O El Niño Prejudica a Produção de Grãos no Rio Grande do Sul?


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Publicado em: 01/11/1997

imprensa tem feito ampla cobertura sobre o “El Nifio e muitas opiniões foram emitidas sobre o assunto nos ultimos meses. Os efeitos sobre a erosão de solo e sobre as populações residentes nas áreas alagadas são catastróficos. Por outro lado, a produção de grãos na safra de verão, baseada em dados históricos dos períodos em que ocorreram fenômenos semelhantes, justificam algumas reflexões apresentadas nesse comentário.

O “El Nifio” é um fenômeno conhecido há centenas de anos e ocorre em conseqiiência do aquecimento de água do Oceano Pacífico, especialmente na costa do Peru, no periodo próximo ao natal, época do nascimento de Cristo e.

por 18sso, denominado de “el nifio”. O fenômeno causa a redução na população de peixes e crises econômicas naquela região sendo consagrado pelo conhecimento popular.

Em consequência do aquecimento do Oceano Pacífico, ocorre aumento na evaporação de água, mudanças nas correntes de ar e profundas alterações nas precipitações em diferentes partes do mundo. A localização e a intensidade das chuvas ou das secas ainda imprevisíveis, provocam preocupação nos povos de diferentes regiões e nervosismo nos mercados de grãos e de outros alimentos.

No Brasil, o “El Nifio” provoca o aumento na intensidade de chuvas no sul e secas no norte. De acordo com dados da FAO, nos últimos 25 anos o fenômeno de aquecimento da água ocorreu seis vezes. Nos anos de 72/73, 82/83 e 97/98 foram de maior intensidade, enquanto nos períodos de 76/77, 86/87 e 91/92 foram de intensidade menor.

No RS, as culturas de verão de maior importância econômica são a soja, o arroz e o milho. O arroz teve aumento de rendimentos nos anos de fraca intensidade do “El Nifo”, porém nos anos de alta intensidade, safras de 73 e 83, houve queda na produção (Fig. 1) e o mesmo poderá ser previsto para a safra de 98.

No caso da soja e do milho houve aumento no rendimento médio nos anos de “El Nifo” constados em 77, 83, 87 e 92 (Fig. 1).

dé - Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1997 Dirceu Gassen Pesquisador da Embrapa Trigo - Passo Fundo-RS É interessante destacar que nas safras de 82, 86, 91 e 97, que precederam o efeito do “El Nifio”, houve seca e redução acentuada nos rendimentos desses grãos. Isso foi constatado, principalmente, em 86 e 91 (Fig. 1).

Apesar das graves perdas causadas pelas inundações, pela erosão do solo e outras consequências negativas, as culturas de verão de terras altas (soja e milho) poderão ter rendimentos médios mais elevados, de acordo com as constatações de anos anteriores, quando ocorreu o “El Nifo”.

O excesso ou a falta de chuvas é importante agente de instabilidade da produção de grãos no RS, onde a influência negativa das secas ou dos excessos de chuva é maior do que Uha 54 — 5,1 4,8 4,5 4,2 3,9 3,6 3,3 2,1 2,4 21 1,8 15 1,2 0,9 -” * LL) ã à ” ! Riiko Te a. . = : LEE : k Do é À —nn— à ; á ” à E E i à b e ' : be ho “.” q ho lb “” Y . ã 0,6 a 7” * P + . + à * - | 0 3 : ” - í : : : à o EM —. EEN . . ... | E 71 73 75 77 79 81 83 B5 87 B9 91 93 95 97 Figura 1. Rendimentos médios de grãos no Rio Grande do Sul e períodos (coluna verde) em que ocorrerram os fenômeno denominados de “El Nino”.

a observada na Argentina e no Paraná. Esse fator explica parte das dificuldades que vivem os agricultores gaúchos. A instabilidade de clima é um fenômeno normal no RS Era fazer parte do planejamento econômico dos agr icul- Ores, especialmente os produtores de grãos. P