Insetos de Solos Através do Cerrado


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Publicado em: 01/03/1999

Insetos de solos através do cerrado

Insetos de solos através do Cerrado

A viagem de Dirceu Gassen

A evolução do plantio direto, com suas características regionais, principalmente o crescimento da área de milho safrinha, plantada em algumas regiões quentes e úmidas do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás, e o desenvolvimento de uma fauna diferenciada de insetos de solo, em relação ao preparo convencional, foram alguns dos aspectos observados pelo pesquisador Dirceu Gassen, da Embrapa Trigo, de Passo Fundo –RS, na viagem que realizou ao Cerrado Brasileiro, em fevereiro deste ano. Convidado por diversas entidades públicas ou ligadas a produtores, ele fez um roteiro técnico de palestras e visitas a campo, através do qual pode ouvir, trocar idéias e ajudar na formação de um perfil do atual estágio de desenvolvimento do cultivo de grãos e, principalmente, das questões relativas ao manejo de pragas e outros insetos de solo, na região do Cerrado. “A falta de conhecimento sobre dinâmica populacional, sobre biologia, sobre os fatores de controle natural e a compreensão do manejo, aquela história de se colocar no lugar do inseto para entender a realidade, são os motivos que levam o produtor a voltar para o preparo convencional, onde ele não tinha os problemas, que apareceram com o plantio direto. Isso revela a necessidade de pesquisas, disponibilizar informações e de dar armas ao produtor, para enfrentar os problemas. Não podemos apenas dizer faça plantio direto e que o coró pode ser útil pois, se o agricultor enfrentar uma situação adversa, ele precisa de alternativas de controle.” Para o entomólogo da Embrapa, pragas de solos que afetam lavouras existem em diversas regiões e são uma grande preocupação para produtores e técnicos. “Mesmo que os levantamentos apontem para danos em torno de 1%, em termos gerais, afirmou ele, as lavouras onde o problema aparece podem apresentar dano total, levando os produtores a lavrar e gradear o solo, o que não é uma solução, uma vez que se tratam de insetos que cavam galerias profundas, como é o caso do percevejo castanho.” As questões relativas a manejo e controle de pragas de solo, mesmo que não estivessem nas pautas das reuniões, foram abordadas em todos os locais, pois a dúvida e a insegurança estão presentes entre produtores e técnicos. No retorno a Passo Fundo, Dirceu Gassen fez um relato sobre sua “viagem de férias” ao Cerrado, de onde extraímos a entrevista a seguir. Não se pode negar que ele é um dos mais inquietos e atuantes pesquisadores brasileiros da área agrícola. Em termos da evolução do plantio direto no nosso país, Dirceu Gassen tem sido uma peça fundamental ao ajudar toda a comunidade ligada à produção a compreender e manejar, dentro do espírito mais amplo, como o novo sistema produtivo exige, o universo de indivíduos que se estabelece no solo, com o retorno da palha, da matéria orgânica e da vida. Com uma capacidade de trabalho invejável e uma compreensão holística do processo agrícola brasileiro e mundial, Gassen é requisitado em todas as latitudes, entre grandes e pequenos produtores, para apresentações que, muitas vezes, extrapolam sua formação acadêmica e dão lugar a uma sistematização de dados inigualáveis sobre as perspectivas da agricultura brasileira, em seus diversos aspectos. Ele está sempre com os sensores ligados, captando dados que enriquecem suas apresentações e não tem medo de se expor. Isto, naturalmente, é algo que incomoda muitos catedráticos, que preferiam vê-lo confinado a uma sala de pesquisa com ar condicionado, a espera da aposentadoria.

