O 6º Encontro Nacional e o Cerrado Brasileiro


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Publicado em: 01/07/1998

agricultura brasileira passa por um momento de grandes transformações em decorrência da abertura comercial, das exigências ambientais e da necessidade de ser competitiva frente às novas condições de mercado. A forte e segura inserção do Brasil nesse cenário de globalização, principalmente através da exploração racional de suas vantagens comparativas, é estratégica sob o ponto de vista de geração de empregos, divisas, segurança alimentar e formação da poupança no campo, conduzindo-se essa atividade em sintonia com a natureza.

O Plantio Direto se constitui na alternativa mais promissora para uma agricultura sustentável nos trópicos, protegendo o solo, a água, o ar e a biodiversidade, estando disponivel para o pequeno, médio e grande produtores. Tem significado também uma alternativa para diminuir Os riscos climáticos que, de forma perversa, têm roubado a oportunidade de formação de uma poupança consistente entre os produtores, principalmente quando associados aos desfavoráveis indices de paridade de preços para o setor primário e aos desequilíbrios provocados por planos econômicos, endividamento e custos financeiros incompatíveis com a agricultura.

O 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha foi mais uma oportunidade para os produtores e demais pessoas envolvidas nesse sistema refletirem sobre os importantes e estratégicos benefícios de se organizarem em Clubes Amigos da Terra, criando-se um elo facilitador nos municípios para essa articulação em torno do Plantio Direto. Foi também um momento para os produtores intercambiarem experiências, especialmente através dos depoimentos que vieram das diversas regiões brasileiras, sob os mais variados temas.

Assim, mais uma vez, a região dos cerrados teve a oportunidade de sediar esse grande evento, podendo exercitar essa integração tecnológica em torno do plantio direto, compartilIhando experiências de todo o Brasil e do exterior. Cada produtor pode conviver de perto com resultados práticos e inteligíveis, que desde os fundamentos básicos para se iniciar no Plantio Direto até os últimos avanços da pesquisa.

O Distrito Federal é um divisor de grandes bacias hidrográficas, no coração dos cerrados, onde se faz palpitar os desejos da Nação. Esse desejo de ver o plantio direto se expandindo está sendo acalentado e forjado pelo trabalho de pioneiros, que iniciaram essa saga mais de 25 anos. Hoje é uma fantástica realidade em expansão exponencial, demandando atenções para que se tenha uma trajetória segura. Que essa mobilização de inteligências e esforços do 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha sirva de motivação para políticas e ações voltadas para uma próspera e perene agricultura sustentável. Este é o desejo de todos os Amigos da Terra.

Revista Plantio Direto - Julho/Agosto de 1998 Sã fer: F =—— e E à. | á is — = .—— : ”SC [| E É ] À 1 7 | À E. o. Pr / | É À HE — E F client |: la. e | ] Fr a. Á E i — ' ea ai : H ai À e — | ; é à Sa NA o * kb % -”. — | SD | bi Faço ss e i | | — Lo —— — . e — no E a. Pr Hess NL TSE A sa EH = | ; | À Á | 1 Ni i é | E % LL. á | TS & O. ” = s s EN & :.. p ; À Nm E BB à a + à: Ls E Ministro da Agricultura e autoridades na abertura do 6º Encontro Nacional em Brasília m público constituído basicamente de jovens, em número superior a 2.000 partici pantes, esteve presentes no 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha que, ao reunir um conjunto inumerável de tecnologias teóricas e dinâmicas sobre o assunto, tornou Brasília a Capital Nacional do Sistema Plantio Direto, no final de junho deste ano. A participação de um publico jovem, que se repete em outros eventos similares, garantiu o sucesso da promoção, no entendimento dos organizadores, já que esta é uma fórmula que projeta a renovação na condução do plantio direto no país para os próximos tempos. O 6º Encontro Nacional foi aberto no dia 16 de junho, nas dependências do Centro de Convenções de Brasília, com a presença do Ministro da Agricultura Francisco Turra, do presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha Manoel Henrique Pereira, do presidente da Associação de Plantio Direto do Cerrado Helvécio Saturnino e de diversas outras autoridades, representando a pesquisa oficial, empresas privadas e associações de produtores.

