plantio direto vem sendo uma questão de sobrevivência da agricultura na nossa região , afirmou o engenheiro agrônomo Gilmar Sponchiado, da Coopervale, a Cooperativa Mista Vale do Piquiri, de Palotina-PR. Sponchiado, que trabalha no departamento técnico da Coopervale desde 1958/, “ filho de gaúchos, que vieram da região de Erechim, no Rio Grande do Sul, nas décadas de 50 e 60, quando a região foi colonizada.
A Coopervale tem incentivado a adoção do plantio direto, cuja área aumentou bastante, princ!- palmente nos últimos dois anos, em função dos trabalhos realizados pelos técnicos, das alternativas que o próprio agricultor começou a observar e dos problemas que vinha enfrentando. :
“Nós estamos com cerca de 95% das áreas sob plantio direto, na região de abrangência da Cooperativa”, disse Sponchiado à Revista Plantio Direto, durante o Encontro de Palotina, em dezembro. “São lavouras que adotaram o plantio direto recentemente, há dois ou três anos. O incentivo da Coopervale sempre foi para o plantio direto, mas era difícil convencer os agricultores porque eles estavam ganhando muito dinheiro com trigo e não deixavam de fazer a sucessão trigo-soja. A queda no preço do trigo foi ruim para a agricultura mas favoreceu a possibilidade da rotação e da introdução da safrinha que, apesar de alguns problemas, trouxe melhores opções em termos de rotação e de plantio direto.” Para o engenheiro agrônomo da Coopervale, um dos entraves que ainda dificultam a adoção plena do sistema, é a falta de alternativas de rotação, principalmente quando se repete trigo e soja, pois, após a colheita da soja, fica um período de até 90 dias sem cobertura de solo, o que favorece o desenvolvimento de plantas daninhas. Segundo Gilmar Ssponchiado, algumas soluções estão sendo testadas, como o plantio de milho na safra de verão, soja na safrinha, aveia no inverno e soja no verão, que é uma sucessão de culturas bastante usada pelos produtores regionais.
“Os corós são verdadeiros escarificadores naturais”. “Um das questões atuais, finalizou ele, é a dificuldade enfrentada com a relação desfavorável em termos de preço do milho para soja. Hoje, são necessários 3 sacos de milho para um de soja, o que levou o produtor a diminuir 50% da área de milho nesta safra. Isso começa à comprometer a rotação, que é importante para o plantio direto.” A importância do milho “O plantio direto está baseado em cima do milho mas, infelizmente, com os preços que vem alcançando, a tendência é uma redução na área com essa cultura. Nós sempre plantamos 1/3 da área com milho, porém, nesta safra, diminuímos 25%. O produtor Alcedir de Marco também veio da região de Erechim, no Rio Grande do Sul e está há 25 anos em Palotina, onde planta há 22 anos, desde o início da mecanização. No momento, a fazenda dele e dos irmãos, um total de 500 ha, localizados na região de Cinco Mil, em Palotina, já está com algumas glebas sob plantio direto há $ anos.
“Nós também tentamos iniciar em 82-83, disse De Marco, mas a falta de conhecimentos e de máquinas adequadas não permitiu a evolução da idéia. Só que, mais adiante, depois de ver tanta erosão, nós tivemos que partir para o plantio direto. At, graças a uma assistência qualificada por parte da Cooperativa, nós conseguimos estabilizar o siS- tema. Hoje, o agrônomo que nos assiste conhece melhor as áreas do que nós. Neste ano, nas áreas de milho, nós estávamos preocupados com à quantidade de furos que existia. Ele nos tranquilizou, dizendo que eram os tal de corós, que são benéircos, verdadeiros escarificadores naturais.
Para De Marco, nos dois primeiros anos em plantio direto, a produção é menor, em função da adaptação. Agora, com a estabilidade do sistemã, a fazenda está colhendo médias de 7.500 kg/ha em milho e 3.700 kg/ha em soja, com um custo de pro” dução reduzido, estimado em pouco mais de 2.000Kg/ha no caso do milho.
Hoje, De Marco não tem dúvidas sobre e. benefícios do plantio direto. ”É a solução pará NOS am afirmou ele, desde que se faça rotação de culturas. pois a monocultura é danosa. A maioria demorou a adotar o sistema porque é preciso investimento em semeadora e são poucos os produtores médios | Ou grandes com esse potencial. “ Revista Plantio Direto - Janeiro/Fevereiro de 177º.