CERRADO, A FRONTEIRA PARA PRODUÇÃO DE GRÃOS E FIBRAS

Revista Plantio Direto - Em termos gerais, o que você viu na tua viagem a diversas regiões agrícolas do Cerrado Brasileiro? Dirceu Gassen - Todos os estudiosos do assunto apontam o Cerrado como a grande fronteira de oportunidades para a produção de grãos, no futuro próximo. Apesar das dificuldades econômicas e em relação a transporte, existem áreas espetaculares produzindo com altos rendimentos. É uma região que tende a expandir nos próximos anos. A produção de fibras, como algodão, também está evoluindo, numa região antes considerada inviável para esse tipo de lavoura. Hoje, o algodão tipo cerrado passou a ser uma marca de qualidade superior. Já existem muitos produtores adotando plantio direto na cultura mas, infelizmente, as características do algodão ainda fazem com que a maioria ainda utilize o preparo convencional, com alta utilização de insumos químicos. Com certeza, a geração de conhecimentos poderá reverter essa situação e tornar a cultura do algodão ecologicamente aceitável. Outra cultura que está evoluindo positivamente na região é o arroz de sequeiro, que se enquadra como importante alternativa de rotação para soja ou para algodão, pois possui sistema radicular e palha desejáveis para plantio direto. A qualidade do grão das novas cultivares pode ser comparada ao do agulhinha e os rendimentos atingem níveis médios de 5t/ha, semelhante ao arroz irrigado.

SAFRINHA

RPD - Você participou de dois eventos sobre milho, no Mato Grosso do Sul e São Paulo. O que está ocorrendo com o milho safrinha? Dirceu Gassen - Há poucos anos atrás até a pesquisa tinha restrições à chamada lavoura de milho safrinha, em função da possibilidade de ocorrência acentuada de pragas e doenças na continuidade de plantio de milho sobre milho. Hoje, na verdade, principalmente em determinadas regiões do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, o milho de segunda safra, anteriormente chamado pejorativamente de milho safrinha , é a principal safra de milho. É a melhor lavoura de milho sob o ponto de vista de rendimento e qualidade. Além das melhores condições de luminosidade e umidade no verão, o produtor passou a adotar uma melhor tecnologia, cuidando melhor o processo de semeadura, principalmente com plantio direto, utilizando mais fertilizante. Somente o Paraná planta 1,2 milhões de ha, no verão, praticamente uma área igual à primeira safra.

Galerias de corós podem atingir até 80 cm.

RPD - Existe alguma cultura que esteja sendo preterida em função da nova safra de milho? Dirceu Gassen - A segunda safra de milho é restrita às regiões mais quentes, como o oeste e norte do Paraná, para fugir da geada. Na realidade, esse milho, basicamente, ocupou a área que anos atrás era ocupada pelo trigo, na região de Dourados (MS), Assis (SP), Norte e Oeste do Paraná.

RPD - Em todas as regiões? Dirceu Gassen - Não, mas a tendência é de que o plantador de milho tenha sido um produtor de trigo. Naturalmente existem áreas sobrando, onde poderiam ser plantados mais de um milhão de ha de milho e trigo. Mas o trigo enfrenta dificuldades, principalmente no Cerrado, pois o milho tem um rendimento melhor. Outro problema que está dificultando a volta do trigo é que, nesse período em que o produtor deixou de plantar o cereal, cerca de 4 a 5 anos, houve um incremento da área sob plantio direto, principalmente na safrinha de milho. Paralelamente, aconteceu uma evolução no plantio direto. A semeadora tradicional de trigo foi abandonada e o produtor ainda não tem uma específica para essa cultura em plantio direto. Ele não deseja voltar ao preparo convencional e esse é um fator restritivo para o trigo. Claro que o trigo é uma cultura fundamental, entretanto, ela só se viabiliza com altos rendimentos e qualidade, como no caso do milho. Aconteceu uma seleção de um novo produtor de trigo, assim como houve uma seleção do produtor de milho, em escala e com altos rendimentos.

RPD - O que significa o milho safrinha em São Paulo? Dirceu Gassen - Em Barretos, estivemos no Seminário Nacional de Milho Safrinha, onde ficou clara a preocupação das autoridades, técnicos e produtores com a necessidade da adoção do plantio direto. O Estado despertou para a questão das perdas de solo e a viabilidade de fazer uma agricultura mais sustentável, com redução de custos ambientais e econômicos. A safrinha é importante porque ela está sendo a cultura introdutora do plantio direto em várias regiões, porque ela precisa ser plantada sem perda de tempo entre uma safra e outra. Infelizmente, ainda predomina o plantio convencional no inverno e isto exige uma demanda de informações, um aprofundamento no conhecimento, o que é motivo da grande campanha atual, encabeçada pela Secretaria de Agricultura, entidades de pesquisa e ensino e por empresas da iniciativa privada.

