Quem também planta na mesma região e conta com o mesmo tempo de plantio direto é o produtor José Roberto Brucelli, que dirigiu o CAT até maio deste ano. Membro atuante da APG e de outras entidades ligadas à agricultura, ele considera que o Clube Amigos da Terra foi ganhando confiabilidade no decorrer do tempo, o que gerou um crescimento da entidade e do plantio direto em toda a região. “Na nossa fazenda de 1.800 ha estamos com 100% de plantio direto, com uma rotação permanente de 2/3 de soja e 1/3 de milho. no verão. Na área de milho, plantamos safrinha de feijão e na área de soja precoce, colhida até o dia 1º de março, plantamos safrinha de milho Nas áreas de soja colhidas após esse período, entramos com sorgo e, a partir de 30 de março, plantamos milheto e aveia preta. Temos palhada o tempo todo, embora a degradação da massa aconteça de maneira muito rápida nas regiões tropicais e, na época do plantio das culturas de verão, a palha que protege o solo é reduzida”, relatou José Roberto Brucell:.
Terminada sua gestão na direção do CAT, Brucelh: está trabalhando, junto com outros produtores e entidades, na efetivação do Programa Renda Real. Apesar do plantio direto estabelecido, segundo ele, é preciso viabilizar o produtor dentro da porteira, para entrar em outra questão fundamental: a viabilização da agricultura no Centro Oeste. “Se não tomarmos algumas medidas, em função da localização geográfica e dos altos custos, a produção de cereais do Cerrado está caminhando para a inviabilidade.” Para o ex-presidente do CAT, a comceidência das safras do Cerrado e do Sul desfavorecem totalmente os produtores do Centro Oeste em termos de comercialização, afetando negativamente 1tens importantes como preços dos produtos primários, preços de fretes e época dos pavzamentos das dividas contraídas pelos agricuitores da região para o plantio da safra. “Para nós, arma enfaticamente José Roberto Bruce!l1, o vencimento das nossas dividas teria que ser no segundo semestre, para nos dar flexibilidade na comercialização, Já que somos os formadores dos estoques reguladores do país.” No seu entendimento, o aumento da produtividade proporcionada pelo plantio direto é o que tem viabilizado a agricultura no Cerrado, e, se não houver uma parceria entre produtores, multinacionais do setor e o Banco do Brasil para resolver essas questões básicas, mesmo com o aumento de rendimento/área, a agricultura regional, não só de Rio Verde e Go1ás, mas de todo o Centro Oeste, pode ser inviabilizada.
Comigo também apóia o plantio direto “Na área de soja, nós já plantamos cerca de 70% sob plantio direto”, afirmou o produtor Antonio Chavaglia, presidente da Comigo - Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Ltda..
com sede em Rio Verde. Segundo Chavaglia, a Comigo planta cerca de 60% da soja semeada em Goltás, o que representa cerca de 500.000 ha, abrangendo outros municípios como Santa Helena e Acreúna. “O plantio direto aumentou bastante nos últimos 5 anos e hoje ele é um fato estabelecido entre nós”, disse o presidente da Comigo, que faz 100% da sua lavoura de 8.100 ha com semeadura direta, introduzida há 4 anos. As fronteiras a serem trabalhadas são principalmente na cultura do algodão e do m1- lho, nas quais ainda o preparo de solo domina.De outro lado, segundo Chavaglia, a safrinha de milho, trigo, sorgo e feijão, que envolve uma área de 150.000 ha na região de abrangência da Comigo é praticamente toda ela feita em plantio direto. “Exceto nas áreas de algodão, onde os produtores ainda precisam fazer terraços muito altos, a erosão está controlada, em função de um trabalho de conscientização que estamos fazendo há longo tempo , f1- nalizou.
Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1995 Antonio Cavaglia: o plantio direto é um fato estabelecido entre nós