Encontros Nacionais de Plantio Direto Impulsionaram o Sistema (1º ao 5º)


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Publicado em: 01/05/1998

Encontro/1981 A realização do 1º Encontro Nacional de Plantio Direto, em 1981, na cidade de Ponta Grossa (PR), foi consequência de uma de uma necessidade natural estabelecida a partir dos trabalhos pioneiros de Manoel Henrique Pereira, Franke Dijkstra e outros produtores da região dos Campos Gerais do Paraná. Já com 5 anos de experiência no sistema, tendo viajado aos Estados Unidos em busca de informações sobre plantio direto, Nonô e Franke, Juntamente com outros produtores e técnicos, haviam incentivado a discussão do assunto através do Clube da Milhoca, que nunca chegou a se constituir juridicamente, mais foi um dos principais focos de desenvolvimento da idéia do plantio direto e serviu como suporte para a realização do 1º Encontro, organizado pela Cooperativa Central Agropecuária, apoiada pela Associação Conservacionista e outras entidades regionais.

Nessa época, despontavam os engenheiros agrônomos Hans Peeten e Nadir Razini, cujos trabalhos foram importantes nos primeiros tempos de consolidação do programa nos Campos Gerias. Eles fizeram apresentações no 1º Encontro, que contou também com os depoimentos de Franke, Nonô. Maria Primaves, Von mega na do Iapar, Ana (que falou sobre pesque abordou o plantio direto no do Estado do Paraná. O 1º Encontro Nacional serviu como uma alavanca propulsora do sistema em todo o país, e os palestrantes foram chamados para dar seus depoimentos nas mais diferentes regiões, com os mais variados climas e culturas.

2º Encontro/1983 Em fevereiro de 1983. dois anos após, quando da realização do 2º Encontro, promovido basicamente pela mesma equipe, com um leque de apoio mais amplo, participaram 849 pessoas de todo o país e algumas do exterior. À área semeada com plantio direto nos Campos Gerais já alcançava 200.000 ha e a demanda por tecnologia era cada vez mais aguçada. Na abertura do evento, Nonô Pereira afirmava que “o íntimo relacionamento com nosso pedaço de terra, propiciado pelo uso de uma técnica como o plantio dr reto, branda em sua essência, nos fez voltar a sentir, nos fez ver, que na trilha convencional proposta, modelada e induzida, não daríamos em lugar seguro. Descobrimos a palha, que tantas vezes queimamos. Se patrimônio tem 9 produtor, este patrimônio é o solo”.

Nessa ocasião, Nonô também já manifestava preocupação com as possibilidades da pequena propriedade. “Se viável para o grande e médio produtor, porque não para o pequeno?”, indagava ele na Sua preleção de abertura do 2º Encontro.

À questão da cobertura do solo e a rotação de culturas foi destacada em palestras como as de Hans Peeten, Fernando Almeida e Marcos Vieira. O tema também foi abordado pelo produtor Lúcio Revista Plantio Dire to Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 Miranda, de Ponta Grossa, que fez um relato minucioso e bem apresentado da história de sua propriedade, onde introduziu o plantio direto à mesma época que os demais pioneiros do sistema, nos Campos Gerais. Para ele, “falar de rotação de culturas depois de tantos anos de atividades, soa realmente como uma coisa muito esquisita. Mas, a grande verdade é que este beabá da agricultura não estava sendo seguido. Naquela ocasião entendemos que, se esse Item não fizesse parte do conjunto, não poderíamos obter os resultados que pretendíamos. E nós vivíamos praticamente na dependência da monocultura de soja. Então, introduzimos o milho, que passou a fazer parte desse conjunto”. O 2º Encontro foi bem mais amplo em termos de palestras técnicas e depoimentos. As empresas de máquinas e agroquímicos apresentaram seus enfoques e tecnologias para o sistema. O nível técnico foi elevado. Um dos depoimentos mais aguardados foi do engenheiro agrônomo e produtor americano Mike Ellis, do Kentucky, que apresentou um Talo x da sua propriedade, em Shelby, onde faz plantio direto desde 1970. Depois de explicar com ilustrações praticamente todo o funcionamento de sua fazenda de 1.200 ha, Mike Ellis afirmou que “Deus nos deu a terra para a cultivarmos durante o período de vida da humanidade. Precisamos usar o plantio direto, que é um método pelo qual podemos viver e deixar também um futuro para os outros viverem. Assim, quando vocês tiverem lá fora, à noite, uma chuva tropical sobre plantio direto, tenham um sono tranqúilo”.