PRAGAS DE SOLO

RPD - Existe um certo pavor dos produtores e técnicos em relação às pragas de solo? Dirceu Gassen - Não chega a ser uma questão de pavor, mas sim de dúvida, e isto é geral. Existe uma insegurança, e o agricultor fica preocupado, porque percebe a presença de corós, grilos, percevejos, cupins e faltam informações sobre como essas pragas aparecem e desenvolvem sua dinâmica populacional, biologia e controle natural.

RPD - Não existe um aproveitamento desse desconhecimento para aumentar o uso de produtos químicos? Dirceu Gassen - Nós trabalhamos dentro de um negócio muito instável, vivemos uma crise constante na agricultura e não podemos perder dinheiro. Nesse sentido, o preço mais barato dos inseticidas tem favorecido aplicações desnecessárias. Assim como a agricultura, as empresas que vendem agroquímicos também estão preocupadas em obter a maior renda possível, dentro de um universo onde a disputa é muito grande.

RPD - Existem soluções químicas para controlar pragas de solo? Dirceu Gassen - É preciso mudar um pouco o raciocínio. Pragas de solo nós não vamos matar ou extinguir, como fizemos com insetos da parte área, como lagarta, pulgão ou percevejo, nos quais se vê o inseto morto após a aplicação. No plantio direto, nós trabalhamos com uma camada onde ocorre intensa atividade biológica, uma camada de 10 a 20 cm com intensa competição entre organismos, com muita matéria orgânica e argila, além de outros elementos. Então, é praticamente impossível contaminar essa camada para atingir uma praga de solo. Nós precisamos proteger a planta na linha de semeadura. Se vamos plantar milho, por exemplo, com espaçamento de 80 cm, nós precisamos proteger aqueles 2 a 4 cm na linha de semeadura, e isso é fácil de fazer. No restante não é necessário nem desejável aplicar. É melhor deixar os insetos abrindo galerias, desenvolvendo controle biológico, através de predadores e fungos, de tal maneira que pode se estabelecer um equilíbrio.

O FANTASMA DO PERCEVEJO CASTANHO

RPD - O aparecimento do percevejo castanho é generalizado ou existem regiões mais específicas onde a praga ataca? Dirceu Gassen - A preocupação maior é no Mato Grosso, principalmente na região de Sapezal, onde o agricultor desenvolveu a idéia de que o problema está ocorrendo pela adoção do plantio direto. Isso é preocupante, porque mais da metade dos 210 mil ha de soja estão em plantio direto, e alguns produtores voltaram a lavrar o solo, que possui uma estrutura leve e não tem futuro com o preparo convencional. A palha é necessária porque, entre outras coisas, ajuda a controlar o nematóide de cisto. A solução para o nematóide está na distribuição uniforme de fertilizante e calcário, além de uma boa cobertura com palha. No preparo convencional, fatalmente haverá uma explosão do nematóide de cisto.

Ovo, ninfa e adulto do Percevejo Castanho.

RPD - O percevejo castanho é uma praga nova? Dirceu Gassen - Não. Na década de 20 e 40 foram publicados trabalhos sobre a praga, com evidências de que ocorreram surtos. Na década de 50 a ocorrência em vários locais do Estado de São Paulo propiciou um mapeamento das áreas onde a praga apareceu. Nos anos 60 e 70, e agora também na década de 90, temos informações da ocorrência do percevejo castanho, o que nos indica que se trata de uma praga esporádica, com altas populações, que aparece durante dois ou três anos e, aparentemente, desaparece. Na Argentina, também aparecem citações sobre a praga.

