pequena propriedade é variável com “mm as diferentes microrregiões fisiográficas. Segundo o IBGE (1985), o Estado POSSUI 497.172 estabelecimentos rurais, dos quais 317.24] contemplam estratos de até 20 ha, o que corresponde a 68,8% do total das propriedades rurais gaúchas. Paralelamente, nas Encostas basálticas concentram-se 288.939 unidades produtivas (58,1%), totalizando 4.100.000 ha, distribuídos no Alto e Médio Uruguai, Encosta Superior e Inferior do Nordeste, compostas na sua maio- 16 Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1998 ria por pequenos produtores que, por suas características intrínsicas, são tradicionais no uso de tração animal e humana, representando efetivamente um enorme potencial para a expansão do sistema Eng.-Agr. Itacir José Barreto de Melo Assistente Técnico Regional em Solos, Microbacias e Plantio Direto Escritório Regional da EMATER/RS do Alto Uruguai — Erechim-RS Viabilização do Sistema : Plantio Direto Tração Animal no Rio Grande do Sul plantio direto tração animal.
Atualmente, o RS possui 3.817.000 ha sob sistema plantio direto (EMATER-RS/1998), correspondendo a mais de 60% da área com cultu- Tas anuais de verão, concentradas basicamente em lavouras motomecanizadas. Nessas áreas, praticamente todos os fatores restritivos que estagnaram à ução do processo há duas décadas foram sana evol Foto: Melo, LJ.B., Emater Plantio direto: vantagem para OS pequenos dos. St SNS a Ara hoje com de- ”Quadro 1. Comparativo da demanda de mão-de-obra, sistema conventerminada ÇÕes nas as tradicionais em cional e plantio direto tração animal. (Cultura de milho - 1 tração animal e onde se pratica a agricultura ha).
familiar, principalmente nas encostas basálticas. Situam-se em regiões com solos na- Operações Sistema Convencional Sistema Plantio Direto turalmente férteis, porém degradadas, em de- Horas/Homem Horas/Homem corrência do uso incorreto, apresentando parcial ocorrência de topografia acidentada e pre- Semeadura 2 > sença frequente de afloramentos de rochas. Gradagem  2 É certo, porém, que a evolução de semea- SS NR 20 — doras e equipamentos complementares, prin- E RALPACShA, 5 A cipalmente em relação à sua composição es- - uDação base 3 ia trutural, elementos rompedores do solo e adap- | pD A eo : > 4 tabilidade às diferentes situações peculiares, ES nlavsmo ão. | contribui para a expansão do plantio direto tra- ADlic, herbicidas A SS Ção animal. Outros aspectos importantes são o Capina 5O A planejamento da ocupação do solo conforme Adub. Nitrogenada 3 2 suas aptidões, a observação de determinados | Dobra 35 35 requisitos básicos no início da adoção do sis- | Colheita 15 15 tema. Inclur-se ainda a tendência na quebrade | Totais 110,5 35 paradigmas por parte do produtor, mudando sis- Fonte: Melo 1 J. B. - Emaier temas de manejo e práticas milenares em no- io vas modalidades contemporâneas.
No Brasil, as primeiras pesquisas em relação No RS, a partir de 1993 a EMATER-RS e ao sistema plantio direto iniciaram através do COTREL/Erechim introduziram na região do Alto IAPAR-PR, culminando com o modelo da Semea- Uruguai as primeiras semeadoras tração animal e dora Gralha Azul. matracas manuais para o sistema plantio direto, E IST: ETTA TT à ; Pi E) rt so . À, e! E 1º < i 1. 7 ; À Ma 4 DItécnica ) hp da o A AVilenta 'BIANALATeSTA peer A Herbitécnica e a Defensa uniram-se e formaram a Milenia, que nasce com quase 3 décadas de experiência e já é a maior empresa de agroquímicos genéricos da América do Sul.
/ MILENIA Rua Pedro Antonio de Souza, 400 - CEP 86031-560 -.Conj. Eucaliptos - tel: ( Gráfico 1. Flexibilização e escalonamento de mão-de-obra (mi!- Iho - 1 ha).
Horas/Homem/ha Abr/Mai — Jun/Jul/Ago Set Out Nov/Dez Ja/fe/Mar —Abr/Mai Melo, LJ.B. - Emater/RS.
o PLANTIO DIRETO fa PLANTIO CONVENCIONAL Iniciando em algumas propriedades unidades demonstrativas, acompanhamentos e testes de campo. Em 1995, a EMATER-RS, juntamente com pesquisadores da EMBRAPA/CNPT, extensionistas rurais e produtores, realizaram as primeiras validações, incluindo avaliações técnicas com metodologias científicas e avaliações dos agricultores com metodologia participativa, nos municípios de David Canabarro, Maximiliano de Almeida e Viadutos. ) Na época, utilizamos os modelos de semeadoras em maior evidência no Sul do Brasil (Gralha Azul, Mafrense-MML, Ryc, Iadel e Fitarelli). Entre os principais objetivos buscamos avaliar o comportamento funcional e operacional das mesmas, identificar fatores impulsores e restritivos na adoção do sistema, gerar subsídios para as empresas fabricantes adequarem seus modelos, mediante avaliações Integradas Gráfico 2 Evolu entre extensão rural, pesquisa, fabrican- milho, sistema p tes e produtores rurais. Vicente Lise - Rio Este trabalho persiste até hoje, com grande evidência, em dez municípios da região do Alto Uruguai e Planalto. Para- o — Po nRmo lelamente, a COTREL/EMATER-RS,as- || sistindo várias propriedades TUrais, acom- E 4.920 A A panham a evolução técnica e funcional Sa — A de máquinas e equipamentos, bem como voo E socIO-econômicas em nível de propriedades, visando tê-las como pólo de difusão e multiplicação tecnológica, incluindo mais de cingiienta unidades demonstrati- Vas nessa área de ação.