Outra palestra marcou igualmente, não só pelo seu conteúdo, mas também porque foi uma das últimas apresentações do pesquisador Werner Wunche, do CNPT-Embrapa de Passo Fundo, um dos grandes batalhadores pela conservação de solos no Brasil, que viria a falecer em abril do ano seguinte. No começo de sua palestra, Werner disse as seguintes palavras, que tiveram um tom de profecia: “Quero felicitar-vos porque acho que vocês devem ser o núcleo inicial que deve mudar o aspecto da conservação do solo no Brasil. Faço votos de que, a partir deste encontro, realmente se mude de forma radical a questão da erosão e da conservação do solo que está tão grave neste país”.

ALGUMAS COISAS NÃO MUDAM. VERDICT* R controla em qualquer estágio: capim-marmelada, capim-colchão, capim-braquiária, capim-pé-de-galinha, capim carrapicho ou timbete.

* Marca de Dow AgroScionces Consulte sempre um Engenheiro Agronomo Venda so o ão = NR. - um sr. é LL SE —— ao E... Ás Pair fm a VERDICT”* R é eficiente no plantio direto do é& enoconvencional Er ceetto VERDIC1I* R SEMA é seletivo na soja e << eficiente na resteva és Dow AgroSciences Chác. Sto Antonio - São Paulo SP Tel.: (011) 5188-9001 - Fax: (011) 5188-9501 DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA Rua Alexandre Dumas, 1671 - 4º andar - ala C - CEP 04717-903 - Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1 998 cao one —— ———.— O bar - v -L 3º Encontro/1985 “No plantio direto, o homem não precisa tentar ser mais forte do que a terra. Ele deve observala, entendê-la e tratá-la como ela quer ser tratada .

Essas palavras de sabedoria, proferidas pelo presidente do 3º Encontro, Franke Dijkstra na abertura do evento, significavam um tanto do conhecimento adquirido por ele e por todo o organismo produtivo dos Campos Gerais, durante os nove anos passados, a respeito do sistema plantio direto. Dijkstra também era o presidente da Fundação ABC para a Assistência Técnica e Divulgação Agropecuária, entidade que promovia o 3º Encontro, juntamente com a Cooperativa Central de Lacticínios do Paraná, contando com a coordenadora dos engenheiros agrônomos Mauri Sade e Hans Peeten. Criada algum tempo antes do 3º Encontro, a Fundação ABC tomava as rédeas do processo e caminhava para se consolidar como o principal pólo difusor da tecnologia do plantio direto na palha no Brasil e na América do Sul.

Em fevereiro de 1985, quando 1.200 pessoas estiveram em Ponta Grossa para o 3º Encontro, mais de 500.000 ha já estavam semeados com plantio direto em todo o País e o nível de participação de produtores e técnicos era um fato marcante. “Fol um excelente encontro, o maior de que já participei. Estou impressionado com a participação e a intenção dos diversos estados aqui presentes”. À palavra foi do pesquisador americano Mr. Shirley Phillips, um dos pioneiros da pesquisa do plantio direto nos Estados Unidos e incentivador dos primeiros passos do sistema nos Campos Gerais, onde Já havia estado em 1978 e 1980, em visita aos amigos Nonô Pereira e Franke Dijkstra, entre outros. Ele falou sobre o plantio direto no mundo, sendo uma das palestras mais aguardadas.

Também esteve palestrando no Encontro o produtor americano Leo Stephas, do Estado de lowa. À coordenação do 3º Encontro montou um rol de 28 palestras e depoimentos que abordavam diversos aspectos, desde uma avaliação da situação do momento, em termos de plantio direto, nas diversas regiões agrícolas brasileiras, os citados de- E És a a situação do sistema no mundo q ; máquinas : E MENOS S PAokA Ac , e ervas, doenças e o papel da pesquisa.

