20s da Província de Buenos Aires, Argentina. Esta constatação caracteriza o baixo aproveitamento dos recursos naturais e as dificuldades para competir no mercado globalizado.
É responsabilidade do agricultor produzir mais e melhor, recuperando e mantendo os recursos naturais. Além de usar a terra de forma adequada, no contexto atual da economia, há necessidade de aumentar os rendimentos e melhorar a qualidade dos produtos, para alcançar a sustentabilidade econômica e ecológica.
Na produção animal, também há necessidade de melhorar os rendimentos e de reduzir o impacto negativo sobre o ambiente. No processo de digestão de alimentos dos bovinos de carne e de leite, em torno de 50 % transforma-se em CO?2, além da produção de metano (CH4) no rúmen dos animais. Estima-se que 20 % do metano seja produzido por animais silvestres e domésticos e os bovinos são responsáveis por va desta produção. Estes gases contribuem com a destruição da camada de ozônio e com o aumento do “efeito estufa”.
No Brasil, os gases produzidos por bovinos equivalem a 70 % dos produzidos por automóveis. Os bovinos de leite apresentam produção média inferior a 5 l/vaca/dia. Se aumentar para 15 lídia, pode-se reduzir em 8 milhões o número de cabeças de gado, com o mesmo volume total de leite. A redução do número de bovinos, mantendo a mesma produção total, corresponde ao gás carbônico produzido por mais de 6 milhões de carros, cada um rodando 25 mil Km por ano.
Os animais com baixos rendimentos, além de contribuir com a poluição ambiental, consomem grande quantidade de alimentos. Se transformados em ração concentrada, equivalem a 16 milhões de toneladas por ano.
Há concordância geral da necessidade de produzir alimentos, porém, com custos ambientais aceitáveis, exigindo rendimentos elevados e retornos econômicos compatíveis, 3.5 - Plantio direto O plantio direto é uma prática de semeadura adotada como alternativa para a redução da erosão do solo e dos custos de produção. Resultados de experimentos evidenciam, que as perdas de solo podem ser reduzidas em 95 “%, o uso de trator em 60 % e o gasto de combustível em até 70 %, com a adoção desta prática.
O consumo de combustível, para o preparo convencional de solo é estimado em 38 1/ha, para a aração, a gradagem e a semeadura, e 12 1/ha para a semeadura sob plantio direto.
O cultivo de grãos em 2,5 milhões de hectares sob plantio direto, no Rio Grande do Sul, evita a perda de 57 milhões de toneladas de solos férteis por ano. À maior parte destes chegaria aos rios. O plantio direto resulta na redução de consumo de 65 milhões de litros de diesel em cada safra de grãos no Estado. A redução no consumo de combustível corresponde a economia aproximada de US$ 27 milhões por ano.
Além disso, devem ser computados, também, a redução no uso de tratores. o aumento na longevidade das máquinas e a disponibilidade de mão-de-obra para outras atividades que possam agregar renda na unidade de produção rural. O plantio direto assume características de maior “revolução” na agricultura nas últimas décadas.
4 - Conclusões A agricultura é um dos poucos setores que atendeu, efetivamente, as demandas e os compromissos assumidos na ECO 92. Com o plantio direto houve redução significativa na perda de solos; recuperação de rios e da água superficial; redução no consumo de combustíveis fósseis; redução na emanação de gás carbônico para a atmosfera e ao mesmo tempo, aumento nos rendimentos e na qualidade dos produtos agricolas.
A produção de alimentos de origem animal ou vegetal, limpos, com menor 40 - Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 impacto ambiental e menor contaminação, não é mais “mania de ecologistas” Já é exigência do consumidor comum e dos grandes mercados internacionais. De acordo com os documentos elaborados sobre recursos naturais e o desenvolvimento e os compromissos assumidos nos 27 princípios da “Carta da Terra”, na ECO 92, há necessidade de uma parceria global entre estados, setores da sociedade e a população, para desenvolver atividades ecologicamente aceitáveis, socialmente Justas e economicamente vIáveis.
5 - Referências bibliográficas CASTRO, N.; SETTI, A.A.; FARIA, S.C.; MANCUSO, JH. A questão ambiental: o que todo o empresário catarinense ”precisa saber. Florianópolis: SEBRAE, 1997. 145p.
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VALLE, C.E. Como se preparar para as normas ISO 14000: qualidade ambiental. São Paulo: Pioneira, 1995. 137p. - : ASSOCIação de Plantio Direto no Cerrado OS anos 70/80, a sojicultura foi o motor da expansão do Cerrado. A predominância de monocultura com preparo mecânico do solo e a perda inexorável de matéria orgânica nesse sistema (Resck 19) levaram a um nível de erosão preocupante, uma tendência de queda de produtividade e níveis reduzidos de lucro. Nos anos 90, o Plantio Direto está mostrando o potencial para reverter esta situação. Esta técnica está convertendo um ciclo de degradação de solo pelos métodos convencionais em um sistema que reconstrói esse solo, dando alento e estabilidade à agricultura da região, numa época de dificuldades financeiras acentuadas. Mas, ao contrário da sojicultura, o Plantio Direto está quebrando os paradigmas da agricultura moderna e iluminando um caminho rumo à harmonia com o meio ambiente e a profissionalização do agricultor. Para muitos, o plantio direto parece um evangelho agrícola, de tanto virar o pensamento. E os fiéis nunca voltam aos princípios antigos. Evolução A evolução do plantio direto no Cerrado tem sido incrível (Gráfico 1), alcançando ao redor de 20% da área de lavouras anuais na região.
