Reicosky orgânica do solo Pesquisador do USDA-ARS, do North Central Soil Conservation Research Laboratory, Morris, Minesotta, Estados Unidos.
Nós, que trabalhamos na produção agrícola, temos uma tremenda responsabilidade ao produzir alimentos e fibras baratas e de boa qualidade para a humanidade, enquanto mantemos a qualidade do ambiente. As atividades humanas na produção agrícola associadas à agricultura podem ter uma significativa influência na composição atmosférica do ar que respiramos.
Pesquisas sobre o aquecimento global e o efeito estufa tem deixado todos conscientes da ligação entre o dióxido de carbono atmosférico e os modelos climáticos mundiais. Muitos especialistas predizem que, com o uso contínuo de combustíveis fósseis, a concentração de gás carbônico aumentará e, como consequência do efeito estufa, causará o aumento das temperaturas, que podem causar impacto na agricultura. Outros cientistas sugerem que o efeito estufa causará extrema flutuação e mudanças dramáticas no clima mais do que simplesmente um aumento geral de temperatura.
O solo é o nosso mais valioso recurso para a produção de alimentos e fibras. A importância da matéria orgânica do solo não pode ser subestimada. A matéria orgânica do solo (MOS) ou carbono do solo é uma pequena mas crítica componente e significativamente correlacionada com a produtividade e a qualidade do solo.
A matéria orgânica do solo é o místico, mágico material do solo que o torna rico e de cor escura. A matéria orgânica do solo atua como um armazém (depósito, reserva, silo) para os nutrientes, aumenta a atividade química e biológica no solo e reduz o efeito da compactação. A matéria orgânica também ajuda a construir uma melhor estrutura do solo, aumenta a infiltração e a retenção de água. A matéria orgânica do solo serve como um tampão contra as rápidas mudanças no pH e outros processos químicos. Ela serve como a fonte de energia primária para os microorganismos do solo.
O elemento primário na matéria orgânica do Revista Plantio Direto - Setembro/Outubro de 1998 solo é o carbono. Sua formação no solo é controlada por diversos fatores complexos que incluem água e temperatura.
O manejo das restevas das culturas e da matéria orgânica do solo ou do carbono do solo torna-se de importância primária na manutenção da fertilidade do solo e da produtividade, minimizando o 1impacto da agricultura nas mudanças ambientais. O clima é muitas vezes o fator mais crítico na determinação da sustentabilidade e no aumento da matéria orgânica do solo. Quando as temperaturas sobem, a decomposição da matéria orgânica, especialmente em solos lavrados, é bastante acelerada. Quando as precipitações diminuem, acontece uma diminuição na biomassa produzida pelas culturas para repor a matéria orgânica decomposta.
Aração e perda de matéria orgânica Os altos níveis de matéria orgânica do solo existêntes antes do preparo do solo não duraram muito e tem declinado substancialmente. Nós temos conhecimento dos últimos cem anos em que o cultivo e à produção agrícola em geral resultou na diminuição da matéria orgânica do solo em muitos solos através do país (USA). Historicamente. o intenso manejo agrícola dos solos resultou em substanciais perdas do carbono do solo, numa faixa de 30 a 50%.
— Eevidente que esta fonte tem sido componente Slgnificativa no histórico aumento no dióxido de carbono atmosférico. As pesquisas de longo tempo em Urbana, TMinois (Morrow Plots), em Columbia, Missouri (Sanborn Field Plots), em Stillwater, Oklahoma (Magruder Plots), Pendelton, Oregon (Columbia Plateau Plots) e outras localidades americanas direcionam para a mesma conclusão: à lavração Intensiva diminui o carbono do solo.
