Sucesso na Primeira Edição do Curso de Fertilidade em Plantio Direto


Autores:
Publicado em: 01/05/1998

Curso de Fertilidade Alcançou êxito a realização do I Curso Sobre Aspectos Básicos de Fertilidade e Microbiologia do Solo em Plantio Direto realizado em Rio Verde, nos dias 7 e 8 de maio. O evento, que aconteceu no auditório da Comigo, numa promoção da Revista Plantio Direto, com apoio do Clube Amigos da Terra, da Associação de Produtores de Grãos, da Plantar & Colher e da Comigo, reuniu aproximadamente 150 pessoas, entre assistentes técnicos, produtores e estudantes de Rio Verde e de diversas localidades de Goiás e de outros estados do Centro Oeste. Questões básicas sobre fertilidade, correção do solo, microbiologia e insetos foram amplamente debatidas pelos palestrantes e demais participantes do evento.

Para Juliano Diniz, da Plantar & Colher, que trabalhou na coordenação do Curso, os temas abordados, e entre eles manejo de nitrogênio, microbiologia, reciclagem de nutrientes e corre- Hi ção do solo em superficie, foram de grande importância no sentido de elucidar dúvidas existen- Jeferson da Costa: ”A microbiologia é de grantes sobre a condução do plantio direto na região. de importância para o plan- Para o pesquisador Jeferson Luiz da Costa, tio direto” da Embrapa Arroz e Feijão de Goiânia, palestrante do curso, a questão da microbiologia ganha importância crescente no plantio direto, porque a pre- um papel desta : SS sença de microorganismos decompondo a palha é ds cado na evolução da fertilidade dos : solos sob plantio di : desa base do processo e nós precisamos entendê-lo ó direto. Na sua palestra, ele des 1 o CC a 95 Pr tacou a questão dos cupi mais nos seus aspectos mais íntimos. Para Dirceu à CEntiaãa nos solos À EI du O OIL E. Gassen, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo-RS. portante na decomposicã do io eb | fe. a meso e macro fauna do solo também possuem Posição da celulose e aum da matéria orgânica.

Plantio Direto em Passo Fundo é com a Equipamentos de proteção para aplicação: - Máscaras de vários tipos (pós,gás) - Luvas (Importadas, de nitrilo - materi- Zeneca - Herbitécnica - Defensa proteção) vel que oferece maior Sipcam Agro - Novartis - Seedfs - Roupas de proteçã Adubos Trevo - Arbore Outro ção ; S Sílvio Marcos Ferreira “Tudo começou com um produtor, que era eu mesmo, que tinha uma série de limitações e resolveu entrar na Faculdade de Agronomia”. Assim iniciou à entrevista do engenheiro agrônomo Silvio Ferreira, da empresa Plantar & Colher, de Rio Verde, que hoje assiste uma área de 40.000 ha, praticamente toda em plantio direto, na região de Rio Verde. Como produtor, por volta de 1988/89. ele teve os primeiros contatos com o sistema na fazenda do pioneiro Luiz Penha, próximo a Montevidiu. Em outra ocasião, como estudante e produtor, Silvio assistru à uma apresentação na propriedade de Flávio Facdo. Segundo ele, naquela época, tinha uma grande resistência à aceitar a idéia de colocar calcário na superfície e a questão das semeadoras também gerava inquietação. “Nos tinhamos muitas dúvidas, relatou Silvio Ferreira, mas o que empolgou foi o desafio de tentar descobrir a melhor maneira de fazer plantio direto.

Aliás, desafios fazem parte da vida de muitos pioneiros, produtores e técnicos, que desbravaram o Cerrado. Silvio Ferreira, além da sua capacidade técnica. também é um indivíduo movido por desaf1- os. de tal maneira que hoje se encontra em Roraima, administrando um projeto de colonização criado por agricultores de Rio Verde. Naturalmente que, nessa nova fronteira, o plantio direto é prioridade, devendo ser usado nos campos nativos que forem cultivados. Aqui, transcrevemos os principais tópicos da entrevista que Silvio Ferreira nos concedeu em maio, em Rio Verde:

Revista Plantio Direto - Quais eram os entraves que haviam antes da adoção do plantio direto na sua área de atuação? O controle da erosão ainda era problema?

Silvio Ferreira - Nós tinhamos certeza de que o plantio direto solucionaria à questão da crosão Os entraves estavam no encontrar à forma correta de conduzir o processo, pois não me entrava na cabeça a idéia de que o calcário, por exemplo. pudesse descer no solo. Em 93. antes de terminar à Faculdade de Agronomia. em Rio Verde, ceu estava fazcndo um estágio na Monsanto, conduzindo alguns cx- Revista Planto Direto Especia ' Cerrado - Mato/Junho de 1998 O resgate da Assistência Técnica perimentos de lavoura, quando o Márcio Scaléa me convidou para fazer um curso na Fundação ABC, em Castro, no Paraná. Lá eu tive o meu primeiro contato com o Juca (João Carlos de Moraes Sá). À partir daí, as coisas começaram a se alinhar e as respostas para as perguntas que eu tinha apareceram. O Juca conseguiu esclarecer muitas dúvidas. Eu sabia que o sistema era bom, mas o que eu tinha — disponível não era suficiente, e o contato com ele foi fundamental. O Juca inoculou o vibrião do plantio direto em mim. Hoje, não tenho a menor difículdade, inclusive na adaptação de semeadoras, coIlsa que é preciso fazer na hora, em função da necess1- dade. RPD - /sto quer dizer que todos os problemas que apareceram em plantio direto aqui na região foram resolvidos?