Revista Plantio Direto John N. Landers' As principais razões da adoção do plantio direto se derivam de:
- menores custos operacionais e de investimento em máquinas; - maior facilidade no plantio; - redução de perdas por veranicos e ero- São; - potencial para redução de custos diretos a médios prazo; - um negócio mais simplificado e menos problemas com pessoal; Tudo isto é refletido em lucros maiores. É aqui que se engloba a maior atração desse sistema.
Temos exemplos de vários locais onde O Índice de plantio direto para a safra 97/98 pode superar aos 80%. Podemos mencionar a Serra de Petrovina, perto de Rondonópolis- MT, os municípios de Rio Verde e Montividiu em Goiás, o projeto PAD-DF no Distrito Federal, Maracaju-MS e Iraí de Minas-MG, que há vários anos superou este percentual. Mas, estas cifras representam agricultores de ponta. O desafio agora é desenhar programas que mudarão os paradigmas dos demais agricultores.
Soluções para aumentar a cobertura do solo Embora explodido o mito de que plantio direto não daria certo em clima tropical, a geração de palha em sequeiro apresenta um desafio para a sustentabilidade do sistema. Existem várias opções e geralmente são empregadas combinações das seguintes técnicas:
a) Milho na rotação b) safrinha c) rotação com pastagem d) cobertura verde permanente (lona viva) - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 41 3.000.000 +; HECTARES Nas regiões não demasiadamente longe dos mercados de São Paulo ou Nordeste é viável aumentar a proporção de milho na rotação de sequeiro, não superando um terço da área normal. Em Mato Grosso, o preço do frete torna o milho desinteressante e há até um movimento, em Rondonópolis, para inserir algodão na rotação, o que vai aumentar temporariamente o lucro e diminuir a palha. Mas as indústrias de frangos e suínos estão aumentando gradualmente a demanda de milho na própria região, um fator positivo para o plantio direto.
2.000.000 À pluviométricos mais favoráveis à safrinha Tarcísio Neis, de Jataí, foi pioneiro em milho safrinha, chegando a superar 5.000 kg/ha, mas plantando até o início de fevereiro, após soja precoce. Não é factível plantar mais de 20% com essa soja, em função dos riscos da colheita com chuva. À medida que diminue a oferta provável de chuva, a escolha em safrinha progride de milho para sorgo, para milheto. No leste de Goiás e no Triângulo mineiro, o regime de chuvas menos favorável faz predominar o milheto e o sorgo como as opções de safrinha mais usados. Milheto é um pasto de engorda, muito bom e a qualidade do grão para ração supera a do milho. O sorgo tem a vantagem de rebrota, mas o milheto pode se restabelecer no Início das 1.500.000 | 1.000.000 “ 500.000 | Evolução de área plantada com plantio direto no Cerrado Nos climas quentes de Bahia e Maranhão, onde o período mais curto de chuva e a evapotranspiração alta não permitem êxito com safrinha, limitando a performance do milho, a palha continua sendo um grande limitante para as culturas de sequeiro, onde a contribuição de plantas daninhas torna-se importante.
Por outro lado, o sudoeste de Goiás, todo o Mato Grosso e partes do Mato Grosso do Sul e Tocantins estão com regimes Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 chuvas por sementes caídas no chão, normalmente ”ciscadas “com grade niveladora fechada.
SODb Irrigação, as condrções de gerar palha são superiores, mas a decompostção, na presença de calor e umidade, é rápida. Hoje, estimamos que mais de 50% da área Irrigada na região esteja com Plantio Direto, o que permite acelerar o plantio, especialmente durante a época chuvosa.
O emprego de plantio direto da soja em pastagens de Brachiaria spp. é uma excelente forma de obter uma cobertura forte e as vantagens indiretas da rotação. Porém, por enquanto, somente é recomenda em solos já corrigidos.
O sistema de cobertura com cultura permanente tem sido testado em Morrinhos- GO (milho em leguminosas forrageiras trepadeiras), em Lucas do Rio Verde (soja em gramínea e milho em leguminosa) e pesquisa da Embrapa-Cerrados com milho em S. Guyanensis e Arachis pintoi estão em andamento. Este sistema mantém o solo totalmente coberto o ano inteiro, fornece N gratuitamente ao sistema e promete um pulo adiante na integração lavoura-pecuária, mas não está totalmente dominado ainda.
