pode ser misturado na ração, com uma qualidade muito boa de proteínas. Na fixação de nitrogênio o índice é bastante expressivo, com uma estimativa de 60 a 80 kg, similar ao da ervilhaca, com a vantagem Durante a realização da Reunião de Pesquisa Sobre Plantio Direto no Cerrado, promovida pela Monsanto, em março, na cidade de Goiânia, conversamos com o engenheiro agrônomo Luiz Albino Bonamigo, de Bandeirantes, MS, que trabalha na criação de variedades de milheto e guandú, culturas destinadas à cobertura de solo e consorciação com pastagens para a região do Cerrado. Bonamigo é um profissional bastante conhecido em diversos estados brasileiros, pois conduz várias frentes de trabalho, além da atividade de melhorista. Na entrevista que fizemos em Goiânia, ele fez uma análise da questão das coberturas, da importância da integração lavoura e pecuária e dos rumos do plantio direto.
Revista Plantio Direto - Como está a questão das coberturas de solo para plantio direto na região?
Luiz Albino Bonamigo - Nosso carro chefe em termos de cobertura continua sendo o milheto, que é a melhor opção na do proteção do solo, além de outras vantagens conhecidas. Em 1986 e 1992 lançamos as variedades BN 1 e BN 2, respectivamente. O BN 2 é um material que está sendo bastante procurado, pois tem características muito boas de perfilhamento, com vantagens para o Inverno e para o pastoreio, com um ciclo mais longo.
RPD - Quais as perspectivas das novas variedades de quandu que estão sendo lançadas?
Bonamigo - Achamos que o guandu val ser o grande diferencial em termos de cobertura, porque se trata da leguminosa que nos faltava. Ele tem a possibilidade de ser plantado de fevereiro a abril. Mesmo em abril, com pouca chuva, nós temos variedades que se estabelecem. Já temos as variedades Bonamigo 1 e 2 e pretendemos lançar mais duas ou três variedades ao ano. Os primeiros lançamentos são dirigidos especialmente para a renovação e consorciação com pastagens, apresentando um grande diferencial na parte de custos, pois não é preciso inocular. Além disso, são materiais resistentes ao fusarium, que é o grande problema para a persistência dos demais guandús que existem no mercado.
RPD - Já estão disponíveis variedades para culturas de cobertura, antecendendo milho, por exemplo?
Bonamigo - No próximo ano lançaremos duas variedades para produção de grãos, justamente com essa finalidade. Não só para milho, mas também para algodão e até soja, cultura na qual temos bons re- Sultados após guandú. Trata-se de uma cultura com aproveitamento econômico no inverno, porque o grão Revista Plantio Direto Especial Cerrado - do aproveitamento do grão.
RPD - E quanto ao manejo da cultura? Bonamigo - Como não são guandús anuais, plantando no inverno e colhendo com automotriz, haverá um rebrote com as primeiras chuvas. Para milho, a quantidade de massa seria pouca, mas, nesse caso, é possível uma dessecação antecipada, numa operação muito fácil. Para as culturas de algodão ou soja, plantadas mais tarde, a quantidade de massa rebrotada será maior e o manejo também é simples. O atraso não é problema porque você está cobrindo o solo e fixando nitrogênio. Além disso, o sistema radicular do guandú é bastante agressivo, promovendo uma descompactação. Nestes casos, o guandú pode substituir o escarfficador.
RPD - Quais são os projetos que você conduz na área de recuperação de pastagens degradadas?
Bonamigo - Nós estamos conduzindo 17 áreas de implantação e desenvolvimento do que chamamos Campos Demonstrativos para Recuperação de Pastagens em várias regiões, envolvendo diversos estados, desde o Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Golás. Segundo estimativas da Embrapa, existem mais de 50 milhões de pastagens degradas só no Cerrado. Existem propostas de renovação que são tecnicamente viáveis, porém com um custo alto para os produtores que se encontram, na sua maioria, descapitalizados. A grande questão da renovação das pastagens é o recurso financeiro para a aplicação de nitrogênio, que se perde numa grande parcela. No caso do consórcio com guandú, a fixação e à disponibilização do nitrogênio é permanente, a planta derruba folhas e vai formando uma liteira, com Te novação durante o período. Em experimentos condu- Zzidos pela Embrapa, numa área de 197 dias com guandú e capim Tanzânia sob pastoreio, foi coletado material que correspondeu a 70 kg de N disponível.
RPD - Qual o custo da renovação de pastagens com guandú? AE Bonamigo - O custo que nós estimamos e arrobas e previmos o retorno do custo dos inves mentos em 1 ano. Em termos gerais, teríamos do 3 anos sem necessidade de novas coberturas nas pas tagens. Se nossa produtividade é de 25-30K9g ne/ha/ano, e atingirmos um patamar de seria um retorno excelente.
Maio/Junho de 19º -