castigou a região Sul do Brasil, com o açoite molhado de ventos destruidores e trombas d'água intermináveis, que vasculharam planaltos, serras e planícies, na busca de nós, que estávamos pouco agasalhados e mal abrigados.
Felizmente, (ou talvez devêssemos dizer que foi um mal menor), colocado no epicentro desse castigo celeste, a região do Planalto Gaúcho conta atualmente com uma área de plantio direto que se aproxima dos 100% e, graças a isso, os produtores, que viram suas lavouras de trigo, cevada e aveia serem dizimadas pelas chuvas e ventos da primavera inclemente, puderam plantar as culturas de verão de forma rápida, estrategicamente sem pensar nem contabilizar as perdas, que poderiam trazer insônia e desespero.
O plantio direto resistiu bravamente aos 800 mm de chuva que caíram na região de Passo Fundo no mês de outubro, quando a média histórica registra precipitações menores de 200 mm, o que já é bastante. Hoje, a grande maioria não prepara suas lavouras e aqueles poucos que ainda, por um motivo ou por outro, lavraram e gradearam suas terras, certamente não o farão novamente na próxima safra. O quadro das áreas com preparo convencional atingidas neste início de primavera em diversas regiões da metade sul do Brasil foi doloroso. Lavouras inteiras tiveram sua capa superficial levada para rios e baixadas. O Globo Rural mostrou as lavouras do Mato Grosso do Sul e a desolação dos produtores. Na região noroeste do Rio Grande do Sul as feridas da terra também foram expostas e os produtores atin gidos ficam com ciúmes daqueles que tinham suas lavouras cobertas e sem preparo.
Outro fato importante a ser ressaltado, objeto de matéria nesta edição, foi a velocidade e a intensidade das enchentes, que afetaram principalmente o vale do Rio Uruguai, na fronteira do Brasil com a Argentina. Com o volume de água que caiu em outubro e novembro, em circunstâncias anteriores, quando as lavouras do Planalto e das Missões eram intensamente preparadas, as enchentes teriam sido bem mais drásticas na sua velocidade inicial e na destruição. Nesta vez, uma semana depois que a chuva parou, os rios continuavam enchendo, porque a retenção de água proporcionada pelo plantio direto ajudou a segurar a intensidade da vazão e 1Sso foi fundamental no desenrolar do quadro trágico, que poderia ter sido pior.
UTI: que “a vida é uma escola onde as lições custam caro”. Nós todos desejamos que lições como essa, com as quais aprendemos, sem dúvida, dêem uma folga.
Com El Nifio ou sem El Nifio, um bom ano de 1998 a todos! Gilberto Borges Editor