Para o engenheiro agrônomo e produtor Helvécio Saturnino, presidente da APDC , um dos coordenadores do Encontro, “o evento mostrou como a agricultura brasileira, através do plantio direto, está contribuindo para uma melhor qualidade de vida de toda a população, protegendo o solo, à água, o are todo o complexo de biodiversidade que o Brasil possul”. A APDC e a FBPDNP estiveram juntas na organização, contando com apoio da Embrapa, da Emater, da Secretaria dos Recursos Hídricos e Minerais, do CNPq, Sebrae , das universidades e de empresas particulares. Para Manoel Henrique Pereira, presidente da Federação Brasileira, “o nível de participação no Encontro de Brasília é o resultado da responsabilidade e de uma constante preocupação que os agricultores tem na preservação dos nossos recursos naturalis, pensando nas gerações futuras.” Para Nonô Pereira, o plantio direto, entre tantas outras virtudes, proporciona aos produtores pequenos e grandes meios de lucrar na sua atividade, ao mesmo tempo que preserva, através de ações concretas, os frágeis ecossistemas tropicais de nosso país.

O desenvolvimento acentuado do plantio direto na região do Cerrado e a necessidade urgente de proteger essa imensa e frágil região, sobre a qual avançgamos com uma agricultura convencional e agressiva, levaram à realização do 6º Encontro em Brasília, tal como aconteceu na edição anterior. Entre os demais objetivos, os promotores também quiseram fa- Fer o evento próximo ao poder político, como uma forma de mostrar aos dirigentes da nação que o plantio direto é uma tecnologia prática e objetiva, que está acontecendo no meio agrícola brasileiro, sem nenhum Onus adicional para o país, de produzir alimentos e fibras para a humanidade, preservando nossos valio- SOS recursos naturais. Por isso, na semana de 16 à 20 de junho, Brasília reuniu produtores, estudantes à grande parcela da inteligência técnica nacional ligada ao sistema, tornando-se a Capital Brasileira do Plantio Direto.

Revista Plantio Direto - Julho/Agosto de 1998 Estrutura Um super programa de palestras, sessões tecnológicas, mini-cursos, mesas redondas e painéis tematicos tornaram difícil a escolha dos participantes, diante de tantas opções que se apresentaram na preferências dentro de um verdadeiro cardápio de alternativas, desde como implementar os primeiros passos em plantio direto até as mais recentes opções em termos de agricultura de precisão e biotecnologia. Em função do campo demonstrativo, plantado numa área irrigado, a 80 km de Brasília, os participantes foram divididos em 2 grupos, que se alternaram na visita ao campo e nas palestras teóri- Cas.

No Campo demonstrativo, uma área de 40 ha foi distribuída em 3 sessões, com uma área para demonstração de insumos, sementes e culturas de cobertura; uma parcela para dinâmica de máquinas e implementos agrícolas e uma terceira área para demonstrações diversas, que incluíam também tecnologias voltadas especialmente para pequenas propriedades.

Os painéis temáticos, realizados no auditório principal do Centro de Exposições, onde técnicos e produtores expuseram suas experiências, abordaram 3 itens principais: dinâmica do solo com rotação de culturas e palhadas; controle fitossanitário em plantio direto e como melhorar plantadeiras e técnicas de plantio.

As sessões tecnológicas, repetidas todas as manhãs, aconteceram de forma a proporcionar um aprofundamento tecnológico em questões especificas como fertilidade, assistência técnica,manejo de pragas, manejo de plantas daninhas, rotação de culturas , florestas e outras de interesse regional.

Na avaliação final, fica a constatação de que a energia gasta pêlos organizadores do 6º Nacional de Plantio Direto na Palha para montar um painel tão abrangente e tão interessante do atual estado da arte do sistema em todo o país, poderia ter sido aproveitado por um público maior. De qualquer forma, o sucesso do 6º Encontro foi inquestionável, porque sabemos todos das dificuldades pelas quais passa o nosso setor primário e também que Brasília, justamente por suas características econômicas e de localização, é um ponto caro para a realização de eventos.

No último dia do 6º Encontro, representantes de todos as entidades participantes elaboraram a Carta de Brasília. o Brasilia Bartz é o novo Presidente da Federação Brasileira O produtor rural e pioneiro do sistema plantio direto Herbert Bartz, de Rolândia-PR, é o novo presidente da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. A eleição da nova diretoria da entidade ocorreu no dia 18 de junho, nas dependências do Centro de Convenções de Brasília, durante a realização do 6º Encontro Nacional. Na assembléia da FBPDNP compareceram representantes das diversas instituições e empresas associadas que votaram por aclamação na chapa única que concorria aos cargos. Herbert Bartz substitui na presidência a Manoel Henrique Pereira, de Ponta Grossa-PR, que dirigiu os destinos da Federação desde a sua criação, em 1992, até o 6º Encontro, em Brasília. Nesse período, graças ao trabalho da Federação e de todas as entidades e empresas que participam do complexo plantio direto, o sistema evolui significativamente em termos de área e de tecnologia. Hoje, embora não haja uma estatística definitiva, estima-se que o plantio direto cubra uma área aproximada de 10 milhões de hectares em todo o pais.

