Manejo e Controle de Plantas Daninhas em Plantio Direto no Cerrado


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Publicado em: 01/05/1998

pode-se dizer que o plantio direto só evoluiu significativamente no Cerrado a partir do momento em que se conseguiu dominar de modo satisfatório O manejo das plantas daninhas, permitindo a adoção de sistemas de controle que fossem eficientes e de baixo custo. Ou seja, a evolução do plantio direto no Cerrado foi uma conseqiiência da evolução das técnicas de manejo de plantas daninhas, entre outras coisas, e este é um fato relativamente bem conhecido por quem quer que esteja ligado ao plantio direto ou à agricultura no Cerrado. Mas o que poucos reconhecem é que a reciproca também é verdadeira: a evolução do plantio direto no cerrado desencadeou todo um processo de modernização da atividade agrícola que, em última análise, desembocou num sistema extremamente avançado de manejo das plantas daninhas, eficiente e barato. Se considerarmos que a adoção do plantio direto se dá através de 4 passos fundamentais que são a eliminação/redução do preparo de solo, uso de herbicidas dessecantes, obtenção da cobertura morta e uso de plantadeiras especificas, notaremos que 3 destes passos estão diretamente associados ao manejo de plantas daninhas que no processo sofreu substanciais alterações. Mas, mesmo o único 1tem não diretamente ligado ao manejo das plantas daninhas, que é a mudança dos equipamentos usados no plantio, passando de semeadeiras convencionais para plantadeiras específicas de plantio direto, também afetou os programas de controle de ervas daninhas. As legendarias Egan, Semeato e Jumil, responsáveis pelo plantio direto de extensas áreas na abertura do Cerrado, eram dotadas de discos para o fechamento dos sulcos, que faziam um verdadeiro último preparo do solo no momento do plantio, permitindo ao agricultor uma reincorporação da sua trifluralina e a eliminação de mais fluxo de germinação de semeadeira de dicotiledoneas, o que não mais ocorreria no plantio direto.

O primeiro passo na adoção do plantio direto, qué é a eliminação ou pelo menos uma drástica redução do uso de grades para o preparo do solo, teve uma “onsequência imediata, que foi o abandono dos herbicidas PPI (pré plantio incorporados) e a adoção dos Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1995 is Sola à. S A: da Sa plantada no Cerrado, pode ser dita aunrdad . 7o dessa área. O mesmo na cultura do milho. Mas E NbAndonS da nado Ee | ' o abandono da grade trouxe em seu bojo uma outra mudança quanto à pressão exercida pelas plantas daninhas na sua germinação. Enquanto que nos Estados Unidos um agricultor, ao adotar o plantio direto, se defronta com um aumento na pressão das plantas daninhas, no Brasil tem ocorrido o contrario: essa pressão tende a diminuir e isto se deve em parte aos diferentes implementos usados para o preparo do solo. O arado de aivecas. implemento básico nos Estados Unidos, tende a reduzir a pressão das ervas ao inverter as camadas de solo, enquanto que a grade, no Brasil, tende a promover a germinação de camadas sucessivas de sementes. Deixar de usar a grade tende a aliviar a pressão das plantas daninhas. Por outro lado, um terreno não preparado passa a ser mais facilmente tomado por espécies perene, e esta uma das grandes barreiras que o plantio direto teve que vencer na sua evolução no Cerrado.

O Segundo passo na adoção do plantio direto, que é a mudança no tipo de herbicidas usados, trouxe consigo uma sensivel alteração na forma como estes produtos eram e são aplicados. Num plantio convencional, a pulverização dos herbicidas PPI era nivelada por baixo. Tipo de bico, tamanho de gotas, volume de calda, umidade relativa, qualidade da água, pressão e velocidade de pulverização, deriva, numero de gotas por centímetro quadrado, nada disso era motivo de grande preocupação, pois a grade a seguir a tudo corrigia e a tudo nivelava, por baixo. E tecnologia da aplicação de defensivos, com todas as suas variáveis, só se tornou motivo de preocupação quando o agricultor passou a usar os produtos pós emergentes, muito mais sensiívels e portanto mais exigentes, cujos resultados dependiam em grande parte do cuidado com que eram aplicados. Mas o aspecto do plantio direto que mais contribuiu para a evolução no manejo das plantas daninhas foi sem dúvida a necessidade que o sistema tem idas 2 E Á =.

