GTZ Assunção - Paraguai o primeiro Seminário Internacional do Sistema Plantio Direto, realizado em 1995, em Passo Fundo, Brasil, o pesquisador norte americano Wayne Reeves do Ministério da Agricultura (USDA) apresentou dados mostrando que o plantio direto não apresenta somente vantagens para o agricultor, mas também apresenta efeitos ambientais positivos para todo o planeta.
Com a redução das emissões de dióxido de carbono (CO»z) para a atmosfera, quando os agricultores praticam o plantio direto, ocorre uma contribuição para evitar o aquecimento global do planeta.
Quando, em contrário, o solo é preparado, o carbono se perde como CO, na atmosfera contribuindo para produzir o “efeito estufa”, ou seja, o aquecimento global do planeta (Figura 1).
Reeves explicou que, nos Estados Unidos, foram realizadas medições para verificar quanto carbono se perde como CO, para a atmosfera nos diferentes sistemas de preparo do solo.
Essas medições com sofisticados equipamentos mostraram que o carbono do solo é perdido muito rapidamente na forma de CO,, minutos depois de que o solo é preparado intensamente, e que a quantidade está diretamente relacionada com a intensidade da preparação do solo.
Depois de 19 dias as perdas totais de carbono em parcelas de trigo foram até cinco vezes maiores que nas parcelas não preparadas.
As perdas de solo foram iguais a quantidade que havia sido adicionada pelos resíduos nen anterior deixados no campo. (CTIC, Em outras palavras, a preparação intensiva do solo acelera a mineralização da matéria 28 - Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1897 Rolf Derpsch* orgânica e converte resíduos de plantas em CO,, que é liberado na atmosfera.
Isto significa que a perda de carbono do solo (em forma de CO>) durante as operações de preparação, é o que diminue os níveis de matéria orgânica do solo.
As emissões de CO, enriquecem a atmosífera com este elemento, *contribuindo para o aquecimento global do planeta. Enquanto os combustiveis fósseis são os maiores produtores de CO,, estima-se que a adoção generalizada de um manejo conservacionista poderia compensar até 16% das emissões mundiais provenientes de combustíveis fósseis (CTIC, 1996).
A figura 2, preparada por Reeves (1995), ilustra o destino do carbono do solo, considerando três hipóteses de adoção da agricultura conservacionista nos Estados Unidos até o ano 2020.
Como manejo conservacionista se define à todo sistema de preparação do solo que deixa mais de 30% de resíduos ou restos vegetais sobre à superfície depois do plantio.
Na primeira hipótese, em que os níveis de adoção do manejo conservacionista no ano de 1993 (27%) são mantidas, e onde prevalece a preparação convencional, cerca de 200 milhões de toneladas de carbono se perdem em direção à at mostfera, Na segunda hipótese, em que a adoção do manejo conservacionista chegaria a 57%, é pos” Sível observar um certo progresso em relação à primeira.
Na terceira hipótese, onde a taxa de adoção do manejo conservacionista alcançaria 76%, eM preparo convencional perder-se-la cerca da mê” tade do carbono do que na primeira hipótese.
O plantio direto contribuiria para aumentar 05 depósitos de carbono no solo em cerca de 400 CCD E - TT.
O carbono perdido como CO, contribui para o aquecimento global do planeta (Reeves, 1995) Figura 1 Impacto do sistema de preparo do solo sobre o destino do carbono até o ano 2020 co, co, 200 - Convencional E Minimo E Plantio Direto — 27% 57% 716% iso - O — o O un O O — = —— O Área em preparo conservacionista do solo nos EL U :
Kern & Johnson, 1993 Figura 2 milhões de toneladas, o que aumentaria a fertilidade do solo (Kern e Johnson, 1993). A preparação mínima aparentemente não é capaz de reter carbono adicional no solo, mas sim evita uma perda líquida.
À conversão generalizada da produção agrícola do manejo convencional para o manejo conservacionista, trocaria todo o sistema de manipulação do solo de uma fonte de carbono atmostférico para um depósito de carbono orgânico no próprio solo. (Kern e Johnson, 1993).
Quer dizer que, ao manter o carbono proveniente dos resíduos vegetais no solo, os agricultores que praticam o plantio direto contribuem para reduzir os efeitos negativos sobre o meio ambiente, reduzindo efetivamente o “efeito estufa”.
Devemos saber que o efeito estufa (para o qual que contribuem também outras substâncias), poderá ocosionar aumentos de temperatura de 5ºC no Alasca, Sibéria e Japão, de 2a 4 ºC na Groenlândia e de 1 a 2 ºC na Europa Meridional. Por outro lado haverá redução de temperaturas de O a 1 ºC na África Ocidental, Madagascar, na Antártida e Austrália (Instituto de Meteorologia da Universidade de Frankfurt). Estas mudanças afetarão muito o clima da Terra.
Em caso de que se dobrem as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa até o ano de 2030, haverá um aumento médio de temperatura de 2,5 ºC. À Isto provocará um forte desgelo do Polo Norte, que fará aumentar o nível do mar em aproximadamente 5 cm a cada dez anos, podendo chegar a iInundar muitas áreas costeiras.
Igualmente, as mudanças de temperaturas provocarão furacões e catástrofes climáticas, assim como secas e inundações por excesso de chuvas (Umweltbundesamt, Alemanha).
Bibliografia consultada: CTIC, 1996: Conservation Technology Information Centre, CTIC Partners, April/May 1996, Vol. 14 nº 3.
KERN, J. S., JOHNSON, M. G.. 1993: Consercation tillage impacts on National soil and atmospheric carbon levels: Soil Sci. Soc. Am. J., 57:200 - 210, 1993.
KERN, J. S., JOHNSON, M. G., 1993: Conversion do conservation-till will help reduce atmospheric carbon levels. Fluid Journal, Vol. 17 nº 3, 1993.
REEVES, W,., 1995: Dados apresentados no “| seminário Internacional Sobre Sistema Plantio Direto , Passo Fundo, Brasil. nu