Plantio Direto com Riscos Menores (Flávio Faedo, Rio Verde-GO)


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Publicado em: 01/05/1998

Enquanto o produtor não chorar embaixo de uma semeadora, ele não pode ser considerado um produtor de plantio direto”, afirmou Flávio Faedo, um dos pioneiros do sistema em Rio Verde, citando um palestrante a quem assISUTa Ter centemente. Segundo ele, no histórico do plantio direto na região, diversas experiências foram fertas e muitas vezes se perdeu dinheiro porque varias delas não deram certo. Hoje, entretanto, O produtor não precisa chorar, de fato, porque existe um pacote pronto para entrar no sistema, com uma margem de risco muito pequena. Depende do produtor buscar a informação, porque os caminhos estão abertos e ele própio pode ver que está dando certo na prática ', disse Faedo.

Quando iniciou o plantio direto, em 1989, a região carecia de informações técnicas sobre o “Enquanto o produtor não chorar em sistema e ele sofreu com as deficiências, comecando com custos elevados, em função das dosaexemplo, atirmou Faedo. Mas, mesmo com todas as dificuldades, fomos aumentando gradativamente os espaços do plantio direto e, hoje, nossa área mais recente sob semeadura direta tem 4 anos, sendo que a mais antiga ja está com 9 anos.” Além do diploma em administração rural pela Universidade de Passo Fundo, sua cidade de orjgem, Flávio Faedo Já levou alguma experiência em plantio direto quando se mudou para Rio Verde em 1985. Seu pai, Expedito Faedo, foi um dos primeiros a usar uma semeadora Rotacaster, no início da década de 70, no Planalto Gaúcho. “Quando eu saí de Passo Fundo, relatou Flávio, meu pai fazia cerca de 70% da área com plantio direto. Só que aqui eu comecei seguindo as instruções dos escritórios de planejamento e elas implicavam em arar, gradear, incorporar calcário, etc. Em 1989. eu senti que poderia ser diferente e usei a própria semeadora Imasa de que dispúnhamos e iníciel O processo.

No momento, Flávio Faedo tem uma área de 2.250 ha sob plantio direto e suas lavouras servem de inspiração para inúmeros produtores e técnicos que visitam a propriedade, localizada na reg1ão de Montevidm. “Hoje, podemos afirmar que fazemos um plantio ecologicamente correto, evitando a degradação do solo e problemas de polurção nos rios , disse ele na entrevista que nos concedeu, em Rio Verde, no mês de maio. No sua interpretação, na medida que o produtor adota o plantio direto, deve buscar inseticidas que não causem tanto impacto, que não destruam o inseto praga e seus inimigos naturais. Em pouco tempo, segundo ele, haverá uma diminuição na carga tanto de Inseticidas como de herbicidas usados em plantio direto.

— No início da década de 90, os produtores da 'egIdo tiveram a necessidade de trocar idéias sobre plantio direto, seus principais entraves e beneficios, e surgiu a idéia da formação de um Clube s da Terra, o que aconteceu em 1992. Naquele ano, existiam cerca de 2.000 ha sob plantio S bo No ano seguinte, o sistema já contava com . ha O crescimento das áreas com o sistema foi vertiginoso nas safras posteriores. “O CAT teve um trabalho intenso. relatou Faedo, que foi o pri meiro presidente da Entidade. Trouxemos O nseteraa que abordavam técnicas conhecidas TAS Tegiões, trocávamos idéias sobre o que Rev. e UA Sta Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 estava dando certo ou errado, traçamos um caminho e essa tecnologia foi absorvida rapidamente. Planejamos as coberturas, a quantidade dos dessecantes, dos herbicidas pós emergentes, fomos, enfim, fazendo um planejamento de como praticar um plantio direto com menores riscos. Nós criamos algo que deu certo e está trazendo benefício para todos. Nesta safra já tivemos uma área superior a 170.000 ha sob plantio direto na região, o que traz até estrangeiros para ver o nosso desenvolvimento.” Depois que passou a presidência do CAT para José Roberto Brucelli, Flávio Faedo assumiu a direção da APG - Associação dos Produtores de Grãos da região de Rio Verde. À APG é uma das entidades mais representativas e atuantes em todo o segmento agrícola brasileiro, tendo participado em diversas manifestações políticas e técnicas para a evolução da agricultura nacional. Em uma das últimas reuniões do Fórum Nacional da Agricultura, a APG ficou na comissão de soja, milho e sorgo, tendo ajudado a criar uma nova política em relação a essas culturas. Foi a partir de um debate no Fórum Nacional que entidades Revista Plantio Direto Especial Cerrado - Maio/Junho de 1998 regionais, entre elas o CAT, a APG e a Comigo, criaram o Programa Renda Real, que deverá dar um novo impulso na agricultura de Rio Verde e da região.

Nova diretoria, custos e ambiente “Estamos integrando o Clube Amigos da Terra com a comunidade e tentando conscientizar a todos para o fato de que necessitamos ter resultados econômicos, protegendo o ambiente.” As afirmações são do produtor Andreas Peeters, de Rio Verde, que já assumiu a função de presidente da entidade para os próximos dois anos. Andreas possui 2.500 ha sob plantio direto, no Planalto Verde na região de Montevidiu e, até 7 anos atrás, achava que o plantio direto era mais para regiões de clima temperado, onde as coberturas de inverno são favorecidas. “Tentamos o cultivo minimo para resolver os problemas de erosão, disse ele, mas fomos introduzindo o sistema em áreas menores e, a partir de 95, passamos tudo para plan- OPAGANDA