cultivo da soja teve início nos cerrados do Maranhão e Piauí na década de 70, através de imigrantes gaúchos a procura de novas fronteiras agricolas.
A partir de 1991, a produção de grãos foi impulsionada pela criação do corredor de Exportação Norte, um programa de parceria da Companhia Vale do Rio Doce, Embrapa-Soja, Banco do Brasil e Secretaria de Desenvolvimento Reg!- onal, que proporcionou o retorno do crédito agricola de investimento e custeio de safra, c comercialização a preços de mercado mundial da sOJa.
Balsas, no sul do Maranhão, sc tornou o centro de referência para esta região de produção, Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1 9958 Nelson Freire Machado Engenheiro Agrônomo da Fapcen Nelson Freire no Maranhão estando situada a 400 km de Imperatriz e 790 km de São Luis, com população de cerca de 50.000 habitantes. À cultura da soja se expandm rapidamente nos municípios adjacentes a Balsas, apresentando áreas expressivas os municipios de Tasso Fragoso, Riachão, São Raimundo das Mangabciras, Sambaíba, Alto Parnaiba e Grajau.
Outra cidade com potencial de se tornar centro de referência é Paragominas, no Pará. Situada a 12 km da rodovia Belêm-Brasilia, está a 240 km da Ferrovia de Carajás (em Açailândia, MA) c a 300 km de Belém. Outros municipios do Para. como Ulianópolis. Rondon do Pará, Bom Jesus do Tocantins c Redenção estão engajados ao pro- Machado conduz áreas experimentais de coberturas verdes para o plantio direto; avaliação de herbicidas e fungicidas; definição dos niveis ótimos de macro e microelementos no solo, na planta, e relação custo beneficio da aplicação desses elementos aplicados via solo e foliar.
gresso de pesquisa e já apresentam áreas comerclais em expansão. Essa expansão da cultura da soja por toda a região do Corredor de Exportação está sendo viabilizada pela pesquisa de novas cultivares de soja, desenvolvidas pela Embrapa Soja, atraves de seu Campo Experimental de Balsas, MA, em convênio com a Fapcen - Fundação de Apoio a Pesquisa do Corredor de Exportação Norte. Esta parceria tem permitido o lançamento de cultivares de soja resistentes às principais doenças que afetam a cultura, bem como ampla adaptação às xOS. condições de cultivo em regiões tropicais de baixa latitude.
Outras linhas de pesquisa foram iniciadas na Safra 97/98, tais como: avaliação de híbrido e cultivares de milho, arroz, feijão e sorgo; estudos de épocas e densidade de plantio; avaliação Preço da soja O preço da soja no Maranhão é comparável a algumas regiões do Paraná, devido à logistica de transporte que confere fretes a custos mais bar- Quadro 1. Preço da soja no Maranhão Preço (R$/sc. 60 kg) | Preço (RSA) Região de atuação da FAPCEN e Ponto de Pesquisa Obs.: Preços médios praticados no mês de maio. Fonte: Ceval, Cargill e Buriti Brasil - Balsas, MA.
— —— = Ferrovia Carajás e Norte/Sul mB Trecho em construção da Ferrovia Norte/Sul ecsceocsc Rodovia BR 230 (Transamazônica) trecho Balsas-Estreito 21º 16 À : EAR Solos Pará e /-” Maranhão 19% À 8 Ceará Rio Grande ; fo o e À região de produção do Corredor de Ex- 20 “es ta Piau Paraiba portação Norte abrange o sul do Maranhão, sudo- E SFENRUSS este do Piauí, nordeste do Tocantins e Pará, representando aproximadamente 6 milhões de hectares Tocantins O VA agoas ; | | 23 E aos agricultáveis, localizados entre as latitudes 3º e 9º Bahia Sul.
