s.——> — Rs. — Brasília Entrevista: Maria de Fátima Guimarães A Importância do perfil cultural) em plantio direto odas as vezes em que fizemos a análise de um perfil cultural de lavouras conduzidas sob plantio direto, particularmente em solos argilosos, encontramos estruturas aparentemente compactadas. Na verdade, após uma avaliação mais detalhada, percebemos que essa compactação é apenas aparente, porque as estruturas apresentam muitas fissuras, que são percebidas atê visualmente. Quando começamos a quebrar a estrutura notamos que essas fissuras são colonizadas por raízes. A planta não está sofrendo e tanto é verdade que a produtividade acaba sendo boa. Como regra, o problema da compactação não é significativo.” Maria de Fátima: ”Como regra o problema de campactação não é significativo” As afirmações são da pesquisadora Maria de Fátima Guimarães, professora da Faculdade de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina-PR. Ela é formada na UNESP de Botucatú, tendo feito mestrado e doutorado na ESALQ, nas áreas de solos e nutrição de plantas. Desde 1981 ela leciona Uso e Conservação do Solo na UEL. Maria de Fátima participou do 6º Encontro Nacional de Plantio Direto em Brasília, tendo abordado o tema Características físicas do solo e o perfil cultural”. na sua apresentação. Um dos trabalhos de pesquisa em que ela participa e que foi apresentado no 6º Encontro, afirma que ”Após 17 de semeadura direta, não foi constatada compactação homogênea lateral. mas sim presença de unidades estruturais de maior ou menor compactação, com variabilidades vertical e horizontal na organização do volume do solo ” Tentamos mostrar as possibilidades de uso do perfil cultural como uma ferramenta para entender melhor a Interação das propriedades físicas, quimicas e biológicas do solo”, disse ela à Revista Plantio Direto, em Brasília. Na ocasião, conversamos sobre alguns aspectos importantes do trabalho realizado pela sua equipe.
Revista Plantio Direto - Quais são as características das pesquisas que vocês estão conduzindo na Fazenda de Herbert Bartz?
Maria de Fátima Guimarães - A partir de 1990, solicitamos ao sr. Herbert Bartz para testarmos esta metodologia na sua fazenda. Então, desde aquela época, nós fizemos alguns perfis, tentando verificar a relação planta/solo em um sistema de manejo definido e como este manejo está afetando a estrutura do solo e, por conseguinte, Como essa estrutura está afetando, de forma benéfica ou não, as raizes e a planta como um todo.
RPD - Quais foram os resultados obtidos? Maria de Fátima Guimarães - Fizemos um comparativo entre 3 áreas: Uma área de lavoura normal, de cul- Revista Plantio Direto - Juiho/A gosto de 1998 turas anuais, com rotação: uma segunda área, com as mesmas características, na qual o rebanho de bufalos era colocado a pastorear após a colheita. num período restrito; e uma terceira área de pastagem não cultivada, que servia para manejo e refúgio dos animais. Também comparamos com um perfil de mata natural. O que constatamos foi que o solo sob plantio direto melhorou quimicamente em relação à mata natural. Trata-se de um dado muito interessante, para uma lavoura com mais de 20 anos de plantio direto. O manejo que vem sendo adotado propiciou uma melhoria quimica e isto é evidente nas análises que fizemos em profundidade.
RPD - E a questão da compactação? Maria de Fátima Guimarães - Nas áreas com ou sem pastoreio nós não encontramos sinais de estruturas compactadas que apresentassem probiemas para o desenvolvimento das raízes. O quadro mostrava estruturas de boa fissuração, com raizes bem desenvolvidas, sem sinais de achatamento ou algo que denotasse impedimento ao seu crescimento. A boa produtividade é o resultado desse manejo e mesmo na área que ficou por mais de um ano sob pastoreio, não encontramos problemas de compactação.
RPD - Nesse estudo vocês estão fazendo comparativos entre plantio direto e preparo convencional?
Maria de Fátima Guimarães - Não, nós estamos apenas trabalhando com perfis culturais em plantio direto. Resultados de outras propriedades sob esse sistema tem mostrado até estruturas Revista Flantio Direto - Julho/Agosto de 19968 Livre Continua Au ac Estrutura micro agregada Caracterização das estruturas do solo sob plantio direto cultural.
maiores que poderiam ser tidas como compactação, mas que apresentam um sistema de fissuras muito Importante, que respondem pelo funcionamento desse solo, permitindo a passagem de raízes, ar e água. Em anos anteriores, foram feitos trabalhos em que se comparavam os dois sistemas. Estas pesquisas foram conduzidas com a antiga Ocepar atual Coodetec. Os resultados mostravam diferenças de compactação. Porém, em algumas sítuações, as diferenças não eram tão marcantes porque o preparo do solo era feito em condições muito boas, os implementos eram usados com umidade e profundidade adequada, o que mascara a realidade na qual os agricultores trabalham.
RPD - À maioria dos produtores, principalmente aqueles que entraram mais recentemente no plantio direto, acreditam que é necessário fazer uma descompactação. Como vocês observam este fato?
Maria de Fátima Guimarães - Nossa experiência tem sido bastante ampla nesse sentido. Temos resultados de Cascavel, Palotina, Rolândia, Cambé e até no Cerrado já fizemos perfis, incluindo varios tipos de pastagens. Em relação a solos argilosos, principalmente, as pessoas tem uma tendência a achar que a necessidade de descompactar é uma fatalidade. Na verdade, precisamos saber o que a planta está sentindo e até que ponto isso é compactação para ela. Enquanto não abrirmos uma trincheira não é possível saber se aquele dado de densidade está realmente impedindo o desenvolvimento das raízes. Temos encontrado situações em que a camada superior se apresenta mais dura mas, se analisarmos com critério, veremos que o sistema radicular está presente. [e pelo método de perfil Brasilia