Esta é a moldura do quadro em que Herbert Bartz assume a presidência da entidade. Na Sua posse, ele afirmou que pretende lutar, juntamente com os demais membros da diretoria, pelo fortalecimento da Federação e pela continuidade do desenvolvimento do plantio direto como uma forma de agricultura sustentável em termos econômicos, sociais e ambientais. | A nova diretoria possui uma série de planos para alcançar esses objetivos. Um dos projetos maiores será a realização do 7º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha, que deverá ocorrer no ano 2000, provavelmente em Foz do Iguaçu, mas certamente no Paraná, conforme ficou decidido em votação realizada durante a assembléia de Brasília, quando a proposta paranaense suplantou uma segunda opção apresentada por representantes do estado de São Paulo. ih | Com o término de seu mandato à frente da Federação Brasileira, Nonô Pereira assume uma nova jornada, desta vez como presidente da CAAPAS - Confederação das Associações Americanas de Produtores para uma Agricultura Sustentável, cargo para o qual foi eleito em abril, em assembléia da entidade realizada no Fundo Chequén, a propriedade de Don Carlos Crovetto, no Chile.

Revista Plantio Direto - Julho/Agosto de 1998 Brasilia Carta de Brasília O Plantio Direto representa um salto qualitativo na agricultura brasileira, poupando recursos naturais para toda a sociedade. Esse sistema favorece a formação de renda na agropecuária, propiciando efeitos multiplicadores nos setores secundário e terciário da economia, gerando mais riquezas e empregos no interior do Brasil, principalmente ao se conseguir reverter o ciclo de pobreza decorrentes da degradação dos solos e dos recursos hidnicos.

Os produtores brasileiros, ao adotarem o Plantio Direto em cerca de 10 milhões de hectares, estão se alinhando aos compromissos internacionais do Brasil, EXPTEssos na Agenda 21. Isto significa a implementação do manejo racional das bacias hidrográficas com redução de 90% da erosão (perda de solo, contaminação da água e assoreamento de barragens), que representa mais de 100 milhões de toneladas de terra fértil preservadas anualmente. Significa também a redução de 60% no consumo de combustíveis fósseis e a absorção de 76 milhões de toneladas de carbono do ar para cada incremento de 1% no teor de matéria orgânica na camada superficial do solo.

Diante desses expressivos benefícios a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP) e a Associação de Plantio Direto no Cerrado (APDC), durante o 6º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha em Brasília-DF, no periodo de 16 a 20 de junho de 1998, com cerca de 2.300 participantes entre agricultores (pequenos, médios e grandes), técnicos, | pesquisadores, professores, representantes de indústrias de insumos, máquinas e produtores — de sementes, decidiram elaborar essa Carta de Brasília propondo ao governo quemplanteo — Protocolo Verde e outros instrumentos que favoreçam a prática de uma agricultura sustentá- — vel, observando-se as seguintes necessidades:

e criação de condições para que a agricultura brasileira possa se tornar efetivamente competitiva, reduzindo-se o chamado Custo Brasil, propiciando ao produtor maior simplicidade, flexibilidade e capacidade de pagamento diante fisco e os compromissos bancários:

e compatibilização dos tributos sobre máquinas, insumos e outros componentes da produção agrícola brasileira, equalizando-os aos do Mercosul; e financiamento direcionado para a unidade de produção rural sob Plantio Direto, fortalecendo a transferência de tecnologia de fazenda para fazenda, apoiando os Clubes Amigos da =| Terra; e financiamento diferenciado para renova forme a necessidade de cada agricultor:

| : : + estimulos à rotação de culturas incentivando-se o Plantio Direto do milho para interromper a monocultura da soja; e compatibilização do limite de R$ 100.000,00/ rodutor de soj .- “Corredor de Exportação Norte” (Sul do Maranhão e do Piauí). Je-em regiões de jo e implementação imediata das decisões da CPM * implantação de nova forma de Seguro Rural agricultor:

ção da frota de máquinas e implementos con- | do endividamento agrícola; que atenda e garanta a renda mínima do º Ap à difusã ciência e da tecnoloo: Plantio Direto. gla para atender as demandas do e Estímulo às Faculdades de Ag, ronomia a incluir a filosofia de Plantio Diret ISCI- : HM. o Direto nas disci plinas ministradas nos seus cursos. ' Brasilia, 20 de junho de 1998 Associação de Plantio Direto no Cerrado Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha — ENE SE a nr Revista Plantio Direto - Julho/Agosto de 1998