RPD - Não se trata de um histórico comum para outras pragas de solo? Dirceu Gassen - Sim, e também é possível fazer um relação com o aparecimento do gafanhoto, que trouxe preocupação recente, tanto no Rio Grande do Sul como no Cerrado, com grande cobertura na imprensa. Acredito que o percevejo castanho possa ter um ciclo semelhante. Por enquanto, nós não sabemos bem o ciclo biológico do inseto mas percebemos que, provavelmente, ele não é nativo do Cerrado. A explosão da população de forma repentina numa região de agricultura evidencia que ele está sem controle natural, o que não ocorre no Sul, onde o inseto está presente nas amostragens de solo mas não aparece como praga.

Bothynus, um aliado no plantio direto.

RPD - O que se sabe sobre o ciclo biológico do percevejo castanho? Dirceu Gassen - A idéia inicial era de que tivéssemos uma ou duas gerações por ano, com algum tipo de dormência no inverno. O que observamos foi exatamente o contrário. Encontramos ovos, ninfas de 1º a 5º estágio e adultos em intensa atividade, de alimentação e reprodução. Isto nos mostra que ele foi para aquela região e, encontrando alimentação disponível, livre de inimigos naturais, teve uma explosão populacional, atingindo nível de danos às lavouras. Ele entra no inverno com restrições de alimentos e umidade, permanecendo em camadas mais profundas, alimentando-se de raízes. Aparentemente, o percevejo castanho não tem nenhuma estratégia de adaptação ao Cerrado, reproduzindo-se como se fosse qualquer outro inseto de cultura anual, buscando umidade e alimentos nas camadas mais profundas. É possível que ele tenha mais de quatro gerações por ano, reproduzindo-se no inverno no Sul do Brasil, onde chuvas ocorrem no período.

RPD - O que você tem recomendado aos produtores e técnicos para tentar manejo e controle do percevejo castanho? Dirceu Gassen - Primeiro, nós não temos informações suficientes de biologia e de fatores de controle natural, físicos ou biológicos, o que determina a dinâmica populacional do percevejo castanho. Faltam algumas peças do quebra-cabeças para termos uma certeza e estabelecermos uma estratégia de controle. Uma coisa, no entanto, é certa: quanto maior a quantidade de palha, quanto maior a atividade biológica, maior é a tendência de equilíbrio. Nós encontramos fungos matando o inseto e esses fungos sobrevivem nesse ambiente de muita palha. Isto também ocorre com diversos tipos de corós, que aparecem e desaparecem em função do controle natural por fungos. Nas áreas onde ocorre alta população de percevejo castanho, a alternativa de controle químico está na aplicação de inseticida no sulco de semeadura de milho, algodão ou soja. O tratamento de sementes pode funcionar mas não teria um poder residual desejável, pois o inseto ataca até plantas adultas. Lavrar o solo não é a solução, porque o inseto se localiza a profundidades maiores do que as atingidas pelo arado e os adultos voam, infestando as lavouras, após a germinação das plantas. Lavrar no inverno também não resolve porque, nesse período seco, o percevejo penetra até um metro no perfil do solo, enquanto o arado ou o gradão não passam dos 15 cm. Em áreas compactadas pelas rodas do trator, em plantio direto, colocamos um percevejo e ele cavou 12 cm na vertical, em uma hora. De qualquer forma, é muito difícil prever o que vai acontecer no ano seguinte. Baseado no conhecimento da dinâmica populacional de pragas, especialmente fauna de solo, é possível ter a coragem de dizer que a tendência é diminuir e não aumentar o problema. Mas isso terá que ser comprovado na prática.

RPD - Como está o problema na região de Rondonópolis? Dirceu Gassen - Levantamentos da Fundação MT, na região de Campo Verde, onde foi acusado aparecimento do percevejo castanho, mostrou que havia a presença do inseto numa área de 280 ha, dentro de um total de 140 mil ha cultivados com soja. O índice de área infestada foi de 0,2%, porém isto foi suficiente para criar uma preocupação, natural e compreensível. A região de Rondonópolis tem uma grande área de plantio direto, numa evolução que combina o trabalho de associações de produtores sob a orientação da Fundação Mato Grosso.

