Universidade Federal Abre as Portas para o Plantio Direto


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Publicado em: 01/05/1998

participantes, principalmen- sua avaliação, o evento foi muito proveitoso porte alunos do curso de agronomia, assis- — — que abriu os horizontes do que é o plantio direto tiram ao | Seminário Sobre o Sistema no Brasil hoje, tanto para estudantes como para Plantio Direto, realizado na Universidade Fede- o corpo de professores da Agronomia da UFV. ral de Viçosa-MG, nos dias 3 a 5 de abril. O even- Antonio Silva acredita que os frutos do Semináto, coordenado pelo Departamento de Fitotecnia, rio aparecerão rapidamente. foi o primeiro passo para a introdução dessa A carência de informações sobre plantio tecnologia no âmbito da UFV, que era uma ne- direto dentro da Escola foi o motivo básico que cessidade reclamada por diversos setores da levou à realização do Seminário, segundo Luiz area agronômica da instituição. “Havia uma ca- Adriano Maia Cordeiro, aluno de pós graduação rência de informações na área de plantio direto em doutorado na área de fitotecnia pela UFV. e uma grande cobrança dos estudantes”, afir- Ele foi um dos coordenadores técnicos do Semimou o professor Antonio Alberto da Silva, coor- nário, que reuniu 6 palestrantes de instituições denador geral do | Seminário. Ele é professor públicas e privadas que batalham pelo desenda área de manejo de plantas daninhas e, na volvimento do plantio direto no Brasil. Para Luiz Adriano, as universidades brasileiras ainda ensinam a forma tradicional de agricultura, como arar e gradear o solo, que hoje são métodos ultrapassados de conduzir a lavoura. O futuro engenheiro agrônomo deve ter o direito de conhecer a tecnologia do plantio direto e as faculdade de agronomia deveriam incluir disciplinas em seus currículos que enfoquem o sistema”, disse ele ao fazer uma avaliação do | Seminário. Satisfeito com a participação dos alunos de graduação, Luiz Adriano, que já tem uma experiência a nível de lavoura com plantio direto, na região de Ponta Grossa, Paraná, onde se formou, avalia positivamente as novas perspectivas a partir de agora. Segundo ele, foi gratificante a atenção com que 0 evento foi acompanhado por alunos e professores, principalmente se levar em conta o fato de que os professores da Universidade estavam em greve e havia umã desmobilização geral. “As vagas foram preenchidas com vários dias de antecedência, relatou ele, e praticamente 100% dos inS- critos estavam presentes.” Para Juliano Martins Diniz, estudante do 5º ano de agronomia, também coordeos: Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 nador técnico eminári DATAS: do Seminário, este teve o objetivo maneira sustentável de produzir grãos com E ba OBS de outras regiões brasilei- — — lucratividade. os E eiudantes A, plantio direto para que — Na programação do | Seminário de Plantio evolução da E Raricultar io visão sobre a Direto da UFV, patrocinado pela Monsanto e já adota o plantio di Ira. Filho de produtor, que Semeato, com apoio da Federação Brasileira de GO linho ta ”e lireto na região de Rio Verde- Plantio Direto na Palha, da Associação de Plan- SS Ultádos do ES Eemindi Sea satisfeito com os re- tio Direto do Cerrado e da Revista Plantio Direadronomia precisa Sair ara ele, o estudante de to, além das palestras e debates, foi montada bagagem mínima js Ida EDS. com uma uma área demonstrativa, onde foram apresenoferecer ao e Son ecimentos, capaz de tadas algumas tecnologias de plantio direto, produtor informações sobre uma como semeadura e controle de plantas daninhas.