78 Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1998 Apesar dos inúmeros entraves Iniciais, ocorre uma grande adesão de novos produtores, anotando-se uma expansão de área sob o sistema plantio direto tração animal e plantio manual com matracas no estado, principalmente na região do Alto Urugua!. | Outro aspecto importante é a geração de diversos modelos de semeadoras, matracas e equipamentos complementares principalmente no RS e SC, adaptados e apropriados às diferentes peculiaridades de cada propriedade, principalmente em relação ao relevo e topografia, ocorrência relativa de afloramentos de rochas e outros impedimentos físicos na superfície do solo.
Segundo enquete realizada com dezenas de produtores, entre os fatores impulsores do plantio direto, a redução da mão-de-obra é o componente que mais influi na tomada de posição e grau de satisfação para a adoção do sistema.
Em relação ao comparativo da demanda da mão-de-obra entre os sistemas convencionais e plantio direto tração animal, utilizamos várias metodologias como validações participativas, acompanhamento a unidades demonstrativas, enquetes e entrevistas com diversos produtores, extensionistas da EMATER-RS e COTREL. além de referências de Porch 1985, Araújo 1990 e Darolt 1995.
Como resultado, expresso no quadro 1, o diferencial para a formação de 1 ha (horas/homem), na cultura do milho, representou 68,3%, nas situações e sistemas testados, demandando em média 110,5 horas/homem para o convencional e 35 horas/homem no plantio direto, englobando operações para implantação de culturas de cobertura até a colheita e milho.Por outro lado, comparando O caminhamento do agricultor em plena ação de tra Negro - Erechim-RS).
Melo, 1LJ.B. - EMA PERÍODO AGRÍCOLA TER/RS Maciel A A Spada,R.V. - COTREL ção da produtividade na cultura do H lantio direto tração animal (Luiz e — > balho, para os sistemas testados, ele caminha 155 meadoras, a utilização de “ As km no convencional, enquanto que no plantio à; Tas, 1ização de “matraca ou saraquá falu redunse para 6S km. É q plantio di- com bicos adaptados, são comumente utilizadas O A WeSadora Qe e. E MINO ressaltar no plantio direto, tanto nos produtores citados, qu Ena Seinodidad pulverizador testados apre- como nas inúmeras propriedades do Alto Uruguai. E abulho Ss ontndo k
dos tempos, desde o início da prática de agricultura até a época contemporânea. A redução significativa da mão-deobra familiar permite ão usuário de Se Quadro 2. Agregação de novas atividades no sistema de produção. Redu- : : — ao “ il ba — . Z: E ã . . ”” . . tio direto o melhor escalonamento e flexi- í âss EISANTERS da mão-de-obra no sistema plantio direto - Luiz e Vicente bilidade da mesma, minimizando acúmulos e picos na jornada de trabalho em determinadas épocas do ano, com maior evidência nas operações tradicionais de preparo do solo e capina, conforme gráfico 1. Tal fa- PERIODO AGRÍCOLA NOVA EXPLORAÇÃO tor propicia a agregação de novas ativida- 1993 — 1 ha Citros des no setor agropecuário, abrindo ainda : 1994 — 3 ha Reflorestamento espaços para oportunidades de aperfeiçoa- é mento técnico, profissionalização e 1995 — 1 ha Pêssego O 1996 — 14 matrizes gado de leite Em relação ao incremento de produ- D tividade (gráfico 2), apresentamos da pro- ES 1 ha de Nectarina 1998 — 200 suínos em terminação priedade dos produtores Luiz e Vicente Lise, localizada na comunidade de Rio Negro/Erechim-RS, acompanhadas historicamente desde 1992/93, através da Fonte: Cotrel - Emater, Maciel, A.A. e Spada, R.V.; Melo, L.J.B. - Erechim-RS. COTREIL/EMATER-RS, sob todos os aspectos técnicos e gerenciais. O aumento da produtividade prop!1- ciou a redução da área de plantio tradicional do milho e a inclusão da cultura do feijão (safra e sitivamente no sentido do plantio direto tração anisafrinha), sem detrimento da produção do primei- mal ser um sistema técnico e economicamente ro. Atualmente a família Lise utiliza o sistema 3:1 viável, contribuindo significativamente na redu- (6 ha de milho e 2 ha de feijão). Entre outros fato- ção do processo erosivo, melhorando as condições res, os altos índices de produtividade alcançados físicas, químicas e biológicas do solo, aumentanestão diretamente ligados a uma rotação de cultu- do a produtividade das culturas, proporcionando ras programada, alternância e diversificação de es- sustentabilidade e não agressão ao ecossistema lopécies de plantas de cobertura do solo com apro- cal, priada densidade e manejo corretos. Inclui-se amda a utilização de adubos orgânicos de origem an!- mal, sistematização da área no início da adoção do plantio direto e a redução significativa da erosão propiciando melhoria gradativa da fertilidade do solo.
É importante lembrar que, em áreas de relevo acentuado com ocorrências de pedregosidade e outros impedimentos físicos que limitam o uso de se- Sem incremento de mão-de-obra na unidade de produção.
SA SS CSS CSS CSA SS SM Todos esses fatores expostos convergem po- O homem, como fonte de potência, sob o ponto de vista estritamente físico, está longe da verdadeira posição que deve ocupar nos trabalhos agrícolas, na época contemporânea. * É por meio da mecanização agrícola que se promove a subst1- tuição do trabalho rude, penoso e escravizado do homem-motor, por outro concordante com sua condição de pessoas humana, a do homem operador de máquinas . a Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 19938 1”