Dirceu Neri Gassen Pesquisador, Embrapa-Trigo, Caixa Postal 451; 99001-970 - Passo Fundo, RS = DD Fo VV A O — O & E s S uu. l. Introducã Neste resumo objetiva-se apresentar algumas . Introdução : RAE EO O E a S caracteristicas biológicas e estratégias de manejo de Estudiosos da ecologia de insetos sugerem que cupins de importância agricola no Brasil. | Os cupins, nas regiões de clima tropical, desempe- 2. es an nham função semelhante à das minhocas nas reg!- — Caracteristicas biológicas | ões de clima temperado, alimentando-se de celulo- Os cupins, insetos da ordem Isoptera, são agruse, concentrando e acelerando o processo de decom- pados em sete famílias e 14 subfamílias, com mais posição da matéria organica e de formação de de 2200 espécies citadas no mundo 200 delas são húmus. Os cupins, ou térmitas. são insetos SOCIAIS consideradas praga em plantas. No Brasil foram que se desenvolvem no solo, em madeira e nos mais identificadas 234 espécies, em torno de 75% delas diversos ambientes. Em agricultura, os de maior pertencem a família Termitidae. Para a região Su! importância vivem no solo, construindo montes ou — do Brasil (RS, SC e PR), Silva et al. (1968) citaram galerias subterrâneas. as especies Anoplotermes spp., Cornitermes SPP ; À ocorrência de montes é mais frequente em Formitermes cumulans e Procornitermes SA TH areas de pastagens e esporadicamente em lavouras (Iso., Termitidae) causando danos em raízes & cultivadas sob plantio direto (ED). Os cunins'eub, olerícolas, de fruteiras e de mudas de plantas flores terrâneos ocorrem : tais. E rióel em quase todos os ecossistemas S ' ocIars gricolas e florestais Os cupins são organizados em castas 5 o com funções definidas. Os operários fazem à *! 46 | 1 a Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 7a, a coleta e à transformação do alimento, a cons- É no e quase todo o trabalho do cupinzeiro. Os DM Medos são responsáveis pela defesa física ou quisold (toxinas OU substâncias pegajosas) do e e nzeiro. Os reprodutores (rei e rainha) podem UP alguns anos e apresentam grande fecundidade.
RO identificação das espécies é baseada em casticas morfológicas dos soldados. À forma do cupinzeiro pode ser usada para a identificação aproximada de algumas espécies.
Os cupins que constroem montes pertencem à família Termitidae. A espécie Cornitermes cumulans É à Mais conhecida no Brasil, com montes de contornos arredondados e encontrada em áreas sob pastagens. Y Os cupins subterrâneos pertencem à família Rhynotermitidac, sendo Heterotermes sp. o gênero mais frequente. Constroem longas galerias no solo e depositam os ovos em pequenas câmaras. Deslocam-se nas galerias horizontais e verticais no perfil do solo, de acordo com as condições favoráveis de umidade, de temperatura e de disponibilidade de alimento. Em todos as lavouras sob PD ou em pastagens, com abundância de palha ou de excrementos animais, são encontrados cupins subterrâneos que não constroem montes.
A formação de novas colônias ocorre por brotamento, sociotomia e revoada ou enxameamento. A revoada ocorre entre agosto e dezembro. No solo, um rei e uma rainha se juntam e formam o novo ninho. A rainha é distintamente maior do que os demais componentes do cupinzeiro e pode por alguns milhares de ovos por dia, na fase de maior reprodução. Ao morrer, a rainha pode ser substituida por jovens reprodutivas.
mica racter! 3. Hábitos alimentares e danos Os cupins alimentam-se de produtos celulósicos. A celulose é digerida por protozoários ou bactérias no interior do tubo digestivo do inseto. Algumas espécies alimentam-se de folhas, à semelhança das formigas, outras alimentam-se de sementes e de raízes, mas a maioria consome mater1al orgânico. Desempenham importante função na reciclagem de nutrientes e na quebra de substratos em partículas menores na cadeia de decomposição de vegetais.
Em agricultura, apresentam características de- . Sejáveis como a abertura de galerias, especialmente os subterrâneos, e a concentração de nutrientes e de matéria orgânica nos ninhos. Estudos sobre a concentração de nutrientes em cupins-de-monte (Cornitermes cumulans) em áreas de pastagem na- Uva, evidenciaram que a quantidade de potássio, de fósforo, de cálcio e de matéria orgânica foi várias Vezes maior no núcleo celulósico e na capa externa de argila do ninho quando comparado ao solo de fticoo nativa nos arredores do cupinzeiro (Tabeal).
Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 Tabel| a 1. Teores de nutrientes na capa externa no núcleo celulósico de cupim-demonte (Cornitermes cumulans) e no solo de pasta em nati 1993) 9 tiva (Gassen OS Orgânicos, perfeitamente adaptados as condições adversas do clima nas regioes tropicais e subtropicais. Nos desertos da AlÍrica, os cupins concentram nutrientes nos seus ninhos e são considerados os precursores de plantas. Nas regiões de clima temperado e úmido, as minhocas foram adotadas como símbolo da atividade biológica no solo. Nas regiões secas e quentes, os cupins desempenham a função das minhocas na decomposição e na incorporação do material orgânIco.
Os cupins-de-monte causam danos pela área ocupada, pela dificuldade de manejo e de uso de semeadoras e colhedoras.
Nas áreas de arroz-Irrigado e regiões de terras baixas observam-se montículos com forma semelhante ao do cupinzeiro comum. Diferenciam-se pela cobertura externa com gramíneas e outras plantas. Esses montes são construídos por formigas do gênero Camponotus sp. e não causam danos às plantas cultivadas (Loeck et al. 1993).
Em florestas e em cana-de-açucar ocorrem cupins subterrâneos (Heterotermes spp.) causando danos que justificam a necessidade de controle. Nas lavouras sob PD ocorrem várias espécies de cupins subterrâneos que não constroem montes, mas causam apreensão aos produtores. Esses cupins alimentam-se de material orgânico e, raramente, causam danos às plantas cultivadas.
4. Controle O controle de cupins-de-monte passou por três fases distintas. Antes da descoberta de inseticidas sintéticos, adotava-se o controle mecânico atraves da destruição do cupinzeiro. Na segunda fase, com o advento de inseticidas organo-clorados, o controle químico foi adotado de forma generalizada. Com o conhecimento dos problemas causados por insetcidas clorados e com a evolução das teorias de sustentabilidade, hoje, buscam-se outras alternat1- vas para o controle dessas pragas. | A adoção de estratégias de manejo e de controle de cupins depende da espécie e de suas características biológicas. Os cupins-de-monte, em pastagens e em lavouras sob PD, podem ser controlados através da destruição mecânica dos insetos ou através da injeção de inseticidas.
Os cupins subterrâneos, que não constroem montes, encontrados em lavouras, em geral, são úteis e não causam danos que justifiquem a necessidade de controle.
O controle mecânico de cupins adquiriu nova motivação com o desenvolvimento da brocacupinzeira desenvolvida e patenteada no Mato Grosso do Sul (Avila e Goulart, 1992). Este equipamento se assemelha a uma furadeira de solo adaptada a tomada de força de trator. Com este método, o índice de controle atinge 85% dos cupinzeiros.
Destruir ou derrubar o cupinzeiro na parte acima da superfície, além de não matar os cupins, pode provocar o aparecimento de novos cupinzeiros no mesmo local.
Nas lavouras sob PD sugere-se matar os cupins-de-monte com inseticidas nos meses do outono e do inverno e, após, destruir o cupinzeiro para evitar a disseminação da praga, durante a primavera.
Na evolução das castas dos cupins aparecem com destaque os soldados, que tem a função de defesa do cupinzeiro contra inimigos naturais. À capa de argila endurecida nos ninhos e nas galerias é outra forma de proteção contra predadores, especialintamente e siga rijorosamente as aTÓtulo na bula e receita, 'ntos de proteção ' ' UrZ Ido do produto po A ft h | bi SE Pi Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 199º mente o tatu. Durante a revoada, as aves tornam-se predadores vorazes e, para compensar esse controle natural, os cupins liberam milhares de formas reprodutivas ao mesmo tempo.
Para cupins-de-monte, o uso de fungos parece ser uma excelente alternativa de controle biológico. No interior destes cupinzeiros a temperatura é mantida a 20ºC e a umidade relativa em 96%, aproximadamente, através de eficiente sistema de aeração. Este ambiente é protegido contra raios ultravioleta e favorável a epizootias causadas por fungos. Estudos com a injeção de Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae em cupinzeiros (Cornitermes cumulans) resultaram na paralisação dos operários numa semana e a morte dos insetos aos dez dias após o tratamento (Fernandes e Alves, 1991). Os resultados com fungos são promissores, entretanto, ainda não estão sendo comercializados para controle de cupins.
Para os cupins-de-monte, a forma mais eficiente de controle é a injeção de inseticida (liquido, pastilha, pó-seco ou 1sca granulada) através de um orifício no topo do cupinzeiro. Nas lavouras sob PD, essa é a alternativa prática de controle desses cupins. Após a morte dos insetos, deve-se destruir os montes para evitar danos em semeadoras e em colhedoras.
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