OUTRAS REGIÕES, OUTRAS PRAGAS

RPD - Quais foram as preocupações anotadas na região de Formosa, em Goiás? Dirceu Gassen - Em Formosa, visitamos a Fazenda Riedi, onde o colega Jorge Antonio Etcheverria estava preocupado com danos de corós na lavoura de soja, em plantio direto, e que consequências poderia ter para a próxima safra. Fizemos levantamento a campo e encontramos vários tipos de corós, inclusive o Bothynus, que pode ser considerado o símbolo do plantio direto, pois ele está diretamente associado à presença de palha, a larva incorpora essa palha na galeria que pode atingir até 80 cm. É um inseto que não se alimenta de plantas e presta um grande serviço, abrindo galerias por onde infiltra água, e incorpora nutrientes através dos excrementos, fazendo um trabalho tão ou mais importante que as minhocas, atuais detentoras do símbolo do PD. Ele é fácil de identificar, em relação a outras espécies: quando colocado sobre o solo, ele se move com as pernas para cima. Ele estava presente nas áreas vistoriadas, onde o problema na soja era causado por uma espécie não identificada. Como era um período de chuvas, eles já estavam infectados por fungos e morrendo. A tendência é de que eles desapareçam até a próxima safra. A existência de corós que consomem plantas numa lavoura não significa que eles possam estar presentes na próxima safra. De qualquer forma, estamos monitorando a lavoura e faremos novas observações.

RPD - Preocupações também na região do Triângulo Mineiro sobre o assunto? Dirceu Gassen - Existe um núcleo muito forte de plantio direto na região de Uberaba, onde nos reunimos com o Clube Amigos da Terra, que está imprimindo uma dinâmica organizacional muito eficiente, com reuniões técnicas mensais bastante concorridas. Os produtores também estão com dúvidas sobre os corós, as ameaças do percevejo castanho, que ainda não chegou lá, e toda a compreensão da mudança que está ocorrendo, ao trocar o modelo de produção. A palestra sobre pragas de solo em plantio direto resultou num debate muito interessante, de tal forma que, sem previsão anterior, foi feito uma visita a campo no dia seguinte, para avaliar fauna de solo. Até para nós foi surpreendente a quantidade de corós úteis abrindo galerias, além de uma gama enorme de predadores de várias espécies. Foi uma das visitas a campo mais proveitosas das que tenho participado.

RPD - E a preocupação com as formigas ? É verdade que aumentou a presença de formigas com o plantio direto? Dirceu Gassen - Este assunto também foi debatido com o CAT de Uberaba. Existe uma conclusão apressada e errônea de que aumentou a quantidade de formigas com o plantio direto e passou a ser um problema mais acentuado. Na verdade, houve uma coincidência do período da explosão maior do plantio direto, no início da década de 90, com a proibição dos inseticidas à base de dodecacloro, que era um dos melhores ingrediente ativos para controle de formigas, que levavam as iscas para o formigueiro e este era contaminado. Com outros produtos sem dodecacloro, a eficiência era comprometida. Hoje existem outras formulações eficientes, que substituem o antigo inseticida. Uma das diferenças atuais é que, no plantio direto, é mais difícil identificar o formigueiro. No preparo convencional, lavrado e gradeado, é fácil visualizar o monte de terra de cor diferente. O controle de formigas é fundamental que se faça antes de plantar a lavoura. No Cerrado, nós temos todo o outono e o inverno para matar formigas e aí reside o sucesso do controle.

RPD - O que você pensa da aplicação de formicidas na parte aérea das plantas? Dirceu Gassen - Existem evidências do uso de formicidas aplicados na lavoura, mas nós temos que ter cautela sobre isso. A proteção pode ocorrer, mas não elimina os formigueiros maiores, o que significa que exigirá novas aplicações no ano seguinte. Pode ser uma medida de emergência, mas cara, em relação aos métodos normais, de controle no inverno. A restrição maior à aplicação desses produtos na parte aérea está relacionado com a forma de ação, pois produtos de amplo espectro de ação causam a morte de inimigos naturais e facilitam a ressurgência de pragas, à semelhança da aplicação de inseticidas juntamente com o herbicida, na hora da dessecação. As conseqüências, em termos de desequilíbrio são previsíveis, e a necessidade de reaplicar produtos ao longo da safra podem tornar o custo final bem mais oneroso. Seu uso é indesejado sob o ponto de vista do manejo de pragas.