O O carbono do solo nas parcelas de Morrow orrow Plots) diminuiu rapidamente nos primeiros anos (3.7%) e depois diminuiu vagarosamente com o tempo para em torno de 1.6% de carbono, em 1588, no plantio continuo de milho. A matéria orgânica nas Parcelas de Morrow ainda está declinando depois de 100 anos de cultivos, mas em taxas menores. A taxa de declínio do carbono do solo foi menor com grãos pequenos e feno, como parte da rotação, do que no preparo convencional, passando dos 3.7% iniciais para 2.5% de carbono em 1988, na rotação milho-aveia-feno. À adição de carbono do solo na forma de esterco e o seu 1mpacto no carbono do solo foram demonstrados em contínuos cultivos de trigo e milho nas parcelas de Sanborn Fields. Sem ester- | co, em milho contínuo, o carbono do solo diminuiu de um percentual estimando inicial de 4% para em torno de 0.8%, em 1962. Com esterco, o carbono do solo diminuiu para somente 1.2%. A adição de esterco de curral diminuiu o declínio no carbono do solo durante os primeiros 20 a 30 anos de plantio intensivo. O nível de matéria orgânica era substancialmente menor do que os níveis da pradaria original e mostrou-se estabilizado de 1940 a 1962. Estes solos podem servir como excelentes retentores para carbono se eles conseguem ser restaurados aos níveis de carbono das pradarias originais.
Nas regiões semi-áridas da costa noroeste do Pacífico, o carbono original do solo nas Parcelas de Columbia Plateau era em torno de 2.0% mas, após 50 anos de cultivo intensivo, caiu para menos de 1.6% com a não aplicação de nitrogênio e as queimas da palha no outono. O cultivo primário era de duas lavrações anuais para incorporar os resíduos de colheita e esterco e muitas operações secundárias de manejo para controle de ervas na cultura de trigo. Entretanto, várias combinações de nitrogênio e fogo na palha e adição de nitrogênio, através de culturas de cobertura fixadora de N, modificou a taxa de declínio do carbono do solo.
Quantidade de palha somente com 25 t/ha de esterco aplicados durante à safra, ficou evidente a manutenção do nível de carbono do solo. No seguimento, enquanto foi Donald Reicosky possível estabilizar a produtividade, afetou a manutenção do carbono do solo porque a oxidação biológica continuou durante o tempo em que não foi adicionado resíduos de culturas, Cultivos para controle de ervas durante o período de pousio podem aumentar a oxidação biológica e causar o decréscimo do carbono do solo.
A grande quantidade de palha de milho na rotação de milho sobre milho nas parcelas de Morrow e Sanborn resultou no mais baixo carbono. Trabalho similar no estado de Iowa mostrou que o nível de carbono do solo variou de forma linear com a quantidade de resíduos incorporados com arado anualmente durante 11 anos em milho contínuo. A quantidade de palha de milho necessária para prevenir uma diminu!- ção no carbono do solo foi de 6 t/ha/ano, comparada com uma biomassa de 4 t/ha/ano.
Cultivos intensivos, que incluíram arado e grade de disco, resultaram em perdas de carbono do solo maiores do que aquela proporcionada pela cultura do milho. No final de 11 anos, onde uma quantidade adicional de carbono foi aplicada, em torno de 17t/ha de resíduos culturais a cada ano, somente 11% desse carbono aplicado permaneceu para aumentar o carbono do solo, além daquele que havia no início do experimento. Mesmo com um manejo intensivo e uma incorporação normal de resíduos, a lavração e a monocultura do milho ocasionaram baixos valores de carbono do solo. Alterações na matéria orgânica geralmente são menores do que | ou 2% ao ano do total da matéria orgânica do solo. Consequentemente, o efeito da rotação de culturas e manejo na matéria orgânica do solo tornam-se significantes somente após muitos anos. Onde um dos objetivos originais do tratamento foi medir a matéria orgânica, poucos registros permaneceram sobre matéria orgânica nas parcelas específicas, em função do tempo. Diversos outros estudos envolvendo manejo e rotação de culturas tiveram outros objetivos primários e os níveis iniciais de matéria orgânica não foram determinados, mas diferenças na matéria orgânica entre tratamentos no final do período estudado foram reportadas. À Revista Plantio Direto - Setembro/Outubro de 1995 38