Mato Grosso No Maranhão, Piauí, Tocantins e sul do Pará ) predominam áreas de cerrado, com vegetação leve, em dois gradientes de altitude, respectivamente 300 a 400m e 500 a 600m, prevalecendo latossolos com teores medios de argila em torno de 30% e Goiás Minas Gerais 1 - Balsas - Rio Coco - Faz. Tozi - MA 2 - Balsas - Campo Experimental Gerais de Balsas - MA 3 - Carolina - Faz. Cintya - MA 4 - Riachão - Faz. Bacuri - MA 9 - Sambaiba - Faz. Solta, Serra do Penitente - MA 6 - Tasso Fragoso - Serra do Penitente (Faz. Parnaíba) - MA 7 - São Domingos do Azeitão - Faz. Nº Srº do Carmo - MA 8 - Grajaú - Campo Experimental Batavo 9 - São Raimundo das Mangabeiras - Faz. Serra Vermelha - MA 10 - Chapadinha - MA 11 - Fortaleza dos Nogueira - Faz. Agroserra - MA 12 - Uruçuí - Faz. Redenção - P| 13 - Baixa Grande do Ribeiro - Faz Boa Esperança - Pl 14 - Santa Filomena - Univerde - PI 15 - Bom Jesus - P| 16 - Paragominas - PA 17 - Ulianópolis - PA 18 - Rondon do Pará - PA 19 - Bom Jesus do Tocantins - PA 20 - Redenção - PA 21 - Santarém - PA 22 - Pedro Afonso - TO 23 - Gurupi - TO baixos índices de fertilidade.
No Pará, nas regiões de Paragominas, Rondon do Pará, Ulianópolis, Bom Jesus do Tocantins e Santarém predominam solos de mata 4mazonica, com vegetação densa, ou áreas que Já foram desmatadas, onde, atualmente, a maioria delas está com pastagens degradadas. Prevalecem latossolos com teores médios de argila de cerca de 20%, baixa presença de alumínio e índices de fera bem mais elevados que os solos de cerra- O.
Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 Quadro 2. Dados pluviométricos da região de Balsas (cidade) = O o se o DO NM (O e. NO O — (o 16O a Te |. :
o 1990/91. | -- Em EEE Set. | out. E TARA === 18 er [14 ce dA? [90,5 (O [O | (Oo (O S + É Se do fr | 8/88/28]! | — O S | — e — 1 EN para hi. (O | J [DO — |O) — [I(O| Fonte: Embrapa Soja/ C.E. de Balsas Dados pluviométricos A região é favorecida por precipitações abundantes no periodo de novembro a abril, com possibilidade de ocorrência em menor intensidade nos meses de outubro e maio. Nos demais meses praticamente não chove.
Essa distribuição permite o plantio de soja nos meses de novembro e dezembro. A ocorrência de veranicos é mais frequente nos meses de janeiro e fevereiro, em algumas regiões.
No quadro 2 são apresentados os dados pluviométricos da região de Balsas. Expectativa de produção na Safra 97/98 A área cultivada da região do Corredor de Exportação Norte cresce, em média, a uma taxa de 20% ao ano, o que requer investimentos em infra-estrutura que dêem suporte a esse crescimento. A inclusão de áreas novas, com menor potencial produtivo não tem permitido o aumento da produtividade média da região, que estã na casa dos 2.100 kg/ha. Porém, as áreas mais antigas estão alcançando produtividade acima de 3.000 ko/ha.
A área plantada em 97/98 foi de 149.810 ha no Maranhão, estimando-se uma produção de 304.500 toneladas.
Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 NO tn A o —) | mb | md —. sloN Nilo >) A H : : (ão — e) =. o — | o NM Abr | Mai | tun (dat | Totar — | — NI) [==< [NO co | O [O O 1 [= OI INJO 2) — O) — — O — + >) Para a região do Corredor de Exportação Norte as perspectivas são ainda mais animadoras, prevendo-se na 97/98 o plantio de aproximadamente 205.000 ha e uma produção de 430.100 t, conforme quadro 3.
