Não é Necessário Lavrar por causa de Corós (Entrevista)


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Publicado em: 01/09/1997

Não vejo necessidade nenhuma de lavrar, nem em pastagens, para solucionar o problema de corós na lavoura sob plantio direto, afirmou o pesquisador Dirceu Gassen, da Embrapa Trigo. Numa entrevista à Revista Plantio Direto, Gassen, que tem sido bastante solicitado para atender chamadas de produtores apavorados com o ataque de coros em suas propriedades e que já estão se preparando para arar o solo, afirma que o percentual de áreas atacadas por esse tipo de insetos não chega a ser significativa, em termos gerais. Segundo ele, a arma a ser usada para enfrentar o problema é o conhecimento a respeito da biologia e dos possíveis danos da praga. Aqui, reproduzimos algumas das principais considerações feitas pelo pesquisador da Embrapa Trigo sobre essa questão que preocupa muitos produtores e técnicos.

Revista Plantio Direto - Como você está vendo a atual situação das lavouras sob plantio direto, em relação aos ataques de corós. E preciso lavrar?

Dirceu Gassen - Acho que o primeiro ponto a destacar são as mudanças que ocorreram e porque os corós estão atacando nas lavouras que adotam o sistema plantio direto. Porque eles não apareciam antes? Na realidade, o plantio convencional implicava num intenso preparo do solo, com arações e gradagens, com as rodas do trator passando num mesmo local mais de uma vez. Além de todo esse processo mecânico, havia o tratamento químico das sementes de milho, por exemplo, que vinham tratadas com Aldrin MS du a Isso também o uso de inseticidas rgo espectro na :

Com tudo iso. a vida a SON E ama praticamente partir da evolução do plantio JU - Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outub ' ro de 1997 sentados no preparo convencional. Não foi o plantio direto que determinou o aparecimento dos corós, mas todas as mudanças que ocorreram no processo nestes últimos tempos.

RPD - Existem circunstâncias em que o plantio direto favorece o aparecimento dos corós?

Dirceu Gassen - À primeira reação de quem entrou no plantio direto e enfrenta um problema é voltar atrás e lavrar o solo, pensando que isso resolverá a questão. E claro que algumas espécies só vão aparecer nas lavouras de plantio direto, porque as fêmeas necessitam de palha para fazer o ninho, onde farão a postura e onde as larvas se alimentarão. Algumas dessas espécies de corós podem causar danos, porém, no plantio direto, ocorrem várias espécies que absolutamente não são pragas e só se desenvolvem em função da palha, dos escrementos, dos residuos vegetais. São insetos exclusivamente úteis do ponto de vista dos cultivos porque promovem a abertura de galerias, que facilitam a incorporação de nutrientes, infiltração de água e de ar, além de outros benefícios.

RPD - Os produtores estão conscientes disso? Dirceu Gassen - O agricultor tende a só ver o dano. Aqueles mais conscientes vão perceber os benefícios se examinarem com mais critério, fazendo raspagem da superfície e cavando o solo. Somente assim é possivel ver a quantidade de galerias que, às vezes, chega a assustar. Em várias ocasiões, recebí solicitações de produtores que diziam que estavam com corós na lavoura, que estava cheia de buracos, e queriam saber que inseticida deveriam usar. Ao visitar essas lavouras, verificávamos que aquela espécie não iria causar dano. Isso é frequente, um quadro muito comum.

RPD - Qual a tua recomendação? Dirceu Gassen - A primeira recomendação é que se identifique a espécie de coró que esta atacando. Se ela for praga, poderemos saber quando poderá causar dano. O coró tem um ciclo normal de 1 ano, onde se inclui a fase de adulto de ! a 2 meses, 2 a 3 semanas para a fase de ovo, ? meses para os dois primeiros estádios de larva. O período em que o coró pode causar dano é de 34 5 meses durante o ano. O coró das pastagens, po! exemplo, causa danos do final de maio até Setem” bro, podendo atingir cereais de inverno ou milho plantado no cedo. A soja não será atacada porque é plantada a partir de outubro.

