Iniciamos o plantio direto em 1979 visando o controle da erosão e a diminuição do déficit hídrico, pois temos uma probabilidade acima de 80% de que ocorra 20 dias de sol, entre dezembro e Janeiro. Outros produtores também iniciaram naquela época, porém, por falta de orientação e pouco conhecimento, o sistema foi abandonado em seguida. “As afirmações do engenheiro agrônomo e produtor Jonas Vendrúsculo refletem uma síntese histórica do plantio direto na região de Palotina. Raros toram aqueles produtores que conseguiram sobreviver com plantio direto na primeira vez em que a nova tecnologia foi tentada no Oeste do Paraná. “No momento, vivemos a era do conhecimento , disse ele durante a realização do Il Encontro de Plantio Direto, do qual, como presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Palotina, era um dos coordenadores. Segundo Jonas, o nivel de conhecimento que existe atualmente sobre o sistema plantio direto permite aos produtores e técnicos uma tentativa mais embasada para que o projeto tenha sucesso. Como assistente técnico e agricultor pioneiro do sistema na região, ele possui uma experiência significativa, da qual relatou alguns aspectos principais, numa entrevista à Revista Plantio Direto.
Revista Plantio Direto - Como foi que você iniciou o planfio direto? Jonas Vendrúsculo - Na saira 1977/78 ocorreu uma seca forte na região. Depois da seca, com a chuva, vinha a erosão. Naquela ocasião, lemos uma matéria sobre plantio direto no Paraná e no Rio Grande do Sul, publicada numa revista da Fecotrigo, chamada Aegricultura Cooperativista. Em 1979, compramos uma semeadora Eda, do fabricante De Antoni, de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, que fizera Revista Plantio Direto - Janeiro/Fevereiro de 1998 uma adaptação de um disco de corte numa semeadora para preparo convencional. Essa máquina foi pioneira e nós plantamos até 1985 com ela, enfrentando solos mistos em termos de textura, variando de 28 a 65% de argila.
RPD - Como foi a evolução da fertilidade nesse período? Houve algum revolvimento do solo depois de 1979?
Jonas Vendrúsculo - Na verdade, nós contamos 15 anos de plantio direto sem mexer no solo. Em 1982, em função de um programa de nível estadual de conservação de solos, com microbacias integradas, nós desmanchamos toda a infra-estrutura de terraços existentes, que eram em desnível. Houve a necessidade de que se entrasse com máquinas, mas, na safra seguinte, já estávamos novamente com o plantio direto.
Palotina Jonas Vendrúsculo mostra o sistema radicular do milho numa área de 15 anos de plantio direto GO - s 2 G n.
Nos 270 ha da nossa propriedade, no verão, nós usamos 75% da área com soja e 25% com milho. Basicamente nós trabalhamos com aplicação de nitrogênio na base, para milho e trigo. Na soJa, temos feito um processo de inoculação, com objetivo de aumentar a fixação do nitrogênio. Em relação a fósforo, fizemos uma redução em torno de 40% na aplicação, nas áreas com mais de 6 anos de plantio direto, colocando em torno de 60% da exportação prevista. Assim, os níveis de fertilidade tem se mantido.
RPD - Quais são as médias de produtividade de soja e milho? Quais os custos variáveis dessas culturas?
Jonas - Em ambas as culturas temos conseguido obter médias satisfatórias. Em soja, alcançamos produtividades de 4.000 kg/ha, sendo que a média dos últimos 5 anos ficou em 3.812 kg/ha. Na cultura do milho nossa média está em torno de 7.500 kg/ha. Os custos atuais em milho são de U$300,00/ ha. Na cultura da soja, estimamos um custo de U$220,00/ha.
RPD - Como estão os níveis de matéria orgânica e como é o histórico de calagens nas lavouras?