da obtenção da cobertura morta. A palhada é a fonte da maior parte dos benefícios do sistema. Pode-se dizer que plantio direto sem palhada não plantio direto. E. durante muitos anos, a evolução do plantio direto no Cerrado esbarrou em um entrave: como obter palhada sem cultura de inverno. O inverno quente. mas absolutamente seco, predominante na maior parte do Cerrado, era uma barreira à adoção das culturas de inverno, tradicionais produtoras de palha e resíduos no sul do país. Na sua ausência tudo se complicava: perenização de algumas espécies, abundante produção de sementes por outras, formação de cobertura vegetal com vários estratos, dificultando a pulverização e a deposição de calda, basicamente pela falta de competição por uma cultura de inverno. Neste período o plantio direto teve uma certa expansão, vindo a estacionar e mesmo regredir depois em área plantada, devido ao alto custo dos tratamentos com herbicidas para controlar perenes e sucessivas reinfestações. Era o periodo do plantio direto no mato ou diretão, que ainda hoje é muito adotado , sendo basicamente o primeiro degrau na adoção do plantio direto, o de mais baixo nível tecnológico. Através dele, o agricultor percebe que o plantio direto não é bicho-de-sete-cabeças e se familiariza com a tecnologia. Mas deste sistema a cobertura morta obtida é deficiente e desuniforme, seja em quantidade, seja em qualidade. O estágio seguinte na evolução do plantio direto foi o cultivo mínimo, no qual um preparo parcial do solo era feito para, entre outras coisas, eliminar ervas perenizadas. Era novamente a grade nivelando por baixo, num sistema ainda muito difundido hoje e que permitia alcançarm um controle eficiente das plantas daninhas a um custo compativel. Notável foi a contribuição do cultivo minimo para o controle de certas plantas como o desmódio (Desmodium sp.), única e exclusivamente com a aplicação de manejo ou dessecação, além de propiciar um melhor entendimento dos fluxos de germinação das sementes de mato durante o período de plantio. A palhada obtida com o cultivo minimo era mais uniforme, mas ainda deixava a desejar, principalmente em termos de qualidade. O aparecimento de culti- Vares mais precoces e a consequente possibilidade da exploração de uma segunda cultura de verão, a chamada safrinha, equacionou definitivamente o problema da obtenção da cobertura morta, que se cristalizou num estágio mais avançado de plantio direto, chamado de plantio direto com safrinha. O papel da safrinha era, entre outros, o de produzir densa palhada, competindo com as plantas daninhas durante a entresafra, evitando tanto a produção de sementes de várias espécies anuais. quanto a perenização de espécies perenes. Sendo uma cultura de alto N1Sco, raramente a safrinha é alvo de grandes Investimentos, seja em sementes, fertilizantes ou herbicidas. Mas a experiência tem mostrado QUE O USO de herbicidas na implantação e na condução da safrinha e um investimento com retorno garantido, pois permite o controle de plantas daninhas anuais a Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 baixo custo, evitando a produção de sementes (representando grande economia na cultura de Verão subsequente) e o controle de perenes a baixas doses (braquiaria e amargoso acabam sendo controlados no outono a doses bem mais baixas daquelas necessárias para o mesmo controle na primavera/verão). Outros aspectos, como a rotação de ingredientes ativos dentro do programa de sucessão ou rotação de culturas normalmente adotados no plantio direto com safrinha, também tem sido notável contribuição na evolução do manejo das plantas daninhas.

Herbicidas para o plantio direto nos cerrados Comentários gerais Um dos princípios básicos do plantio direto é a eliminação do preparo do solo (ou uma drástica redução no seu número de operações), o que SÓ É CONSE- guido graças ao uso de herbicidas, que é feito em duas etapas bem definidas.

Aplicação em pré-plantio (manejo ou dessecação) É a aplicação feita com um herbicida pós-emergente, não seletivo, visando controlar toda a vegetação existente antes do plantio, seja ela constituída por plantas daninhas ou por culturas semeadas especificamente para a produção de massa.

Aplicação em pós-plantio E aquela feita após o plantio, visando controlar as plantas daninhas que eventualmente venham a reinfestar as áreas plantadas, concorrendo com a cultura e causando-lhe prejuízos. Esta aplicação pode ser feita usando dois tipos bem diferentes de herbicidas. — - Pré-emergentes: são os produtos aplicados apos o plantio, mas antes da emergência da cultura e das plantas daninhas. Agem sobre as plantas daninhas nas fases de germinação e emergência, sendo seletivo para cultura plantada.

- Pós-emergentes: são aqueles aplicados após a emergencia da cultura e das plantas daninhas, sendo também seletivos para a cultura plantada.

Herbicidas recomendados Para se determinar os herbicidas, dosagens, plantas daninhas e outras especificações técnicas adequa- E. às culturas de soja e milho, consultar as recomendações oficiais e rótulos dos produtos.

