El Niño e Agricultura: A Arte de Administrar Riscos


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Publicado em: 01/11/1997

Agrometeorologista da Embrapa Centro Nacional de Pesquisa de Trigo. Passo Fundo, RS.

Há exemplos de sucesso e de fracasso em agricultura. O que de fato diferencia um do outro? Várias coisas. Uma é fundamental: saber gerenciar riscos.

Risco e incerteza são diferentes. Classicamente, a situação é definida como de risco quando as probabilidades dos possíveis resultados são conhecidas. E quando essas não são conhecidas, o ambiente é dito de incerteza. Na prática, essas definições são pouco úteis. Assim, incerteza passou a ser aplicada para aqueles casos em que o conhecimento é inexistente. E a situação é vista como de risco quando as consequências, particularmente as más, são incertas.

Em agricultura, o risco do negócio é composto por tipos e fontes diferentes. Destacam-se: (1) risco de produção, que decorre principalmente da variabilidade climática na estação de crescimento, (2) risco de mercado, resultante da variabilidade de preços, (3) risco institucional, tem por origem a mudança de regras previamente vigentes (leis, impostos, tarifas importação/exportação, etc), (4) risco pessoal, associado à natureza humana (doença, morte, divórcio, divisão de sociedades, etc). O somatório desses componentes é que forma o risco do negócio. E esse, por sua vez, pode ser aumentado pelo risco financeiro do empreendimento, que depende do grau de financiamento.

Na agricultura de hoje, onde eficiência e competitividade são essenciais, saber lidar com riscos é o que realmente faz a diferença para o Sucesso da atividade. Por isso, o gerenciamento de riscos deve ser considerado pelos produtores, pelos assistentes técnicos, pelos pesquisadores, pelos extensionistas rurais, pelos políticos e pelos planejadores de políticas agrícolas.

A variabilidade climática não prevista pode ser considerada como a principal causa de risco para produzir. A ela, ficam condicionados a resposta do potencial genético da cultivar utilizada, o resultado do uso de adubo, o surgimento de doenças e de pragas, entre várias outras coisas. Assim, no manejo de culturas, uma grande atenção deve ser dada às questões climáticas - sua variabilidade natural e suas projeções para a a estação de crescimento-, particularmente para aquelas decisões em que ha alternativas de escolha.

O fenômeno El Nifio-Oscilação do Sul (ENOS) Gilberto Cunha* está entre os indicadores de variabilidade climática na escala estacional (100 dias) e na escaila interanual (1000 dias) mais estudados no mundo. O monitoramento e as previsões desse fenômeno, hoje disponíveis, vislumbram a utilização das informações para o planejamento de atividades futuras e em particular na agricultura das regiões afetadas.

El Nifio-Oscilação do Sul (ENOS) O fenômeno El Nifio - Oscilação do Sul (ENOS), também designado pela expressão inglesa ENSO (El Nifo - Southern Oscillation), constitui um fenômeno de dois componentes: um de natureza oceânica, no caso o El Nifo, e outro de natureza atmosférica, representado pela Oscilação do Sul.

A denominação El Nifio remonta ao século XVIII e foi utilizada pela primeira vez por pescadores peruanos para designar uma corrente de águas quentes que surgia no Oceano Pacífico, na costa da América do Sul, no final do mês de dezembro. Em alusão ao Natal e ao “Menino Jesus”, essa corrente de água quente foi chamada de El Nifo, expressão espanhola que significa “O Menino”.

Quanto ao componente atmosférico, os trabalhos de Sir Gilbert Walker, no início do século XX, demonstraram uma correlação inversa entre a pressão na superfície sobre os oceanos Pacífico e Índico, denominada Oscilação do Sul: quando a pressão é alta no Oceano Pacífico ela tende a ser baixa no Oceano Índico. Esses trabalhos tentavam correlacionar a Oscilação do Sul com as monções na Índia.

