O Plantio Direto e as Enchentes


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Publicado em: 01/11/1997

sol voltou a brilhar com toda a intensidade no Sul do Brasil, no dia 14 de novembro, após um longo período de chuvas intensas e ventos destruidores, num breve intervalo dos desastres que ainda não haviam acabado, foi possível constatar que o Brasil estava mais pobre, não só pelas quebras nas bolsas internacionais mas porque mais uma parcela significativa do solo agrícola brasileiro havia iniciado sua trajetória rumo ao Rio da Prata. 7” Duas outras constatações foram possíveis nessa curta semana Sem nuvens. A primeira é um fato que não desejamos admitir: a vida e a morte no Planeta Terra são decididos a 150 milhões de km e as intrincadas relações atmosfera/oceano, que determinam o calor e o movimento das massas e águas atmosféricas, definem-se na quantidade de calor captada do Sol. O fenômeno El Nifio, entre outros. Quem habita o Sul deste continente, expondo sua pele nas tardes de outubro e novembro, sabe a diferença ardente que separa um ano do outro, estes anos curtos que, cada vez mais, se reduzem ao Natal.

A segunda constatação foi a de que, se o Planalto Gaúcho e os Campos Gerais do Paraná, além de tantas outras regiões atingidas pelo triplo de precipitações em relação ao normal, nos meses de outubro e novembro, não estivessem com suas lavouras protegidas pelo plantio direto em praticamente 100%, o desastre seria muito maior. Nas áreas em que ainda se pratica o preparo convencional , de forma triste e inexplicável, como no noroeste do Rio Grande do Sul e em algumas regiões do Mato Grosso do Sul, com imagens mostradas pela televisão, enormes crateras foram abertas nas lavouras, levando terra fértil, sementes, adubos e herbicidas.

Porém, um fato novo se sobressaiu nesse quadro de desolação. As enchentes que castigaram principalmente o Rio Grande do Sul, cujos maiores rios se formam no Planalto, não foram tão devastadoras no seu início, com o volume de águas crescendo até uma semana após as últimas chuvas. O plantio direto, que cresceu de forma exponencial nos últimos 5 anos , apresenta municípios como Fortaleza dos Valos, Passo Fundo, Carazinho, Ipiranga do Sul, Tapejara e diversos outros do Planalto Gaúcho com um percentual próximo aos 100% protegidos por palha em suas lavouras.

Em situações anteriores, quando as lavouras estavam sob preparo convencional, a força das enxurradas tornava as enchentes catastróficas no seu início. Agora, a palha e toda a estrutura diferenciada do solo sob plantio direto absorvem uma quantidade significativamente maior de água. armazenando nas fontes e lençóis subterrâneos. Claro que as enchentes ocorrem de qualquer forma, porque o volume das precipitações tem sido indescritível. Em Passo Fundo, no mês de outubro, foram mais de 800 mm, contra uma média situada abaixo dos 200 mm. Mas a violência inicial das enxurradas e sedimentos foi alterada.

Só que nós precisávamos de informações científicas sobre o assunto. Diversos setores da i pesquisa estão trabalhando nessa área mas, para nossa alegria, encontramos um texto elucidativo no livro “O Meio Ambiente e o Plantio Direto”, recém publicado pela Federação Brasileira de : Plantio Direto na Palha e Associação de Plantio Direto no Cerrado. No artigo “Efeitos do Plantio Direto Sobre o Meio Ambiente” do engenheiro agrônomo Henrique Leite Chaves, pesquisador e Assessor do TICA/SRH, de Brasília, encontramos dados que confirmam as observações práticas sobre as últimas chuvas que nos castigaram e que só não foram mais danosas a nível de lavoura Pº' causa do plantio direto. Por isso, transcrevemos nas páginas seguintes as principais informações contidas no trabalho, que mostra as diferenças no cic reparo convencional.

* Editor da Revista Plantio Direto lo das águas entre o plantio direto P £2 - Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1997