Josué Pavei Assistente Técnico - Castro - PR O controle de plantas daninhas é uma atividade que avança no mesmo ritmo das atividades agropecuárias como um todo. Com o desenvolvimento de novos produtos químicos para a agricultura, controlar as ervas que concorrem com as culturas ficou mais fácil, desde que tenhamos um domínio sobre as técnicas ligadas a este crescimento. De outro lado, uma parcela do que sabemos agora estará ultrapassado, dentro de pouco tempo. Vem aí a engenharia genética e a biotecnologia, facilitando ainda mais à nossa vida. Isto é ótimo, pois fará com que se redimensione todas as atitudes nesta área e, juntamente com 1Sso, o nosso pensamento, que tenderá a evoluir. Assim, os profissionais da área agrícola terão muito para fazer. É muito bom ver que tudo se renova, pois o contínuo desenvolvimento da raça humana foi uma incumbência dada pelo Criador.
Controle e práticas culturais Existem diversas ferramentas ao nosso alcance para o controle de plantas daninhas nas nossas principais culturas. Podemos usar meios físicos, b1- ológicos, culturais e químicos. Nos primeiros tempos, no controle químico, usava-se uma grande quantidade de produtos formulados por área de lavoura, com alto percentual de princípio ativo imbutido. Às classes toxicológicas também baixaram de maneira confortante. Hoje, trabalhamos na maioria das culturas com produtos de classe III e IV. Dentro de pouco tempo, estaremos controlando ervas com produtos InÓCUOS aos seres vivos.
Existe uma relação íntima entre a presença de plantas daninhas e a biomassa seca da cobertura Tópicos sobre controle de plantas daninhas morta, conforme trabalhos feitos pelo pesquisador Fernando Almeida ( Gráfico 1). De outro lado, quanto mais o solo é revolvido, maior é a quantidade de sementes de plantas daninhas que germinam. Isso significa que a emergência de ervas que concorrem com as culturas está relacionada com as formas de preparo do solo (Gráfico 2). O tipo de cobertura também influencia, selecionando as plantas daninhas que energem a seguir. No gráfico 3 se encontram elementos que confirmam esta afirmação. Após uma cobertura de gramíneas, teremos uma predo- Ss 1:500 = fo > sv & $ 1.200 “e = DE. = 900 DES a ed) DES ST a. DD DES S 600 e -. 4 ” - 3004 vy=1913.05-0.255 x O — 2 r=0.95 ES Plantas Daninhas Biomassa seca da cobertura morta (kg/ha) Gráfico 1. Correlação entre a cobertura do solo (M.S.) e ocorrência de plantas daninhas (M.V.). Almeida, 1984.
Revista Plantio Direto - Setembro/Outubro de 1998 2. o. o... o - E Convencional Reduzido Fonte: Almeida, 1985.
Plantas Daninhas a AAA Gráfico 2. Influência do preparo do solo na intesidade de infestação, medida pelo número de plantas/mº, 63 dias após a operação.
Sementes & Mario José Basso LABORATÓRIO DE ANÁLISE TRIGO - AVEIA - CEVADA MILHO - FEJÃO - SOJA = BR 285, km 142 - Caixa Postal 107 - CEP 95200-000 DE SEMENTES LTDA. Fone/Fax: (054) 231 1132/504 5651 | * Prestação de serviços em análises de VACARIA - RS sementes + Determinação da qualidade física, fisiológica e sanitária de sementes Franqueado Melhor desde a raiz Rua Diogo de Oliveira, 640 - Fone: (054) 314 1585 Passo Fundo - RS FT-2000 2002 2003 COMETA Revista Plantio Direto - Setembro/Outubro de 1998 Gráfico 3. Percentagem de solo coberto por gramíneas e latifoliadas em diversas coberturas mortas, 100 dias após sua formação (Almeida, 1991a).
minância de plantas daninhas de folhas largas e após cobertura de leguminosas teremos uma maior concentração de gramíneas, em função do maior fornecimento de nitrogênio.
Rotação de culturas e relação C/N A rotação de culturas também interfere na quantidade e no número de espécies de plantas daninhas presentes na lavoura. Este fator também é influenciado pela rotação de princípios ativos para o controle das plantas infestantes das diversas culturas. Até há pouco tempo atrás, o produtor que plantasse somente soja, acabaria infestando sua lavoura com plantas daninhas de folhas largas, pois os graminicidas tinham bom desempenho, mas os latifolicidas deixavam a desejar. Hoje, esta questão é mais trangúila de resolver porque temos bons herbicidas para folhas largas em soja e bons graminicidas para a cultura do milho.