Nos anos 60, foi o meteorologista norueguês, radicado nos Estados Unidos da América, Jakob Bjerknes, quem idealizou a ligação entre os dois fluidos - O oceano e a atmosfera - no Oceano Paciífico Tropical. A atmosfera atua, mecanicamente, sobre a superfície do oceano redistribuindo anomalias de temperatura. E essa, por sua vez, através de fluxos de calor, é forçada uma circulação anômala da atmosfera, com mudanças nos campos de vento. O ENOS é uma manifestação de instabilidade do sistema acoplado oceano-atmostíera.

Vários índices tem sido utilizados para medir a intensidade do ENOS. Entre esses, o Índice de Oscilação do Sul (IOS), que reflete a diferença Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1997- 17 de pressão atmosférica entre duas estações-chave para o fenômeno (Darwin e Taiti) e a temperatura da superfície do mar (TSM), em uma região chamada de Nino 3 (5ºN - 5ºS e 90””- 150ºW). O IOS mede a intensidade da Oscilação do Sul (componente atmosférico) e a TSM da região Nião 3 mede a intensidade do EL Nifio (componente oceânico).

O ENOS tem um tempo de retorno que varia de três a sete anos, com intervalos irregulares, envolvendo eventos fracos ou, até mesmo, ausência de eventos.

Mecanismos do ENOS O fenômeno ENOS tem como região de origem o Oceano Pacífico Tropical, onde, em função dos ventos alísios, que sopram predominantemente de sudeste no Hemisfério Sul, há um padrão de circulação oceânica em que, na costa da América do Sul, as águas são normalmente frias e, no extremo oposto, região da Indonésia e costa da Austrália, as águas são normalmente quentes.

O comportamento das águas do Oceano Pacífico, associado aos campos de pressão atmosférica à superfície, influi na circulação zonal da atmosfera, em uma célula de circulação do tipo Walker, isto é, no sentido leste-oeste, onde há ascensão de ar na parte oeste do Pacífico Tropical e descida de ar no extremo leste desse oceano. Isso faz com que a parte oeste do Oceano Pacífico seja uma região de chuvas frequentes e, de forma oposta, a parte leste, na costa da América do Sul, seja uma região de chuvas escassas.

Em anos de El Nifo, detecta-se, previamente ao seu estabelecimento, um enfraquecimento dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial. Esse fato altera o padrão de circulação oceânica, diminuindo a ressurgência de águas frias na costa da América do Sul e deslocando as águas quentes do Pacífico oeste para uma posição a leste da linha internacional de mudança de data. Com isso, há o deslocamento do ramo ascendente da célula de circulação do tipo Walker para a parte central do Oceano Pacífico, fazendo com que as ilhas nessa região experimentem excesso de chuvas, onde são originalmente escassas.

Com o deslocamento cada vez mais para leste, as águas anomalamente quentes do Oceano Pacífico Tropical chegam a atingir a costa da América do Sul, altura do Peru e do Equador. Desse modo, passa a ocorrer ascensão de ar nessa região, fazendo com que a costa da América do Sul experimente chuvas muito além da normalidade. Esse ramo ascendente da célula de circulação tipo Walker torna-se descendente com subsidência de ar seco, sobre a parte norte da Amazônia e da Região Nordeste do Brasil, determinando secas acentuadas nessas regiões.

Em termos de comportamento dos campos atmosféricos, o Índice de Oscilação do Sul (IOS) reflete as anomalias de pressão à superfície, através de diferenças de pressão entre o Taiti, no Pacífico Central, e Darwin, na Austrália.