Sucesso do plantio direto esta no diálogo do produtor com a lerra ”A conversa do “plantador direto” com o Solo, com a planta e com toda a parte biológica que envolve o sistema é indispensável para a sustentabilidade da propriedade rural. O sucesso do plantio direto se baseia no diálogo que o produtor tem com a sua propriedade agrícola.” As afirmações são do engenheiro agrônomo Ernani Luiz Agnes, professor do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa, que coor- Professor E E dia d denou a parte demonstrativa a campo du- rnani no dia de campo para pequenos produtores rante o Seminário de Plantio Direto, no começo de abril. Na verdade, ele já tinha promovido atividades relacionadas com plantio direto no âmbito da UFV, tendo sido responsável pela organização e realização de um Curso Sobre Plantio Direto com Tração Animal, durante a tradicional Semana do Fazendeiro, em julho do ano passado. O evento, que acontece desde 1920, é um dos mais concorridos da região e o curso inédito, onde foram apresentadas algumas tecnologias para o plantio direto na pequena propriedade, teve uma boa participação de produtores, técnicos e estudantes. Formado pela Universidade Federal de Pelotas, Ernani Agnes fez mestrado na UFV, onde passou a lecionar a partir de 1980. Nos primeiros anos, ele ajudou a conduzir parcelas com plantio direto nas estações experimentais de VI- çosa e Capinópolis, além de trabalhos de semeadura direta de café e seringueira. Em 198/, Ernani foi fazer seu doutorado na Universidade de Hohenheim, na Alemanha, na área de adubação verde e rotação de culturas, sob a orientação do Dr. G. Kahnt, uma autoridade na agr!- cultura biodinâmica, plantio direto e agricultura integrada, com participação indireta em trabalhos do IAPAR/GTZ no Brasil. Novamente no Brasil, ele tem apoiado as iniciativas acadêmicas que direcionam para uma agricultura Sustentavel.

Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 oferecidos na fase em que a planta seguinte tem Rotação de cultu ras/ maior necessidade deles, a qualidade e a produadubação verde tividade será estimulada. Além disso, observouse um efeito cumulativo do tremoço sobre o desenvolvimento em profundidade do sistema “Dentro do universo da minha análise, dis- | qr S radicular do milho plantado na sequência. Este ista Plantio Direto, eu vejo que O E eso e OAURRÇA) verde e da O IARA de cul- efeito faz com que a raiz do milho explore um turas, assim como do consórcio de plantas, está volume maior de Soo, propiciando um melhor diretamente relacionado com a sincronização aproveitamento de água e nutrientes que vão dos rítmos das partes integrantes do sistema, percolando no perfil do solo. Outro Item anotado foi a relação benéfica do tremoço sobre milho quanto à produção de matéria seca: esta foi maior quando a cultura não foi adubada.

“No caso estudado, finalizou ele, o tremoço beneficiou o milho apenas quando estava liberando os nutrientes contidos em seus tecidos e o milho tinha condições de converter estes nutrrfixação de nitrogênio por diferentes cultivares entes em mais massa vegetativa, encher e/ou de tremoço, análise do sistema radicular des- aumentar o teor de nutrientes nos grãos. Porisso, sas mesmas cultivares e da interação com plan- o benefício é maior ou menor na medida em que tas de milho. Segundo o professor da UFV, os se otimiza a sincronização dos fatores liberação estudos mostraram que os nutrientes e a água e absorção de nutrientes. Ou seja: o sucesso está ou seja, é necessário sincronizar a fase de liberação de nutrientes da planta destinada para adubação verde à fase de absorção de nutrientes da cultura seguinte”. No seu trabalho de doutorado, Ernani Agnes pesquisou, dentro do tema adubação verde e rotação de culturas, aspectos relativos à absorvidas pelo tremoço são liberados rapida- no conhecimento e respeito do ritmo biológico mente após a dessecação, corte ou final de ci- das plantas que participam do processo. À sinclo. Se a cultura subsequente puder absorver cronização das partes envolvidas permite uma OS nutrientes à medida que eles são liberados, maior eficiência do sistema. [=x não haverá perdas. Se estes nutrientes forem m— — dna — - — — — NL a CASADO UFV lança novas variedades de soja A Universidade Federal de Viçosa lançou este ano duas novas variedades de soja: UFV 19 e UFV 20 oja no Brasil, como pústula-bacteriana, fogo-selvagem, macho-olho-de-rã g gem, olho-de-rã e cancro-da-haste, sendo esta última a responsável por grandes prejuízos em anos recentes.

: : ampo mostram u iv da ; : as obtidas com variedades de ciclo semelhante ma produtividade significativamente maior que 2.805. A UFV 19 chegou a produzir 3.166 kg por hectare e a UFV 20, E. A UFV 19 necessita, em média, de 54 dias óleo é de | 8,5% e ode proteina, 42,3% . O fl : y contaram com o apoio e a colaboraena, Fapemig, Embrapa e do CNPa.

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