Nos Anai 3º alia ontro representou mais um impulso ao desenvolvimento desta técnica que preservará nossos solos, assim como a busca de maior produção de alimentos para a geração presente e para as vindouras. Nosso encontro também despertou questionamentos que foram úteis para todos. Se conseguirmos mudar a atitude dos técnicos e produtores que ainda têm mais dúvidas do que respostas e motivar a criatividade dos elementos que estiveram conosco, nosso objetivo terá sido plenamente atingido”.

Um dos aspectos abordados no evento foi a necessidade da realização de encontros regionais, que procurassem abordar as características e ne- WI [p k Ad ”o o a o O A o a | Vino aa A ra a é Pre Edo cas AA dis a Qua asrdetiso,. MESAS . * eeaadâddás) bed E . a e. ipossetidóns lt aaao: AA + OTRAS USAOO ARS à 4 VERAS RONAN » x AAA e AL . ditiaisa ri tidas sta EA OO q. + dh. & | 12. s LL IIS SEAT ANA * a o E FE SAAAS) Vaeandga Mio a 4 dA :

kaj a a .... E E da a ao | de dra ri oa fe o ade -s e. doe eo e. dor ss ” E . ee a aa si. Tr de a da mA ” Nonô Pereira participou de todos os Encontros Nacionais cessidades técnicas específicas de cada local. Como uma onda propulsora, o 3º Encontro incenti- VOU à realização, nos anos seguintes, de inúmeros seminários e encontros em todo o País, destacando-se o avanço do sistema no cerrado e no Rio Gran- ÃO. do Sul. Aqui, pr incipalmente através dos Clubes Amigos da Terra, aconteceu um processo qualitativo que redundou em aumento de área com plantio direto, desta vez um processo firme e sem retornos, de tal maneira que o Estado foi escolhido para sediar o 4º Encontro, em Cruz Alta, o seu mais importante pólo de desenvolvimento. > “evista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 4º Encontro em Cruz Alta supera as expectativas O 4º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, realizado em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, de 28 de fevereiro a 3 de março, foi uma rara unanimidade: superou todas as expectativas de público, da qualidade dos trabalhos e da organização apresentada. Passadas três semanas do evento e ainda continuavam a chegar visitantes para ver o campo experimental plantado para o Encontro, na Fazenda da Família Arns, a 15 km da cidade. Uma semana após, somente num dia, sem programação oficial, haviam seis ônibus no local, trazendo produtores e técnicos, associados de cooperativas dos mais diversos locais do sul do País.

Isso significa que ultrapassou a 15.000 o número total de pessoas que visitaram o campo demonstrativo, pois nos dias da programação, 12.000 produtores, técnicos e outras categorias profissionais ligadas à agricultura estiveram presentes no local, numa demonstração clara das tendências da lavoura brasileira para os próximos tempos.

”Se a promoção alcançou tamanho sucesso é porque os produtores acreditam nesta nova agricultura e no seu futuro”, disse Kurt Arns, coordenador do 4º Encontro. Kurt, ao encerrar o evento, estava emocionado e orgulhoso do trabalho realizado pelo Clube Amigos da Terra de Cruz Alta, que organizou a promoção com o apoio de diversas entidades e empresas, sob a orientação da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, “O Encontro foi além das expectativas, eu esperava que viria muita gente, mas não um fluxo desses . À afirmação é de Benno Arns, um dos pioneiros do plantio direto na região, que cedeu a área para o campo demonstrativo do 4º Encontro “Outra coisa que impressiona”, disse ele, “é o interesse dos visitantes. Não são apenas curiosos, as pessoas estão olhando com objetivo, não é como numa exposição onde o povo passa e nem sabe o que está acontecendo. A maioria veio aqui de fato para aprender a ver um novo horizonte que não é possível em outro lugar”. > OU VOCÊ APLICA SCORPION.