Nos anos em que a pressão à superfície é alta em Darwin e baixa no Taiti, o IOS é negativo (episódio de El Nifio); inversamente, quando a pressão à superfície é baixa em Darwin e alta no Taiti, o IOS é positivo. Quando 0 IOS é fortemente positivo, águas mais frias do que o normal aparecem através da região central e parte leste do Oceano Pacífico Equatorial. Esse episódio frio é chamado de La Nifia e implica anomalias climáticas geralmente inversas às do episódio quente, denominado 18 - Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1997 de El Nião. Caracteristicamente, quando o 1OS é maior do que 1 ou menor do que -1, por vários meses consecutivos, um evento La Nifia (episódio frio) ou El Nifio (episódio quente) ocorre, respectivamente. Outro aspecto da atmosfera que é perturbado durante o período de El! Nifio é uma célula de circulação de sentido norte-sul, do tipo Hadley, que se intensifica e acaba influindo na corrente de jato (“stream jet), que são ventos fortissimos a cerca de 10.000 m de altura. A corrente de jato intensificada determina bloqueios na atmosfera, fazendo com que as frentes frias fiquem semi-estacionárias sobre o extremo sul do Brasil, causando 0S excessos de chuvas verificados durante os anos de El Nifo.

Impactos Durante o desenvolvimento de um episódio do fenômeno ENOS, envolvendo El Nifio ou La Nifia, ocorrem anomalias climáticas em cerca de 20 regiões no mundo. Os efeitos do fenômeno ENOS na América do Sul, para o caso de El Nifio, podem ser vistos na Figura 1.

No Brasil, o fenômeno ENOS exerce influência sobre as anomalias climáticas que se verificam na Região Sul, no leste da Amazônia e no norte da Região Nordeste, particularmente em termos de excessos e de deficiências de chuvas.

O sul do Brasil está entre as regiões onde se detecta um forte sinal da influência do fenômeno ENOS sobre o clima. Estudos realizados apontam um comportamento coerente entre anomalias de chuva e o ENOS. Resumidamente, há uma relação entre a fase quente do ENOS (anos de El Nifio) e anomalias positivas de precipitação (excesso de chuva), durante a primavera e o começo de verão, no ano inicial do El Nifio, com maior persistência na parte oeste da região. Também pode haver anomalias positivas de precipitação no outono-inverno (abril a junho), do ano seguinte ao início do El Nifio. Sendo, nesse caso, mais persistente no extremo leste da Região Sul.

Para a fase fria do ENOS (anos de La Niõa), há anomalras negativas de precipitação (seca), na primavera e começo de verão em toda a Região Sul do Brasil.

EFEITOS DO FENÔMENO EL NINO/OSCILAÇÃO SUL (ENOS) NA AMÉRICA DO SUL COLÔMBIA, D NORTE VENEZUELA, GUIANA, = Secas de moderadas a ntensas no norte SURINAME, GUIANA FRANCESA leste da Amazônia Aumento da probalidade Redução das precipitações na maior parte do ano, com exceção dos meses de marçoa junho que aparentemente não são afetados. A exceção é a costa Pacífica da Colômbia que receba Chuvas intensas no verão EQUADOR, PERU, BOLÍVIA, CHILE D 7 maio. Sul e oeste do Nordeste não Chuvas intensas nos meses de verão sobre fd = são significativamente afetados > a costa ocidental da Amér afelam as costas do Equador e da eis 00 ” A) E As o SUDESTE Peru, Secas nos meses dé verão sobre as & Moderado aumento das temperaturegiões andinas do Equador, Peru, Bolivia E ras médias. Tem ocomida substam Chuvas intensas sobre a região central e sul cia! aumento das temperaturas nes” do Chile na estação de inverno te inverno. Não há padrão caracte- ] rístico de mudanças das Chuvas. CENTRO OESTE [7 SuL Não há evidências de efeitos Precitações abundantes mente na da média e temperaturas mais altas É no sul do MS. ARGENTINA, PARAGUAI, URUGUAI Precipitações acima da média no nordeste da A gentína, Uruguai e Paraguai, principalmente na pá Mmavera e verão pronunciados nas chuvas desta região, Tendência de chuvas acima à Figura 1. Efeitos da fase quente do ENOS (evento E! NiÃo) na América do Sul (Fonte: CPTEC/INPE) El Nino 1982 x El Nifio 1997 O El Nifio de 1997 é o terceiro episódio desse fenômeno nos anos 90. Dois outros eventos ocorreram entre 1991 eo começo de 1995, seguidos de um evento La Nifa fraco, que atuou em 1995 e em 1996. De qualquer modo, desde o clássico evento El Niho de 1982/83, considerado o mais forte do século, que a comparação desse evento com qualquer El Nifo que venha ocorrer é inevitável.