Plantio Direto O Plantio Direto (PD) foi introduzido na região do Corredor de Exportação Norte pela necessidade de minimizar a erosão provocada pelas chuvas intensas e, principalmente visando manter a umidade do solo durante os frequentes verânicos que ocorrem na região. Diversas tentativas para a introdução do PD foram feitas, porém os produtores esbarram nos problemas de deficiência de palha, dificuldade no controle de ervas, falta de máquinas adaptadas falta de orientação técnica.
A partir da safra 93/94, quando foi realizado o 1º Encontro de Plantio Direto na Palha em Balsas, comcidindo com a chegada de imigrantes paranaenses, oriundos da Cooperativa Batavo, berço do plantio direto no Brasil, acostumados com a utilização do sistema de plantio direto, a região tomou novo impulso na adoção desta tecnologia.
De 93 a 98 vem se observando acelerada mudança de atitudes e comportamento por parte da maioria dos produtores. A necessidade de produzir com maior eficiência obrigou os produtores a unirem esforços buscando resolver problemas Quadro 3. Área plantada, produção e produtivid Norte ade da soja na região do Corredor de Exportação Estado Área Produção | Produtividade Área Produtividade (ha) (1) (kg/ha) | (ha) (1) (kaha) | MA (S) PI (SW) TO. PA *Safra 97/98 - estimativa Fonte: IBGE e assistência técnica local.
& comuns. À implantação de grandes projetos trouxe a visão de agricultura empresarial com a aplicação maciça de tecnologia; valorização profissional; aprimoramento técnico com o monitoramento durante todos os momentos de decisão; visão de longo prazo; questionamento frequente do sistema produtivo e planejamento estratégico de todas as fases da produção.
Nesta visão, o plantio direto na palha é tido como a base para o estabelecimento de sistemas Quadro 4. Levantamento de áreas (ha) em plantio convencional e plantio direto no Corredor de Exportação Norte, safras 96/97 e ED na aa ano A ARA SA A TENEATECAA a: Safra Áreatotal PC PD % A ————.ss sssn—n———...ss 96/97 199037 170.358 28679 144 97/98 230.624 162.000 68.558 297 Fonte: FAPCEN Quadro 5. Número de produtores que participaram do levantamento e que praticam plantio direto, safras 96/97 e 97/98.
Safra Total de Produtores que 97/98 BOTAS EA ga o 630 Total 161.715 328.507 Aee RA 204.810 430.100 ”o — - . e. E TE) produtivos, equilibrados e sustentáveis, garantindo ao produtor um maior retorno. A área em PD aumentou em 39874 ha, passando de 14,4% para 29,7% da área plantada. Esse aumento seria ainda maior se excluissemos o aumento de área verificado de um ano para o outro, visto que, trata-se de abertura de área e portanto plantio convencional. Teríiamos, nesse caso, um aumento do plantio direto para 34,4%.
Na safra 97/98. obtivemos um aumento do numero de produtores que praticam plantio direto como pode-se observar no quadro 05. Um dos fatores que contribuíram para o aumento do PD nesta safra, entre outros, foi a notícia de ocorrência do ”El niho” que, entre outras atitudes, levaram os produtores à adoção ou o aumento da áreas de PD.
Asoaéa principal cultura da Região, seguida pelo arroz. O plantio de milho vem sendo estimulado, pela necessidade de rotação de cultura, porém verificam-se problemas de recepção e armazenagem.
Utiliza-se no Corredor de Exportação Norte às segumtes modalidades de sucessões/rotações de culturas no sistema de plantio direto.
o So] a-So la - É a pior situação pois, apesar do longo período de seca após a colheita, a palhada da soja possui baixa relação C/N, decompondose muito rapidamente.
: Soja-Milheto-Soja - E a melhor opção e também a mais utilizada. Existem duas modalidades: soja sobre milheto de uma massa - sistema onde o milheto é plantado em outubro antes do plantio da soja: sobre milheto de duas massas - sistema onde o milheto é plantado ainda após a colheita da soja, produzindo semente que pode ser Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 colhida ou não (1º massa). À semente : que ficou ã no chão, sofre uma gradagem leve em outubro O TUGA Fapcen formando a 2º massa antes do plantio de soja.