Causas de insucesso Felizmente, os insucessos tem sido poucos. A maioria deles acontece por adoção precipitada, os conceitos tão diferentes do plantio direto exiem uma adoção devagar, quando qualquer erro em área pequena é uma lição valiosa.
Há de combater adoção de plantio direto Como panacéa, moda ou “marra”, quando chove demais para preparar a terra com PGC; essas formas de adoção sem preparo humano, podem provocar Insucessos que terão um forte impacto negativo, enfraquecendo os argumentos para mudar os paradigmas, sempre uma tarefa difícil.
O problema mais comumente encontrado tem sido a menor produtividade do milho. Isto se atribui a duas causas: a) não incremento na dosagem de N por 20 a 25% para compensar a quantidade presa na palha nos primeiros anos de plantio direto; b) não emprego de facão na plantadeira, que rompe o solo na linha, facilitando o enraizamento do milho.
Sub-dosagens ou aplicação de herbicidas dessecantes em condições desfavoráveis (estresse das plantas invasoras ou situação de evaporação excessiva) são de menor importância que à mudança no espectro de plantas invasoras, que está provocando preocupação, mais no sentido de redução insidiosa da produtividade que em termos de perdas totais. Possivelmente a invasora mais problemática neste sentido tem sido o Andropogon, cuja pilosidade reduz a eficácia do herbicida e tem provocado até perda total. A capacidade de germinar na superfície representa uma vantagem comparativa das novas invasoras, como a buva” e a “trapoeraba”.
Geralmente em áreas reduzidas, possivelmente relacionado à falta de palha apetecível, larvas “coró” (coleópteros) tem causado reduções de estande , até severos. Em muitos 2asos o fenômeno não se repetiu. Estes danos são causados principalmente pelo “coró pequeno” do gênero Phyllofaga ou Phytalus, enquanto as galerias típicas do “Ccoró grande” (provavelmente Butinus Sp.) são muito comuns e benéficas, sem evidência apadica, de danos significativos as cultu- Na situação Irrigada, lesmas tem provocado, esporadicamente, perdas severas, experiências de agricultores no Distrito Federal apontam isca de fubá de milho com metaldeído como um controle muito mais barato do que a aplicação direta, da qual a lesma se esconde.
A prática de calagem superficial está agora consagrada, porém, com 3 ton/ha, tem se reportado deficiência marcada de manganês em soja, necessitando correção com aplicação foliar. Aplicações superficiais de calcário devem ser bem leves, especialmente porque a demanda de manutenção sob plantio direto é menor. Parece, também, que calcário em excesso favorece o nematóide do cisto, cujo controle pelo plantio direto é relativamente eficaz.
Problemas de segunda geração Contamos os problemas iniciais como essencialmente solucionados. Além dos mencionados acima, estamos colhendo uma série de outros problemas de segunda geração, esperando resultados de pesquisa e desenvolvimento:
a) incremento no número e intensidade de doenças, especialmente em soja e milho; b) incremento de certas plantas daninhas de difícil controle; c) pouca durabilidade de plantadeiras e semeadeiras e desempenho não otimizado em palha pesada e solos úmidos; d) vulgarização da técnica além dos agricultores de ponta (falta de programas formais de capacitação de mão de obra e treinamento de técnicos); e) aprimoramento da técnica de sobressemeadura e avaliação de espécies e cultivares pela sua adaptabilidade à SS:
f) falta de conhecimento sobre controles econômicos para lesmas, corós, percevejos castanho (não especifico ao plantio direto) e outras pragas novas, com práticas culturais baseadas nas suas epidemiologias ainda não bem elucidadas.
9) incremento em formigas, cupins e tatus, estes últimos criando impedimentos à colhedeira.
Estes são considerados empecilhos e não impeditivos ao plantio direto. Como vencer estes desafios?
Nós acreditamos que seja preciso forjar um novo sistema de desenvolvimento final e entrega de tecnologia, onde a mola mestre será o próprio agricultor. Quando o usuário determina a oferta de tecnologia e se engaja em testa-la e na sua difusão, a eficiência de adoção há de ser maior. O sistema de Clubes Amigos da Terra está ganhando força e representa um ótimo foco para a entrega de novas tecnologias , porém, o elo fraco na região do Cerrado é que não há um sistema estruturado de treinamento especializado de técnicos ou de capacitação de mão de obra rural em plantio direto. A APDC vem sensibilizando autoridades e o setor privado sobre esta necessidade, porém não se criou, até agora, a massa crítica para deslanchar com um programa regional eficaz. Tarefa difícil.
Com certeza, em municípios onde não existem CATs, o incentivo ao surgimento de lideranças que possam iniciar Clubes Amigos da Terra será a ação mais eficaz. Mas, este surgimento não ocorre por acaso, é preciso estimular o interesse geral em plantio direto, por dias de campo, seminários, cursos rápidos ou outro meio, e as lideranças surgirão. E Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 - 43