Importante: é essencial que o agricultor procu- 1e um engenheiro agrônomo para obter a prescrição correta dos produtos e doses a usar, para cada caso, de San com a legislação, via Receituário Agronômimmformações adicionais sobre herbicidas no tio direto . Não há uma recomendação genérica, pois as ..ãoe variam de região para região, de fazenda am da e mesmo de talhão para talhão. O acompas ento caso a caso é importante para garantir pao tados, evitando falhas ou desperdícios, que bonº para o aumento dos custos.

concorrem - Soja: lavouras plantadas entre outubro e a 3º semana de novembro, via de regra, vão necessitar de nerbicidas seletivos para o controle de invasoras após tantio. Lavouras plantadas após a 3º semana de o Pp ro, muitas vezes conseguem ser conduzidas Der Iheita sem necessidade de outras aplicações. Isto ocorre porque à maior parte das plantas daninhas já teve condições de germinar e emergir até fins de novembro, sendo eliminadas pela dessecação. O pouco que vier a emergir depois, sofrerá forte concorrência por parte da soja, não vindo a se constituir em problema, em grande parte dos casos. Todavia, :sto não pode ser generalizado, e o acompanhamento de cada lavoura é que dirá se há ou não necessidade de controle adicional.

- Milho: muitos herbicidas usados na cultura do milho possuem recomendações para aplicações tanto em pré-emergência como em pós-emergência precoce, o que dá ao usuário grande flexibilidade. Caso não haja umidade suficiente para a ativação destes produtos em pré-emergência, é possível esperar até que ocorra alguma chuva, para então aplicá-los, levando sempre em conta o tamanho do milho e das plantas daninhas, que não poderão estar muito desenvolvidos (até 8 a 10 cm para o milho e no máximo 2 a 3 folhas para as plantas daninhas).

- No período entre dessecação e plantio é recomendável aguardar no mínimo 5 dias a aplicação de manejo e o plantio, para que os produtos possam ter sua ação assegurada. No caso de uso de algum herbicida hormonal (do grupo 2,4-D) é essencial que se aguarde de 7 a 10 dias para então fazer o plantio, evitando afetar a cultura ao germinar -Herbicidas na cultura de verão: como já foi dito anteriormente, alguns produtos recomendados para a soja apresentam riscos de injúria para culturas subsequentes como o milho, sorgo, trigo, aveia, milheto e girassol. É recomendável, então, levar em conta estas possibilidades no momento da escolha do herbicida para a cultura de verão.

- O uso de dessecantes na safrinha está na dependência direta do que ocorreu com a cultura de verão. Se ela foi bem conduzida, tendo sido colhida no limpo”, raramente será necessária uma aplicado Beral de manejo, bastando tratar eventuais manchas margens de carreadores. Se na cultura de ve- 1ão houve escapes significativos das plantas daninhas, será conveniente uma dessecação em área total, se possível, dando um intervalo de 7 a 10 dias entre a plao Re Sta Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 gindo de sulcos mal fechados, ora através de densas camadas de capins como o colchão e o timbete, ora através de ralas coberturas de picão e carrapichinho rasteiro. Mas aquelas plantinhas garantiam boas produções a custos muito baixos, mostrando o caminho do lucro, da sustentabilidade e da preservação do solo a todos os que se arriscavam a fazer o PD.

Novidade Uma nova etapa está sendo vencida no que diz respeito aos avanços tecnológicos ocorridos no gerenciamento do problema das plantas daninhas no PD, com o recém introduzido “Manejo Pós Colheita . Como o nome diz, este manejo é representado pelo uso de herbicidas (principalmente glifosate, eventualmente 2,4-D) naquelas áreas onde não será viável o plantio nem de uma safrinha, nem de um milheto para cobertura. Até o ano passado, estas áreas serviam apenas como campos de produção de sementes das mais variadas plantas daninhas, que mesmo sob o rigor do inverno seco conseguiam se reproduzir. Em outras áreas, plantas perenes como o amargoso, colonião e outras sofriam perenização, ficando mais difíceis de serem controladas no verão seguinte. Dependendo do ano, milho e soja voluntários funcionavam como hospedeiros para pragas e doenças. Com a aplicação de glifosate em pós colheita (ou manejo outonal) logra-se evitar tanto a perenização como a produção de sementes pelo mato durante o inverno, o que nos leva a um plantio direto mais econômico, pois a pressão de ervas no verão seguinte será menor, requerendo menos herbicidas, e mais racional, pois muitos agricultores, na ânsia de destruir o mato durante o inverno, chegavam a apelar para o uso de grades e niveladoras. Para quem não tem condições de fazer uma boa safrinha. o manejo pós colheita é a opção mais racional e econômica. o PP GS >. LE. fe hos O -.