Scorpion* é um herbicida pré- emergente, que gTAÇas à sua solubilidade, pode ser aplicado com eficiência no plantio direto, controlando as * Marca de Dow AgroScionces plantas daninhas, como o leiteiro, erva-do-touro, guanxuma, fedegoso, carrapichos e ainda permitindo a rotação de culturas.

OU TRABALHA EM DOBRO. Consulte sempre um Engenheiro Agrônomo ”ECENIUÁTIO ABGroMNOMTÇo DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA Rua Alexandre Dumas, 167 Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 & Dow AgroSsciIences 1 - 4º andar - ala C - CEP 04717-903 - Chác. Sto Antonio - São Paulo SP Tel.: (011) 5188-9001 - Fax: (011) 5188-9501 5º Encontro foi no Cerrado Mais de duas mil pessoas entre técnicos, produtores rurais e pesquisadores de todo o Brasil e de outros países participaram das atividades do V Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, lotando as dependências do Centro de Cultura e Convenções em Goiânia , Goiás, nos dias 17 a 22 de junho de 1996. Segundo a coordenação do Encontro, a cargo da APDC - Associação de Plantio Direto do Cerrado, o evento foi um sucesso de público e também do conteúdo técnico apresentado na parte plenária, com painéis, conferências e cursos sobre os mais diversos temas que interessam aos produtores e técnicos que realizam a semeadura direta em suas propriedades. Na parte da tarde desses dias as atividades eram deslocadas para o campo demonstrativo, que foi preparado desde outubro do ano anterior, com objetivo de demonstrar as mais variadas possibilidades técnicas para o desenvolvimento do plantio direto na região do Cerrado Brasileiro. Localizado na rodovia Goiânia- Nova Veneza, a 5 km da Escola de Agronomia, com 30 ha, o campo permitiu a demonstração dinâmica de máquinas e implementos utilizados em plantio direto, além de parcelas com Interações e rotação de culturas, coberturas de solo, controle de ervas e outras tecnologias. Durante o período de realização do V Encontro, mais de seis mi! pessoas estiveram visitando o campo demonstrativo.

Necessidade de Incentivos Incentivar os produtores que utilizam práticas conservacionistas do solo com a redução na tributação, a exemplo do Imposto Territorial Rural, seria uma das fórmulas para tentar reverter o acelerado Presença de grande público foi destaque em Cruz Alta durante a realização do 4º Encontro processo de gradação decorrente da utilização dos sistemas convencionais de plantio . Esta foi uma das considerações levantadas por Manoel Henrique Pereira, presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, durante a realização do 5º Encontro, em Goiânia. “Estão todos conscientes de que é preciso cobrir o solo, disse ele, na ocasião. Já não se trata apenas da exaustão do solo pelo vento e pela água mas também pelos raios solares. Ainda não existe um domínio total sobre a tecnologia para o cerrado mas o 5º Encontro significou uma arrancada no rumo correto, de tal forma que o próximo Encontro Nacional também será realizado nesta vasta área do Brasil Central ” Para Nonô Pereira, é sabido que nos próximos anos a demanda por alimentos no mundo crescerá de forma indescritível, em descompasso com a produção, agravando os problemas da fome, que atingem um contingente considerável no Brasil. Segundo ele, os produtores rurais e técnicos estão fazendo a sua parte, desenvolvendo e difundindo o plantio direto na palha, ressaltando os benefícios econômicos e ambientais de uma tecnologia que já é considerada a “Agricultura do Futuro”. Cabe agora aos dirigentes políticos assumirem suas responsabilidades, respaldando a iniciativa de forma a promover a difusão do plantio direto entre todos os produtores, agregando novas extensões de terras as que já estão protegidas. No Brasil, as estimativas apontam para uma existência de 4 5 a 5 milhões de hectares de semeadura direta, na safra 95/96, sendo que a região do Cerrado já conta com uma área aproximada de 1 a 1,5 milhão de hectares sob plantio direto. O Cerrado é a grande fronteira para O Sistema pois, solucionada a questão de cobertura do solo, que sempre foi o grande entrave para O seu desenvolvimento, os benefícios para o solo para a exploração econômica e ambiental, são fa- Voráveis em todos os sentidos”.

Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998