experimentação realizada ”Z | pela Fundação ABC é feita em ms E plantio direto, com exceção da cultura da batata. Para nós, o plantio direto é base de sustentação na região de abrangência da nossa Instituição e o desenvolvimento das pesquisas é baseado nesse sistema.” As afirmações são do engenheiro agrônomo Marcos Valentini, atual diretor técnico da Fundação ABC, de Castro-PR, entidade responsável pela pesquisa e difusão de tecnologia das cooperativas Arapoti, Batavo e Castrolanda que atuam na região. A Fundação ABC, que completará 15 anos em 99, sucedeu à Central Técnica das Cooperativas e também foi um dos principais vetores na criação de tecnologias e desenvolvimento do plantio direto não só na região dos Campos Gerais mas em todo o Brasil e na América do Sul. Desde os primeiros tempos em que o sistema se estabeleceu em Castro, Tibagi, Palmeira, Ponta Grossa e outros municípios da região, no final da década de 70, os engenheiros agrônomos da entidade, como Hans Peeten, Carlito Los e João Carlos de Moraes Sá- Juca, entre outros, levaram o conhecimento sobre plantio direto a inúmeros recantos das regiões das doenças de final de ciclo”, disse Olavo em Passo Fundo. “Com o surgimento do oídio, a questão tornou-se mais importante ainda porque a área plantada com soja nas cooperativas do Grupo alcança 90 mil ha e a cultura é a âncora econômica dos agricultores.” Para ele, é fundamental dar uma resposta rápida ao produtor, porque os resultados em termos de produtividade afetam a economiíicidade do esquema produtivo. Isso ficou bastante claro na apresentação do economista Han Van den Berg, durante as palestras realizadas no auditório da Embrapa Trigo, naquela ocasião. “O agricultor precisa computar todos os custos e calcular os itens que influem na produtividade da lavoura”, disse ele. Para Berg, os produtores da Fundação ABC tiveam um ganho de 600 mil dólares na safra 96/97 como controle das doenças da Soja, num percentual tratado de apenas 18% da área total.
Durante a estada dos técnicos da Fundação ABC em Passo Fundo, conversamos sobre vários aspectos do trabalho da entidade e da agricultura à eo SANAco Gerais. Áqui, apresentamos alguns o Sel E eo eRDOS da conversa que tivemos com ponto de Sao tar 22 e ruink que expôssal a de como estão se desenrolando os trabalhos atuais e F as perspectiv ra os próx! mos tempos. perspectivas para os p Crescimento economico e pesquisa entin ja Escola S 1 é formado em agronomia pe uperior de Agr; iróz, em 1984. DD Depois gricultura Luiz de Que | e pesquisa e e demanda de pesq a nova era de mata. ciais transgênicos que se aproxima?
Marcos Valentini - Nós temos uma demanda muito grande de pesquisas na área de fertilidade, envolvendo itens como adubação a lanço, aplicação antecipada de nitrogênio, micronutrientes, stc. Temos também, mais recentemente o comlexo de doenças da sOJa, que nos levou ao estapelecimento de experimentos e pesquisas, em — conjunto coM à Embrapa e outras entidades. A area de manejo e controle de plantas daninhas está se preparando para a biotecnologia, com objetivo de antender o impacto da entrada dos materiais transgênicos dentro do sistema plantio direto. Nós estamoS participando como observadores junto a Monsoy e este ano vamos iniciar alguns trabalhos com milho transgênico, no campo experimental! de Ponta Grossa. A nossa área de economia e administração rural também é muito importante, porque está ligada diretamente ao produtor, verificando as dificuldades econômicas das propriedades. Quando aparece um problema econômico, uma luz de alerta é acesa e saimos em busca de uma radiografia da situação, para propormos uma solução.
RPD - Qual a área coberta pela Fundação ABC? Existem planos de extensão das atividades?
Marcos Valentini - O Grupo ABC planta cerca de 150 mil ha na região dos Campos Gerais, sendo 90 mil ha de soja, 40 mil ha de milho e 20 mil ha de feijão. No momento, estamos firmando um convênio com produtores de libagil, que agregará mais 50 mil ha. A Fundação começa a buscar parceiros, dentro de um plano elaborado, no sentido de ajudar produtores que sempre usuiíruíram dos nossos resultados. No caso da Holambra, estamos debatendo a possibilidade de fazer um monitoramento da pesquisa à distância. Anteriormente, tivemos convite do Paraguai, onde existe uma demanda intensa por pesquisas relacionadas a plantio direto, mas não estávamos estruturados para isso. A experiência com a Holambra será importante para futuras decisões.
RPD - Quanto custa para o produtor o trabalho da Fundação? Marcos Valentini - O produtor do Grupo ABC contribui com 4,92 dólares/ha/ano. Estamos tentando baixar esse valor para 1999, tentaremos chegar aos 4 dólares/ha, menos do que meia saca de Soja. Apesar de ser um valor pouco expressivo, Os produtores sentem o fato de que foram eles que pagaram a conta durante esses 15 anos.
SSes 4,92 dólares/ha/ano pastos da Empresa? Marcos Valentini - gGam todos os cu ederal, com cuja produção | recursos. Além disso, teprojetos em parceria com empre- Vos, fertilizantes e sementes. Natu- ISSO ajuda o custeio da Fundação. MoSs que é preciso montar parcerias e S com órgãos de pesquisa, como a q Imamos recentemente com a USP e como as que temos com o IAPAR, há mais tempo.
sas de defensiv RPD - Como estão as produtividades do Grupo? Marcos Valentini - A nossa média de milho está em torno de 7.800 kg/ha, soja 2.900 kg/ha, trigo 2.700 kg/ha e feijão 2.600 kg/ha. A maior rentabilidade tem sido a cultura do feijão, principalmente por causa dos preços praticados na última safra. Muitos produtores pagaram todas suas d/ dividas e aqueles que já estavam capitalizados puderam expandir suas áreas, comprando terra com o dinheiro do feijão.
RPD - Como está funcionando o novo modelo de assistência técnica das cooperativas?
Marcos Valentini - A terceirização da assistência técnica que as cooperativas do grupo estão adotando já atinge 70% do total e significa uma grande transformação. Os engenheiros agrônomos que trabalhavam dentro dos departamentos técnicos criaram suas próprias empresas e gradativamente estão exercendo a tarefa de consultores de grupos de produtores, cujas áreas de lavoura somadas atingem entre 7 e 10 mil ha. Os assistentes técnicos recebem um pro-labore e mais um percentual baseado no desempenho das culturas. Este sistema tem trazido uma grande satisfação para os produtores e também para os têcnicos, porque estes sentem que o crescimento depende deles. O agrônomo concentra seu esforço na linha de produção enquanto o produtor ficou mais liberado para a área administrativa, busca de crédito, mercados, etc. Está sendo notado um crescimento econômico do produtor, que passou a acompanhar mais de perto a questão de seus custos. Este é um modelo que acreditamos que possa ser estendido para outras regiões, onde existem produtores tecnificados que saberiam analisar as vantagens desse sistema.
Revista Plantio Direto - Novembro/Dezembro de 1995 E