O El Nifio de 1982/83 deixou um rastro de destruição, cujos prejuízos, em nível mundial, foram da ordem de US$ 13 bilhões, além de centenas de mortes, por enchentes e por fome. E o atual evento El Nifio é comparável, em magnitude, ao de 1982/83. Porisso, há a expectativa, desde que foi diagnosticado, de que possa vir a causar grandes impactos em nível mundial.

Resumidamente, sobre o evento El Nião de 1997, podese dizer que as temperatura da superfície do mar, no Pacífico Tropical leste, são as maiores observadas desde os anos 50. As anomalias de temperatura da superfície do mar na região chamada de Nino 3 (90º-150ºW, 5ºN-5ºS) ultrapassaram os 3,0ºC. Nem um outro evento, incluso o de 1982/83, superou esse valor. Contudo, o atual episódio é levemente menos intenso do que o de 1982/83, com base nas anomalias atingidas no decorrer do evento completo. A comparação com outros indicadores de força do El Nifõo, incluindo os campos de vento e de pressão, pintam um quadro parecido: o El Nião de 1997 se aproxima em magnitude ao de 1982/83.

Os impactos de cada evento El Nião são diferentes. Depende da evolução de cada episódio. As condições atmosféricas e oceânicas fora do Pacífico Tropical também desempenham o seu papel. Apesar disso, muito do que já ocorreu em 1997 assemelha-se ao passado em 1982, em nível mundial. Tanto em 1982 como em 1997, a seca atingiu a Indonésia, com incêndios florestais. A seca também afetou o México e a América Central, em 1982 e em 1997. Da mesma forma, em ambos os anos, a estação de furacões no Atlântico oeste e no Mar do Caribe foi menos ativa. Contudo, há uma grande diferença, entre 1982 e 1997, quando comparados no tocante às tempestades tropicais no Pacífico oeste. No passado (1982/ 83) várias tempestades tropicais assolaram o Pacífico oeste, diferentemente do que tem ocorrido em 1997. Também a Austrália foi afetada por uma grande seca em 1982. A cultura de trigo teve perdas, nesse ano, da ordem de 50%, em relação ao ano anterior. Em 1997, a seca foi mais limitada, ocorreram chuvas em agosto e em setembro que evitaram perdas maiores na cultura de trigo. Na Índia, as monções de sudoeste, foram pobres em 1982, enquanto que a chuva foi normal em 1997. ani Resta saber se o El Nifio de 1997/98 determinara seca severa no sul da África, entre dezembro e abril e alagamentos no Equador, Peru, Brasil e Argentina. De certa forma, o sul do Brasil experimentou, no mês de outubro e no começo de novembro de 1997, parte desse tipo de impacto.

Manejo de culturas, no sul do Brasil, em anos de El Ninho Safra de verão: Com base nos impactos conhecidos do fenômeno El Nifo sobre a região sul, ocasionando chuva acima dos valores normais, que implica, além da quantidade de água, em um maior número de dias com chuva, destaca-se como orientações de ordem geral:

(1) começar a plantar no início do período recomendado, particularmente no caso de áreas grandes; (2) deixar a estrutura para o plantio preparada. Realizar limpeza, regulagem e reparos em máquinas e deixar insumos a postos para, quando o tempo permitir, desencadear a operação; (3) não plantar com o solo exageradamente úmido. Evitar o risco de compactação e degradação da estrutura do solo. Apesar das chuvas abundantes, há períodos de sol suficientes para o plantio, durante o período recomendado; (4) obedecer esquema de rotação de culturas, pois em o ano de alta umidade há um ambiente favorável para o desenvolvimento de doenças; (5) adotar o sistema plantio direto, em função das características de conservação do solo e da praticidade da operação de semeadura.

