Por Que o Plantio Direto Demorou para ser Adotado em Palotina


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Publicado em: 01/01/1998

Gilberto Borges (O kx = O Editor (ú não necessitavam de plantio direto. Hoje, com o sucesso obtido por alguns produtores e técnicos, que conseguiram reduzir drasticamente as operações e os custos da lavoura, com produtividades superiores às médias do município, ironicamente está sendo comprovado que, na verdade, as condiimpressionante o que a natureza, quando reequilibrada, ajuda na evolução do plantio direto na região de Palotina. Diante do quadro de sucesso experimentado por diversos usuários do sistema, alguns com 15 anos de plantio di- reto contínuo, a pergunta que fizemos a algumas pessoas foi: por que, numa região em que o plantio direto alcança tantos dados positivos na relação com o preparo convencional, o processo demorou tanto a se estabelecer e ainda enfrenta um rasgo de contrariedade entre uma grande parcela dos produtores e dos próprios técnicos?

Diversas respostas foram anotadas, vindas dos produtores e assistentes técnicos que viveram a questão, além daqueles, como nós, que observamos à distância, no tempo e no espaço. Na verdade, não existe apenas uma resposta para esse questionamento. Elas começam pelo estabelecimento do arado e da grade na cultura das comunidades que povoaram a Região Sul e todo o interior do Brasil. E nós sabemos como é difícil mudar um hábito cultural.

principalmente quando a ele se somam fatores econômicos fortes, como o a produtividade obtida na lavoura de trigo, principalmente na década de 7O, com o uso de grade sobre um solo fértil e profundo, cujos horizontes de fertilidade pareciam não ter fim.

Palotina foi o município campeão na produtividade de trigo. Hoje, com as atuais características do mercado e o preço desfavorável, este fator também tem contribuído para uma migração das lavouras em direção à semeadura direta e ao plantio de reto é favorável.

À facilidade em obter altas produtividades das lavouras estabelecidas levou os produtores e técnicos da região à presunção de que este quadro nã teria fim. Convidados a fazer palestras em a : anteriores na região, os pioneiros do sistema N SÃ6 Pereira e Herbert Bartz foram contestados de for. ma veemente em suas apresentações, sob a al e ção de que os solos regionais não comportavam s ções de clima e solo da região providenciam talvez as melhores condições em todo o pais para o estabelecimento do plantio direto.

Como que isso acontece ? Os solos são férteis por natureza e o plantio direto imita as matas que haviam na região, aumentando paulatinamente a matéria orgânica e restringindo a compactação provocada pelo excessivo tráfego de máquinas e implementos usados no preparo convencional. À natureza ajuda de diversas formas. Em solos sob 4 anos de plantio direto, ao contrário do que acontece em outros locais de latitudes maiores, ou menores mas com precipitação deficiente, a quantidade de galerias proporcionadas por corós não prejud!- ciais às culturas é impressionante. São escarificadores naturais, que influem na positiva infiltração de ar, água e também na movimentação de nutrientes, levadas à profundidades na forma de resíduos culturais, tarefa que nenhum ferro é capaz de fazer.

A natureza é pródiga também no controle de pragas. Aqueles agricultores ainda com a mental!- dade do plantio convencional, aplicam incessantemente inseticidas, de forma preventiva, ao menor sinal de ataque, chegando ao ponto de aplicar cer ca de 15 vezes durante um ano, contando com à safrinha. Os produtores de plantio direto, ao fazer um correto manejo de pragas, reduziram esses nt meros para duas ou três aplicações, sendo que ext” têem exemplos conhecidos de produtores que, = cultura da soja, não usam inseticida há três ou qua” tro safras.

Assim como os palestrantes que estiveram nº HH Encontro do Sistema Plantio Direto de Milho É ão Soja, em dezembro de 1997, também fique! ão pressionado com o potencial da região para USD Revista Plantio Direto - Janeiro/Fevereiro de 1 cultura racional e produtiva, que tem como base lantio direto. Todos os indicadores direcionam o Pp altas possibilidades no sentido de alcançar uma úpultura sustentável —* econômica e e pientalmente, o que se busca na atualidade em todas as partes. Creio que, na região Oeste do incipalmente nos arredores de Palotina, á, pr! ! Y os produtores e técnicos tem a faca e o queijo na mão para alcançar esse objetivo.

A era do conhecimento A importância da assistência técnica assumida “Com uma assistência técnica capacitada, é possível implantar o plantio direto em qualquer circunstância”, afirmou Erlei Melo Reis, pesquisador e professor da Faculdade de Agronomia de Passo Fundo, que participou do II Encontro do Sistema Plantio Direto, em Palotina. Para ele, este fator também influenciou na atual evolução da semeadura direta na Região Oeste do Paraná, que era um dos últimos focos de resistência à implantação do sistema. Erlei acredita que, nesse rítmo, nos próximos anos, 100% da área agrícola no Brasil estará coberta pelo plantio direto.

Um fato importante para o momento que vive a agricultura da região, com uma saíra de verão com mais de 90% da área sob plantio direto, é o fato de que hoje existe uma gama enorme de conhecimentos que permitem aos técnicos e produtores uma maior tranquilidade para assumir o sistema em suas propriedades.

“Vivemos a era do conhecimento”, disse o engenheiro agrônomo Jonas Vendrusculo, durante o II Encontro, em dezembro. Ele é um dos assistentes técnicos mais atuantes em Palotina na área de plantio direto, tendo sido um dos coordenadores do evento. Para Guido Engler, presidente da Sociedade Rural de Palotina, uma das entidades promotoras do II Encontro, a assistência técnica está sendo fundamental para o desenvolvimento do sistema. “Na segunda vez que tentamos o plantio direto, e que acabou dando certo, relatou ele, foi SOD à orientação de um profissional, que já tinha conhecimentos sobre o assunto. Na primeira tentativa de adoção do plantio direto na nossa lavoura, em 1983, a proposta não evoluiu porque não tinhamos um maquinário de acordo, por um pouco de acomodação da nossa parte mas, principalmente, porque não havia conhecimento so- 'sta Plantio Direto - Janeiro/Fevereiro de 1998 bre como conduzir de forma eficiente um sistema com características novas.” Assim como nas demais regiões agrícolas do & as relações entre produtores e técnicos tiveram obstáculos também em Palotina Segundo Guido S14O, em anos anteriores, mas a saída é o produtor procurar um profissional porque ele está mais habilitado a dizer como fazer uma rotação de culturas, um manejo de pragas e doenças, etc.” Ele aprendeu na prática a Importância de uma assessoria agronômica, apoiando o filho Fernando, que estava se formando em agronomia e trouxe a proposta de iniciar o plantio direto nos 550 ha da Fazenda Dallas, em 1992. A fazenda era dividida entre três irmãos e, em função dos fracassos das tentativas anteriores, Guido Engler assumiu a possibilidade de um eventual insucesso na nova tentativa, o que foi efetivado em 25 ha. Porém, desta vez, a coisa deu certo. “Em dois anos, nós estávamos com quase 50% da fazenda sob plantio direto, relatou o presidente da Sociedade Rural. Hoje, depois de 6 anos, estamos com 100% de plantio direto. Nossos custos são menores, gastamos menos em sementes, fertilizantes, herbicidas, maquinário, óleo diesel, etc. A relação custo benefício proporcionada pelo plantio direto é muito grande!” Palotina Os ”vibriões do plantio direto (Erlei, Juca e Dirceu) ficaram impressionados com o potencial de Palotina