Cerrados, Uma Benção da Natureza


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Publicado em: 01/05/1998

Cerrados são uma benção da natureza. Na aparência secos e queimados pelo fogo constante, eles escondem, na verdade, sob as raízes profundas de suas árvores, um grande manancial de água, que alimenta seus muitos rios. Com um relevo levemente ondulado e uma estação bem definida de chuvas abundantes é a maior extensão contínua de terras para à agricultura existente no mundo.

Toda essa fantástica riqueza natural, no entanto, vem destruída velozmente pelo homem, na pressa de ganhar mais frequentemente ainda, na tentativa de sobreviver capitais existentes na região - Brasília, Belo Horizonte e Goiânia - e muitas outras cidades despejam em seus rios a água poluída dos?” esgotos, causando enormes estragos na vida aquática. À esses estragos juntam-se outros provocados pelos agrotóxicos das lavouras e pelo mercúrio do garimpo, que escoam para os rios Mas é o solo, principalmente, o mais atingido, se é que se pode dizer assim, Sem ele, não se produz alimentos. Às terras, constantemente revolvidas pelo arado, São facilmente levadas para os rios pela enxurrada. Vai embora, dessa maneira, sua camada mais fértil, aquela localizada na superfície. :

; Os Sa: dos Cerrados sao muito pobres, pouco férteis. E não existe fertilizanes no mundo em quantidade capaz de fazê-los produzir, de forma econômica, sem a aa SO ecete vivos, como as minhocas e outros invisíveis a olho nu, Como OS ungos e bactérias, que vivem na terra. Acontece que quando o trator revira o solo ; , sendo dinheiro e, As três grandes que não compensa. , produzir alimentos fica tão caro Rio Verde, o principal polo de desenvolvimento do plantio direto no Cerrado O Municipio de Rio Verde, situado na região Sudoeste de Goiás, nas décadas de 1970 e 1980, recebeu produtores originários do Sul e do Sudeste do país, que emigraram para o Cerrado na expectativa de comprar ou arrendar terras em termos favoráveis. Os solos eram de baixa fertilidade natural mas, em compensação, a topografia e as condições climáticas eram excepcionais, facilitando a implantação de culturas como soja, milho e arroz.

No final da década de 80, a necessidade de proteger os solos contra a erosão crescente e de reduzir os custos também crescentes das lavouras levou um grupo de produtores e técnicos a introduzir o plantio direto na região. Relativamente, a partir da primeira lavoura com história conhecida em plantio direto, na região de Montevidiu, o sistema teve um desenvolvimento bastante rápido, de tal forma que, em menos de 10 anos, contando desde 1993, a área com plantio direto aumentou de 3.000 ha para 180.000 ha, na cultura da soja, na região de abrangência de Rio Verde.

O principal vetor desse crescimento na adoção da nova tecnologia foi o trabalho desenvolvido pelo CAT - Clube Amigos da Terra de Rio Verde, uma entidade criada por produtores e técnicos da região, liderados pelo produtor Flávio Faedo, que foi o primeiro presidente da nova instituição. “O CAT teve um papel importante porque conseguiu unir e até mudar a mentalidade do produtor”, disse Faedo à Revista Plantio Direto, em maio deste ano, em Rio Verde, durante o Curso de Fertilidade em Plantio Direto, realizado com apoio do CAT e do qual ele foi um dos palestrantes. Flávio Faedo também julga importante a transparência do processo, que era uma novidade entre os produtores, antes preocupados em guardar para s1 as tecnologias que davam certo.

Em acordo com outras instituições, como a APG (Associação dos Produtores de Grãos) e a Comigo (Cooperativa dos Produtores do Sudoeste Goiano, fundada em 1975), o Clube Amigos da Terra, criado juridicamente à semelhança dos CAIS do Rio Grande do Sul, foi um suporte básico para que a nova tecnologia fosse introduzida na região, através de palestras, encontros e áreas demonstrativas a campo. Em junho de 1996, já com uma área consolidada acima de 80% sob plantio direto, Rio Verde recebeu cerca de 1.000 pessoas, vindas de várias partes do país, para assistir ao 3º Encontro Regional de Plantio Direto no Cerrado, que, além das palestras, apresentou a novidade do Agritour, que foi um giro de campo entre algumas fazendas, onde os partici1- pantes puderam ver diversas culturas e manejos de solos em plantio direto. Na safra 97/98. a estimativa é de que a área com plantio direto tenha sido acima de 90% nos 280.000 ha de soja e milho plantados na região. “ Nós abraçamos a causa e realizamos muitas coisas”, disse o produtor José Roberto Brucelli, que foi presidente do CAT de Rio Verde até maio deste ano e se considera gratificado com as metas alcançadas.

Agora, a entidade será dirigida pelo produtor Andreas Peeters, vice presidente na gestão passada, que pretende dar continuidade ao ritmo de trabalho realizado até aqui.

Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998