Os anos de El Nifio, em geral, pela disponibilidade de água, são de bons rendimentos para a cultura de soja no sul do Brasil. Todavia, para otimizar o aproveitamento da condição hídrica favorável, há uma série de cuidados a serem tomados, tais como:

(1) escolher cultivares resistente às principais doenças fúngicas que ocorrem na região. Ano de El Nino implica em ano de alta umidade no sul do Brasil, consequentemente cria um ambiente favorável ao desenvolvimento de donças; (2) preocupar-se com a sanidade e com o tratamento de sementes, pelas mesmas razões expostas no item (1); (3) escolher cultivares não suscetíveis ao acamamento. Em anos de alta umidade, há a tendência da soja crescer muito e isso facilita o acamamento em algumas cultivares. E o acamamento de plantas em soja, especialmente quando ocorre na pré-floração, determina grandes perdas de rendimento potencial; (4) regular a semeadora para não colocar uma população acima de 400 mil plantas por hectare. Em anos de alta umidade e com alta população de plantas nas lavouras, as condições são favoráveis ao surgimento de doenças e ao acamamento de plantas; (5) investir no uso de tecnologia, pois, em geral, são anos bons para soja. Vide Figuras 3 e 4.

Pela mesma razão que na cultura de soja (a boa disponibilidade de água), em anos de El Nifo, no sul do Brasil, os rendimentos de milho tem sido bons. Alguns cuidados, contudo, devem ser considerados:

(1) observar o estado sanitário e realizar tratamento de sementes. Ano de alta umidade, ambiente favorável às doenças; (2) evitar o plantio em áreas sujeitas ao acúmulo de água (baixadas). O milho é uma cultura muito sensível ao encharcamento do solo, particularmente na sua fase inicial; Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1997- 19 (3) cuidar com à adubação nitrogenada em cobertura. Nos anos de muita chuva, a lixiviação de nitrogênio (N) é grande e os sintomas de deficiência de N na cultura de milho ficam evidentes. Também observar as previsões de chuva, para evitar colocar o adubo antes de uma chuva forte e, pela mobilidade do N, esse nutriente acabar sendo perdido; (4) investir em tecnologia. Em geral, por não faltar água, são anos bons para mi!- lho.

Rendimento Médio (kg/ha) Safra de inverno (trigo, cevada, triticale e aveia): TLIGA-BS La), 1985-86 [o - & o O o — . a = O O —— KI O <& 11 o Ooo rr |N O à Oo o o à oo Oo Oo — a . .... . m2ys 1908/-88 De O co es Dn rr 1898-987 1º ——— Nos anos de El Nifio tem-se excesso Figura 3. Rendimento médio de soja no Rio Grande do Sul (verde: anos de E!

de chuvas no sul do Brasil. E em particular no período de primavera (outubro e novembro). Com isso, para os cereais de inverno, por coincidir com o período de floração, enchimento de grão e maturação, dependendo da região, as condições climáticas são desfavoráveis. A situação de alta umidade propicia o desenvolvimento de doenças da espiga, como giberela, ocasionando, também, perda de qualidade dos grãos, que se refletem em baixos valores de peso do hectolitro (PH). Como recomendações gerais para dimuir os riscos:

(1) realizar os tratamentos fitossanitários recomendados para a cultura em questão. Anos de alta umidade apresentam condições de ambiente favoráveis ao desenvolvimento de doenças; (2) realizar a colheita tão logo o produto tenha umidade adequada para a operação. Quanto mais rápido tirar o produto Rendimento Médio (kg/ha) & O Nifio: branco: outros, Fonte: IBGE).