Jonas - Quando iniciamos. a média de 8 análises nos mostravam um faixa de 2.2 a 2.3 de matéria orgânica. Hoje, a média está em torno de 3.9. Quanto a fósforo, nas profundidades de 0 a 20 em, a faixa está em torno de 17 ppm. Em relação à correção do solo, temos feito calagem em superfície. Em 1988, uma análise de solo recomendou aplicação de calcário. Fizemos a aplicação mas a chuva não permitiu a incorporação recomendada, antes da cultura do trigo. Deixamos para fazer à operação antes da safra seguinte, porém, notamos algumas alterações no trigo e resolvemos deixar um ano mais pára ver o que acontecia. O resultado foi muito bom o milho que veio logo após teve um resultado excelente e à soja seguinte também, de tal forma que não houve necessidade da Incorporação. Naquela Ocasião, eu estava saindo da faculdade e fui buscar as Informações sobre o que estava acontecendo. Foram feitas análises de O a5S,5alOelO0a>?2o cm em 1993 e constatou-se que realmente o material aplicado em superfície estava descendo, de forma lenta e gradual. Hoje sabemos que os melhores resultados nesse sentido são nas áreas com bom teor de matéria orgânica.
RPD - Quais os aspectos Preponderantes soo. cc - Acredito que o manejo das plantas aninhas é um fator fundamental para a introdução do sistema plantio direto. Hoje, esse aspecto está mais favorecido. No início, além da Inexistência de herbicidas seletivos para as principais culturas o custo dos dessecantes era muito alto. Para ter uma idéia, em 1979, nós pagávamos U$18,00 o Preço do litro de glifosato. Na relação com um trator novo, de 90 HPs, por exemplo, que Custava cerca de U$13.000,00, eram necessários 660 litros de herbicida para adquirí-lo. Hoje, o mesmo trator custa U$26.000,00 e o herbicida U$6,00/litro, o que significa que precisamos de 4.000 litros do produto para comprar um trator novo. Além disso, o pouco conhecimento que existia sobre tecnologia de aplicação, tornava os herbicidas pouco eficientes. Hoje, com o conhecimento e os treinamentos que se faz, os produtores estão conseguindo sucesso com uma dosagem reduzida de até 30% em quase todos os herbicidas de manejo. De outro lado, a menor necessidade de mão de obra em relação ao preparo convencional também tem favorecido os produtores de plantio direto. Todos os fatores tem aumentado a produtividade e nós, de nossa parte, não sentimos nenhuma saudade do plantio convencional. Hoje temos segurança em afirmar que o plantio direto é muito melhor do que o convencional. Não digo que seja a solução final mas, em relação ao plantio convencional, é cem vezes melhor.
RPD - O que ainda falta fazer? Jonas - Precisamos aumentar a eficiência, principalmente no inverno. Durante muitos anos, a renda do trigo era superior à safra de verão, mas a cultura perdeu valor comercial. Nós temos bus- 1” cado alternativas econômicas para o inverno, principalmente integrando lavoura e pecuária, seja com gado de leite ou de corte. Temos uma experiência de 3 anos com a grama Tifton 85. Plantamos milho sobre ela e a produtividade foi praticamente normal, algo em torno de 8% menos do que a pro. dutividade prevista. Na safra atual, plantamos soja em cima de uma área pastoreada nos meses de maio a setembro, onde obtivemos um ganho de E A 460 kg/ha de peso vivo. Retirou-se o gado e, Em = 20 dias, a grama estava recuperada. Sobre ela fo! : aplicado uma dosagem forte de dessecante sistêmico. Depois que à soja nasceu, aplicamos UM graminicida seletivo pós emergente. Como foi pos” sível observar na lavoura, a soja está em Horaçãã com um comportamento aparentemente normE: Numa pequena parcela, na safra passada, AA a mas circunstâncias. a soja teve uma produtividas r normal. Esperamos que esta soja possa ue mtrogênio, imprescindível para as pastagens e, SL r Isto, ofertar uma alimentação com alto il protêico para os animais, a partir do final de abris Início de maio. ne Revista Plantio Direto - Janeiro/Fevereitro de e.