De outro lado, a relação C/N na matéria seca das coberturas influencia de maneira determinante a presença de plantas daninhas após o plantio. Quanto melhor a cobertura do solo e quanto maior a relação carbono/nitrogênio (C/N) da cobertura, menor será a presença de plantas daninhas na área (Tabela 1). Com isso, poderemos estabelecer algumas estratégias para controle das plantas daninhas. Se a nossa lavoura for muito infestada, com grande estoque de sementes. é melhor fazermos uma cobertura com gramíneas, manejando-a mais tarde para que à relação C/N seja maior e dure mais na superfície, até a = Gramíneas — Folha Larga Tabela 1. Teores de carbono, nitrogênio e relação C:N na matéria seca de diversas culturas.
Estádio de amostragem Culturas C N C:N Aveia Preta 42,37 1/00 42,37 —grãoleitoso Centeio 43,10 1,92 22,44 grãoleitoso Palha de milho* 4/,00 0,93 64,388 Resíduos colheita cultura fechar. No caso da cultura do milho, é importante não esquecer de suplementar mais nitrogênio na base, no mínimo 30 kg/ha, para que a planta não sofra com a falta desse elemento.
O aspecto mais importante no controle de plantas daninhas é o seu custo final. No quadro 1, apresentamos alguns valores praticados no controle de plantas daninhas nas culturas mais usadas na região dos Campos Gerais do Paraná. É importante ressaltar que não se trata de uma receita, válida para qualquer região. Na verdade, cada caso deve ser exami!- nado de forma específica, porque os aspectos de clima, solo, região e culturas avaliadas tem características que podem mudar o quadro de avaliação.
Revista Plantio Direto - Setembro/Outubro de 1998 ss as daninhas nas culturas de feijão, soja, milho, “di le químico de plant Quadro 1. Custos médios do controle q Pp Campos Gerais do Paraná. (Agosto de trigo, cevada, triticale e culturas de cobertura nos 1998) Dose custo/h Aplicação 7 Cultura Operação Produto I/ha usto/na Custo/ha otal (o FEIJÃO Dessecação Dessecante 1,50 9,39 5,70 15,05 Fr Pós Folhas Fusiflex 0,50 12,94 9,/0 18,64 E Estreitas/Largas Assist 0,50 1,11 1,11 - Pós Folhas Fusiflex 0,50 12,94 2,69 15,79 E Estreitas/Largas Basagran 0,80 15,86 15,86 e Graminicida Vo d. 9,76 9,76 L Assist 0,50 1,11 1,11 o Dessecação Finale 1,50 26,79 9,/0 32,49 = Total 109,81 = Custo total/ha 1.066,41 Lo Y%lcusto 10,30 ie SOJA Dessecação Dessecante 1,50 9,35 5,/0 15,05 Pós Folhas Pivot 0,40 13,81 5,70 19,51 Largas Cobra 0,30 9,91 9,91 Classic 0,04 15,71 15,71 Pós Folhas Graminicida 1d 19,52 2,85 22,37 Estreitas Assist 0,50 1,11 1,11 Total 83,66 gusto total/ha 662,36 /eltcusto 12,68 MILHO Dessecação Dessecante 1,50 9,35 2,85 12,20 Dessecação Dessecante 1,00 6,23 5,70 11,93 Pós folhas Primóleo 2,00 9,22 ! Largas/estreitas Sanson : : ão à 5:0a ! 0,30 12,28 12,28 Assist 0,50 Tt 1,14 Pós folhas | Primóleo 2,00 9,22 14,92 largas/estreitas ata ão 12,28 12,28 Total 111 1,11 Custo total/ha 77,90 Y%lcusto 951,98 8,18 TRIGO Dessecação Desse CEVADA Pós folhas 2,4-D Ester Do E o ae e TRITICALE largas Ally 0,004 da OL ÃO a oo Total : 4,98 4,98 Custo total/ha 23,85 Y%lcusto 485,73 COBERTURA Pós f e ós folhas : Se GRAMÍNEAS largas le ÁS D,20 0,97 5,70 6,67 Total 2,004 4,98 4,98 Custo total/ha 11,65 Yoltusto 46,11 25,20 Revista Plantio Direto - Setembro/Outubro de 1998