A Fapcen - Fundação de Apoio a Pesquisa e Soja-Milheto-Milho-Soja - A percenta- do Corredor de Exportação Norte - “Irineu Alcides gem de milho ainda é muito pequena, devido a Bays”, criada em 27 de Abril de 1993 na cidade falta de estrutura de recepção, secagem e de Balsas. Maranhão, é uma instituição sem fins armazenamento. No entanto há necessidade cada lucrativos, com objetivo de promover pesquisas vez maior da entrada de milho no sistema. na área agrícola, e validar tecnologias de produe Soja-Arroz-Soja - Tem-se desenvolvido ção dos diversos centros de pesquisa para a retecnologia para o cultivo de arroz em áreas Já cul- A do Corredor de Exportação Norte. Sua ua tivadas com soja, com excelentes resultados (até SE esa Se estados dontiaranhão-a Piaui, então o arroz só era cultivado em áreas de 1º e 2º Tocantins c Pará. ! : anos de cultivo). Uma possibilidade muito inte- =... *-Omadaa partir da umião de Interesses da ressante é o cultivo de três culturas em dois anos Iniciativa privada, entre os quais empresários e com a rotação Soja/Milheto-Arroz/Feijão- Sia produtores rurais, é composta por uma diretoria ' executiva com mandato de dois anos, constituída ”e. Soja/ Sorgo-Soja/ Milheto - O sorgo após por presidente, vice-presidente, dois secretários e soja precoce, tem sido opção para alguns produ- dois tesoureiros, além de um conselho curador com tores, porém, frequentemente, falta chuva para 09 membros. completar o enchimento de grãos. A Fapcen instalou nesta safra coleção de di- Parcerias ferentes coberturas verdes, visando estudar sua adaptação na região e oferecer aos produtores Embrapa /Fapcen outras opções de gramíneas e leguminosas, que possuam elevada velocidade de crescimento e resistência a seca, visto que torna-se um grande risco a utilização maciça de milheto (monocultura de milheto), contribuindo para a ocorrência de Um convênio de cooperação técnica e material entre a Embrapa e a Fapcen normatiza esta parceria em que a Fapcen viabiliza as condições de estrutura fisica e material para a condução de projetos de pesquisa na região de abrangência do pragas. Corredor de Exportação Norte.
Este convênio confere à Fapcen exclusividade na multiplicação das novas cultivares lançadas a partir da assinatura do convênio. Os Novas Cultivares O programa de pesquisa evoluw a partirdo — — associados quotistas da Fapcen receberão a seconvênio da Embrapa com a Fapcen. Atualmente mente básica para produção de semente fiscalizasão 22 áreas experimentais no Corredor de Ex- da, pagando Royalties sobre a semente portação Norte, o que permite o lançamento de comercializada. Cabe à Fapcen a distribuição das cultivares com ampla adaptação à essa região. quotas, fiscalização nos campos de produção e Na próxima safra (98/99), o produtor pode- armazéns, zelando pela qualidade do material gerá contar com sementes de boa qualidade e com nético a ser comercializado. As sementes fiscal:- maior potencial produtivo, devendo para 18so pro- zadas assim produzidas, de alto valor genético e cultural. Serão comercializados diretamente ao produtor.
Prevê também uma interação de recursos e trabalho, com o objetivo de implementação de d'- versas linhas de pesquisa em toda a região, além de convênios com outras entidades, como a Potafos que objetiva integração de esforços para a viabilização de pesquisas na área de nutrição de curar produtores de sementes associados à Fapcen. Haverá sementes suficientes para o plantio de mais de 60% da áreas a ser cultivada em 98/ 99. caso todos os campos de multiplicação venham a ser aprovados. As novas cultivares são:
Embrapa 63 (Mirador) MABR 64 (Parnaíaba), MABR 96 -15] plantas, e as interações que possam existir com MABR 65 (Sambaiba) outras áreas de pesquisa, como por exemplo a Serido RCH fitopatologia, manejo e conservação de solos, etc. Carnri RCH Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1996