Dimensionamento de Terraços para o Sistema Plantio Direto (Denardin)


Autores:
Publicado em: 01/05/1998

Denardin!; Antoninho Berton”””; Ademir Trombetta”*. Rainoldo Alberto Kochhann”'; Humberto Falcão” 1. Embrapa Trigo, Cx. P. 451 - 99001-9/0 Passo Fundo-RS 2. EMATER-RS, Escritório Regional do Planalto, Cx. P. 550 - 99010-001- Passo Fundo-RS 3. EMATER-RS, Escritório Municipal de Passo Fundo, 990/0-010, Passo Fundo-RS 4. Sementes Falcão, Rua Fagundes dos Reis, 565, sala 901, 99010-071 Passo Fundo-RS.

erosão hídrica do solo é o resultado da interação entre os fatores potencial erosivo da chuva, suscetibilidade do solo à erosão, comprimento da pendente, declividade do terreno, manejos de solo, de culturas e de restos culturais e práticas mecânicas conservacionistas complementares. O fator potencial erosivo da chuva e as características topográficas da área, comprimento da pendente e declividade do terreno constituem o componente energético capaz de produzir erosão, e os fatores suscetibilidade do solo à erosão, manejo de solo, de culturas e de restos culturais e práticas mecânicas conservacionistas complementares constituem o componente dissipador de energia.

À erosão, assim interpretada, é efetivamente o trabalho mecânico resultante da ação da energia incidente sobre determinada superfície de terra que foi apenas parcialmente dissipada. Embora os manejos de solo, de culturas e de restos culturais sejam fatores altamente eficazes na dissipação da energia capaz de desencadear o processo erosivo, há limites Críticos em que essa eficácia é quebrada, permitindo, dessa forma, a ocorrência de erosão. Mantendo-se constantes todos os fatores relacionados com a erosão hídrica e aumentando- Se apenas o comprimento da pendente, tanto O volume quanto a velocidade da enxurrada produzida por uma determinada Chuva irão 100 % a energia erosiva das gotas de chuva, contudo, não apresenta essa mesma eficácia para dissipar a energia erosiva da enxurrada que flui na superfície do solo. A partir de determinado comprimento de pendente, as culturas e/ou os restos culturais, bem como o solo, terão seus potenciais de dissipação de energia superados, permitindo a flutuação dos resíduos, o transporte dos resíduos e o sulcamento do solo por baixo desses resíduos. Portanto, qualquer prática conservacionista complementar capaz de manter o comprimento das pendentes dentro de limites em que a cobertura do solo não perca eficá- Cia na dissipação da energia incidente estará, automaticamente, contribuindo para minimizar o processo de erosão hídrica.

O terraceamento é, reconhecidamente, a estrutura hidráulica mais eficaz para à segmentação de pendentes. Contudo, com base em observações empíricas, explicitadas por Martin (1985) e largamente difundidas, de que o plantio direto dispensa o terraceamento como prática complementar para o controle da erosão, desencadearam-se retiradas indiscriminadas de terraços de lavouras conduzidas sob plantio direto na Região Sul do Brasil.

Pesquisa, conduzida através de ação conjunta da Embrapa Trigo, EMATER-RS e Sementes Falcão, teve por objetivo validar o modelo matemático “Terraço for Windows”, um programa computacional desenvolvido por Pruski et al. (1996), para o dimensionamento de terraços em lavouras manejadas sob sistema plantio direto.Esse modelo, que calcula OS espaçamentos vertical e horizontal máximos permissíveis entre terraços, caracteriza-se Por empregar dados específicos da região e da la- VOura em questão, como precipitação pluvial mâxima esperada, para tempos de retorno esti- Pulados, tipo de solo, velocidade de infiltração Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 básica de água no solo, declividade do terreno, manejo de solo, de culturas e de resíduos culturais e altura da crista do terraço que pode ser construído em função das condições topográficas do terreno e do equipamento disponível para a sua construção.

À validação desse modelo teve início em maio de 1997 e foi realizada em uma lavoura de 148,67 hectares, pertencente à empresa agrícola Sementes Falcão, situada no município de Sarandi, RS. O solo da área é um Latossolo Vermelho Escuro de textura muito argilosa, distribuído em topografia ondulada, constituída por pendentes com comprimento médio de 400 m e declividade média de 11 %. Há 12 anos a lavoura vem sendo manejada ininterruptamente sob plantio direto, empregando um sistema de rotação de culturas que envolve soja e milho, no verão, e trigo, cevada e aveias, no inverno. À velocidade média de infiltração básica de água nesse solo, determinada através de simulador de chuva, foi de 72 mm h”. A lavoura apresentava uma estrutura de terraços tipo base larga com gradiente, espaçados entre si cerca de 25 m, possuindo 11,04 ha de canais escoadouros, 2,70 ha de estradas e 1,00 ha de voçorocas, determinando uma área cultivada de apenas 133,93 ha.

O sistema de terraceamento projetado para a lavoura constou de terraços tipo base larga, sem gradiente, com altura de crista de 0,45m, e canal triangular, com declividade da parede a montante de 0,20 mm”. A precipitação pluvial máxima esperada, 130 mm, foi calculada para o tempo de duração de 24 horas, e o período de retorno de 15 anos, com base nos dados pluviométricos da estação meteorológica de Passo Fundo. A partir desses dados específicos da região e da lavoura, o modelo gerou espaçamentos horizontais entre terraços que variaram de 110 m, para declividades entre O % e 4% a40m, para declividades entre 14 % e 20 %, espaçamentos estes sensivelmente maiores do que os determinados pelos modelos tradicionais. Para o estabelecimento da nova estrutura de terraços, procedeu-se a sistematização do terreno, eliminando-se voçorocas, canaiS escoadouros e estradas inadequadas, obtendo-se como resultado a agregação de 12,94 ha à área cultivada, que passou de 133,93 ha para 146,87 ha, com apenas 1,80 ha de estradas em nível. Na área de validação já ocorreram, desde o início do trabalho, precipitações pluviais com características que excederam aquelas esperadas pelo modelo. Apenas no período de 1º de setembro de 1997 a 13 março de 1998, choveu 2.450 mm, sendo que a média anual para essa região é de 1.788 mm. As chuvas de 142 mm, no dia 10 de outubro, e de 125 mm, no dia 30 de Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 outubro, constituem precipitações pluviais com períodos de retorno de 25 e 12 anos, respectivamente. Além disso, ocorreram ainda precipitações pluviais da ordem de 371 mm, no período de 9 a 16 de outubro, e de 325 mm, no período de 29 de outubro a 7 de novembro, sem, contudo, terem provocado danos ao sistema de terraceamento projetado e construído.

De forma conclusiva, pode-se afirmar que a estrutura de terraços gerada pelo modelo matemático proposto foi validada.

Referências Bibliográficas: MARTIN, E. O plantio direto no estado do Rio Grande do Sul. In: ENCONTRO NACIONAL DE PLANTIO DIRETO, 3., 1985, Ponta Grossa. Anais... Ponta Grossa: Batavo/Fundação ABC. p.15-16. PRUSKI, F.F.; SILVA, J.M.A. da; CALIJURI, M.L.; BHERING, E.M. Terraço for windows, versão 1.0. Viçosa: UFV - Departamento de Engenharia Agrícola, 1996. (| disquete + manual do usuário). o ” é bo a 22 ” eo às o i FS ig ã Jd SL O à A da O be Plantio Direto para todas as culturas Eficiência, praticidade durabilidade...

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