6 linhas de milho, que suprisse a plataforma de colheita, também de 6 linhas. O mercado oferece semeadoras de precisão de 6 linhas, mas elas não funcionam bem nas terras roxas. Nós pegamos um chassis velho de uma Turbo Max e colocamos nele 6 unidades de uma plantadeira moderna. Em cerca de um mês de trabalho, usando a oficina da fazenda, transformamos numa semeadora moderna, de alta precisão. Já plantamos 110 ha de milho com o novo implemento e o funcionamento foi perfeito. A própria fábrica que forneceu o material está interessada. Com 1,500 reais fizemos um equipamento que custa mais de 25.000 reais. Além da economia, exercitamos nossa tendência de mecânicos!
RPD - E sobre custos de lavoura? Bartz - Nos últimos 5 anos nós colhemos uma média de 4.000 kg/ha na cultura da soja. Considerando um custo de 10 dólares/saca, nossa despesa sempre ficou abaixo de 50% da receita final. Eu não gosto de lidar muito com números mas consI- dero um agricultor eficiente quando ele consegue altas produtividades com um custo variável abaixo de 50%. E o plantio direto, com um patrimônio de fertilidade acumulada durante 15-20 anos, apresenta esse potencial, que nos permite sobreviver até à políticas governamentais, que tem sido plores do que seca, geada, etc. E Revista Plantio Direto - ” . — O . ' á N à à * mm É | FA Nº N ss | [PA RPAN NI, Y 7 8 Dá TA BN. FA NA | A vTr ia o bes ” '. ssa ano ds... LE. ”| —— dl Fai a +. 7 A, Do Cá AO | ” FS À +. Ph - É .”s Fi iz f É . A murna JAC Ida ae Quando fiz a m it 11d ua fas Pinta Solução. e M tas disse também que a compactação é um problema muito sério quando ela atinge o cérebro, pois esta compactação é muito difícil de solucionar. Claro que a mensagem não foi muito bem recebida mas serviu para o pessoal refletir um pouco e, nos últimos 2-3 anos, tivemos um incremento na area de plantio direto, que ja deve alcançar algo em torno de 60%.” Edição Especial - setembro/Outubro de 1997 - 39