1983-84 NESSE TELE 1984-8385 LA 1985-86 GESSO) 1937-8838 Eee: O e | co Leo) as Safra do campo, menor a chance de perdas quan- Figura 4. Rendimento médio de soja no Paraná (verde: anos de El Nifo; branco: titativas e qualitativas pelas chuvas frequen- outros, Fonte: IBGE).

tes nos anos de El Nifio; (3) realizar a chamada colheita antecipada, produto com umidade de até 25%, desde que haja disponibilidade de estrutura para secagem. Essa operação requer acompanhamento técnico especializado, tanto na regulagem de colhedoras como na secagem; (4) não vale generalização regional sobre efeitos climáticos na qualidade das safras de inverno, em anos de El Nião. Há grande variabilidade dentro da Região Sul, em termos de épocas de semeadura, de desenvolvimento das cultura e das chuvas ocorridas. Portanto, as lavouras são afetadas diferenciadamente pelas condições climáticas; (5) atenção especial deve ser dada às lavouras inscritas para a produção de sementes.

20 - Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1997 El Niho 97/98: Situação e perspectiva O Boletim Especial de Monitoramento de Clima do mês de novembro de 1997, elaborado pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, CPTEC/INPE, destaca, no tocante às projeções climáticas para o Brasil nos próximos três meses, os aspectos relatados a seguir.

No mês de outubro de 1997 permaneceram as anomalias positivas de temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Tropical, próximo à costa oeste da América CPTEC - INPE Anomalia de Temperatura da Superfície do Mar OUTUBRO 97 Ro RA e o o eme. CAR E EA f ”ES ML mass AA a dam pr. : e : =. Se/PA Ve A To e. TU ” E E. ” E a TS, : e. TA à CE o FA À Cs kh. i À - P Dão. a h - DT .. | - ã .— res ese «E : ”ke s. : A o ia AR à j r aii = ã jd o mes 7 E e. 6. 6 qe - o o A E E é o da Es : à . f - ra: é ud boa ã *.. ão a ás ns. a ” ' ”gm 1H ' E é 2 Ee, + = EN E Elas se... .. e Ee Aa os o á PRE AE à” à o TE ” a. à í e. e, . é e 1. aim Td k » NA E HH e à a e dus é a . . x É ho o aa = . 7. f a À ... PERA é E A ”e ses sk la e a E e E Figura 5. Anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Tropical, outubro de 1997 (Fonte: CPTEC/INPE) E de. dessei sas.r : E) LESS Na AS E a) E a io A E = E 6 ”é is — 160W O 140W 120W BOW 6OW -].5 -3 -2 -15 -1 -05 0 05 1 15 5 3. 135 4 5 Celsius Fonte de dados: NOAA/NCEP - EUA do Sul. Na Figura 5 observam-se anomalias superiores a 4,0 ºC na referida região. Também os ventos próximos à superfície do oceano continuaram fracos. No Pacífico central, o sentido desses ventos permaneceu invertido (soprando de oeste para leste). E o Índice de Oscilação do Sul (IOS) continuou negativo.

Com base nos resultados do modelo do NCEP (National Centers for Environmental Prediction), dos Estados Unidos da America, essas condições, em particular a TSM, deverão permanecer até abril de 1998. A fase madura (pico), que ocorre no momento (mês de novembro), deverá continuar nos próximos três meses. Após, o fenômeno entrará em gradativo entraquecimento.

Em termos de tendência para os próximos três meses (novembro/97, dezembro/97 e janeiro/98), o modelo de previ!- são climática do CPTEC/INPE, ainda em caráter experimental, indica chuvas acima da média climatológica no oeste da Região Sul e no sul do Mato Grosso do Sul.

Para as Regiões Norte e Nordeste e para a parte norte da Região Centro-Oeste, o modelo indica chuvas abaixo da média climatológica.

Também, destaca-se que os modelos de previsão clrmática não indicam anomalias extremas de precipitação para os próximos três meses, no Brasil.

Com relação à variação de temperatura do ar, no mesmo período (novembro/97 a janeiro/98), há o indicativo de que as temperaturas deverão permanecer acima da média nas Regiões Norte e Nordeste e nos estados de Mato Grosso e de Goiás. Nas Regiões Sul e Sudeste e em Mato Grosso do Sul, a tendência é de temperaturas próximas à média climatológica.

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