Silvio Ferreira - Sim. Na verdade, eles estão sendo resolvidos porque existe um conjunto de 1nformações que conseguimos coletar a nível de Bra- Sílvio Marcos Ferreira: ”O que mais impolgou foi tentar descobrir 2 melhor maneira de fazer plantio direto wipalmente no Sul, em cursos encontros, que nos valeram para à resolução dos problemas que aparecem. Apesar de serem regiões com caracteristicas distintas, OS princípios gerais são os mesmos e sil, pru Opções de rotação de culturas para a região de Rio Verde | SAFRINHA ajudam para resolver os problemas localizados. - Soja cicio normal Milheto Soja/Milho” RPD - Rio Verde é um enclave dentro do | Aveia | Soja/Milho” Cerrado? e Sorgo | soja/Miho* Silvio Ferreira - Não, apenas alguns nichos IE | so ho E OA o que possuem características de clima e solo diferen- Milheto Soja/Milho” tes. A maioria dos locais tem caracteristicas de Cer- Braquiária Soja/Milho” rado. O que faltava eram produtores com capacitação | Nabo Milho sível produzir tanto quanto em outros locais. Niger Milho hs | Crotalária Milho RPD - Como está a produtividade do grupo E aeSS ss... A iho de produtores que a Plantar & Colher assiste? VOTOna disados Silvio Ferreira - Na cultura da soja tinhamos | Feijão Milho inicialmente uma produtividade ao redor de 40-45 s/ S9ja precoce | o SS oa à. ha. Aqueles que praticam uma agricultura de ponta, — Soja/Mi ho? como é o caso do Andreas Peteers, chegam a colher | até 70-80 s/ha. Na cultura do milho, temos produto- MIRO TOINTAl ASF Soo res que já atingiram 11.000 kg/ha, o que pode ser Aveia | Soja comparado aos rendimentos das melhores regiões | HS Sta produtoras. SÁ No0t SS ie RPD - Como tem sido feita a correção do Aveia Soja solo? Milheto Soja : | Braquiária Soja Silvio Ferreira - Nós temos levado essa ques- Milho precoce E eo SS To tão sem maiores problemas. No início, chegamos a O uandi S SS ÍA MilhS aplicar doses recomendadas para o preparo conven- Crotalária Soja/Milho cional em superfície. Aparentemente, não tivemos ger Soja/Milho problemas de doen de imobilização ou Nabo SoJa/Milho IEA ças, de 1mo aç | Marnona Soja/Milho desequilíbrio na absorção de nutrientes. No momen- Sorgo Sã acho que poderemos até plantar em pastagens Milheto | : | egradadas ou campos nativos sem correção que as ECUSRas Algodão respostas de produtividade serão boas. Colonião RPD- Ea parte de controle de pragas, o pro- No quadro a cima, especificamente na segunda coluna blema dos corós tem sido grave?

(safrinha) as culturas descritas sem destaque expressam que a Cultura terá seu potencial produtivo parcialmente alcançado enquanto que as descritas acompanhadas de asteriscos e/ou sublinhadas poderão ter todo o potencial produtivo alcançado Nas culturas descritas em itálico, a área será liberada antecipadamente em uma época mais favorável ao plantio. Portanto deve-se utilizar culturas de maior valor agregado, como por exemplo feijão, milho, trigo e sorgo. A terceira coluna (próxima safra) indica as culturas que poderão suceder podendo ser preferencialmente soja/milho, quando assim mencionados ou quando isoladamente, sendo que no último caso necessariamente para não quebrar o sistema de rotação com graminea X oleaginosa/leguminosa/folha larga. Quando a cultura do milho vem acompanhada de asterisco, significa que deve ser feit um manejo adequado do fertilizante nitrogenado, É Silvio Ferreira - Existem duas pragas que Incomodam bastante: o coró e o percevejo castanho. O coró está nas pastagens e aparece nas áreas onde o plantio direto ainda está se estabelecendo. Tivemos ataques, que foram controlados com a aplica- Í ção de inseticidas na linha de plantio. Detectamos : Coros em lavouras com vários anos de plantio dire- : to, mas eles não tem causado prejuízos. Quanto ao ú percevejo castanho, tenho a certeza de que ele não à esta relacionado com plantio direto porque observa- ã dt mos | : h- Por último, o algodão, por ser uma cultura de ci *> aAvOuras de preparo convencional que foram ate = não se consegue utilizá-lo em safri : SS UAI M/AgE; Mais atacada ] Ta Porém, será instalada ant ã Sta AS nar AZTRA: plantio di *! pela praga do que em lavouras sob à da eriormente uma cobe ntio direto | 2 gramínea com objetivo de produzir palhada, SN o. Mas, quando atacam, convenhamos E.

que ambos sã ES S Soosas Fetenibro: os são duas pragas bastante prejudiciais. & Revist o Di à Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998