: - o- RPD - Quais as recomendações de con W le? Dirceu Gassen - Quando plan DO em maio/junho ou milho em agosto/setem E. tratamento de sementes resolve. Quando OoDuE espécies que causam danos no verão, à história é diferente pois as larvas eclodem a partir de outubro e se alimentam mais a partir de dezembro/janeiro. Neste caso, plantando em outubro/novembro, o tratamento de sementes não protege e a alternativa usada pode ser a aplicação de inseticida no sulco de semeadura. Na América do Norte é muito usado o inseticida eranulado, que tem uma persistência de 30 a 40 dias. Nas condições do Brasil temos algumas restrições aos egranulados, como forma de aplicação e custo elevado.

RPD - Quais as diferenças entre a Região Sul e o Cerrado, em termos do ataque de corós?

Dirceu Gassen - À rigor, uma estimativa da ocorrência com dano tanto aqui no sul como no Cerrado não ultrapassam 2%. Em geral, os corós ocorrem em áreas pequenas, afetando propriedades localizadas. Estes agricultores ficam desesperados mas, repetimos, o conhecimento da espécie e da biologia do inseto é a melhor arma para combatê-lo. E importante separar a fauna Cerrado e fauna Sul do Brasil. No Sul, considerando-se de Londrina para baixo, chove no inverno verão, ao contrário do Cerrado, onde não chove no inverno. Lá, os adultos vão aparecer durante as primeiras chuvas, normalmente em setembro. Após a postura, as larvas nascerão quando a lavoura estiver sendo semeada. As larvas de terceiro estádio, a partir de dezembro, podem causar dano, que tende a aumentar até março. À partir daí, tanto em plantio direto como preparo convencional, o ataque diminui com o início da estação seca. O primeiro passo é identificar se o inseto é praga ou não. À partir daí, é possível projetar se o período de alimentação maior das larvas vai coincidir com a época de susceptibilidade da cultura.

RPD - Em nenhum caso existe a necessidade de lavrar? Dirceu Gassen - Não vejo nenhum caso em que se recomende a lavração para Sementes Franquiado:

Monsoy S.A. Rio Grande do Sul - BRASIL Mario José Basso | Associado à APASSUL desde 1969 TRIGO - CEVADA AVEIA - SOJA Aveia: Preta, UPF-16 e UPF-17 Cevada: BR-2 Trigo: EMBRAPA-16 e OR-1 Soja: FT-Cometa, FT-Saray, FT-2002, FT-9, FT-Abyara, FT- Estrela, FT-2000 Br 285 - Km 20 Cx. Postal 107 - CEP 95.200- Fone Fax (054) 2831-1132 000 52 - Revista Plantio Direto - Edição Especial - Setembro/Outubro de 1997 Rua Diogo de Oliveira, 640 - Fone: (054) 314 1585 controle de corós. E provável que os corós desapareçam completamente até o ano seguinte. Isso está ligado diretamente à presença de inimigos naturais, vespas que atacam as larvas, doenças, nematóides, estress por falta de alamentação, etc. Nesse sentido é importante alertar que o uso de inseticidas de forma preventiva, juntamente com os herbicidas, pode ocorrer uma limpeza da área, eliminando também os inimigos naturais, ação que possibilita o ressurgimento da praga em escala maior nos anos seguintes. Se sobrar um coró, ele estará livre dos Inimigos e os ovos que eclodirem também não terão controle natural. No plantio direto é fácil prever o desaparecimento dos corós de um ano para outro, em função do alto índice de fungos, bactérias e outros insetos predadores e parasitas. E dificil prever o que vai acontecer no ano seguinte, mas uma alta população de corós tende a não se repetir, por causa do controle natural. E LABORATÓRIO DE ANÁLISES DE SEMENTES LTDA.

é Prestação de serviços em análises de sementes 6 Determinação da qualidade física, fisiológica e sanitária de sementes Passo Fundo-RS