Eficiência de Semeadoras na Emergência de Plântulas de Milho Sob Sistema Plantio Direto


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Publicado em: 01/03/1999

Eficiência de semeadoras na emergência de plântulas de milho (Zea maiz) sob sistema plantio direto

Eficiência de Semeadoras na Emergência de Plântulas de Milho (Zea maiz) Sob Sistema Plantio Direto

Antonio Faganello, Arcenio Sattler, José Antonio Portella Pesquisadores, Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS

O termo germinação de semente refere-se a uma seqüência de processos fisiológicos, os quais culminam com a emergência da plântula. Leitos de semeadura compostos por agregados grandes e soltos de solo conduzem à rápida perda de umidade do solo que se encontra entorno das sementes, reduzindo a velocidade de emergência de plântulas e prejudicando a uniformidade do estande de plantas. No sistema plantio direto as semeadoras assumem papel importante, uma vez que devem levar a bom termo as operações de abertura de sulco e de deposição de sementes e de fertilizantes. Um experimento foi conduzido nos meses de outubro e novembro de 1996, no Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, em Passo Fundo, RS, em um Latossolo Vermelho Escuro distrófico, contendo 49 % de argila, 32 % de areia e 19 % de silte. A umidade gravimétrica do solo, por ocasião da semeadura, era de 24,8 %, e a densidade do solo, na camada de 0 a 10 cm, era de 1,24 g/cm3. As semeadoras foram testadas sobre resteva de ervilhaca (Vicia sativa) dessecada. Usou-se a cultivar de milho AG 9014, com poder germinativo de 95 % e vigor de 85 %. O delineamento experimental usado foi blocos inteiramente casualizados, com três repetições. Foram testadas cinco semeadoras em duas velocidades de trabalho (V1 = 3,5 km/h e V2 = 7,0 km/h). Para determinar a velocidade de emergência de plântulas de milho, demarcou-se 3 linhas de plantio com 1,0 metro de comprimento em cada parcela, nas quais foram realizadas observações diárias a partir do dia em que a primeira plântula emergiu, eliminando-se todas as emergidas, até cessar o processo de emergência na área delimitada.

Tabela 1. Percentagem acumulada de plântulas de milho emergidas, no período de 6 a 13 dias após a semeadura, e estande médio de plantas estabelecidas, em função de diferentes semeadoras. Passo Fundo , RS, 1996.

Semeadora

Dias após a semeadura

Estande Pl m-1

6

7

8

9

10

11

12

13

------------------ % de emergência ---------------

S1

49

90

96

97

99

100

5,5

S2

49

81

91

95

97

99

100

5,2

S3

10

73

89

93

96

97

100

5,9

S4

8

62

82

89

95

96

97

100

5,2

S5

1

30

68

83

89

90

97

100

6,2

As semeadoras foram reguladas para uma única profundidade de deposição de sementes e uma única densidade de plantio. No período após a semeadura, compreendido entre o segundo dia até a completa emergência de plântulas (13º dia), as precipitações pluviométricas totalizaram 101,4 mm, regularmente distribuídas. O início do processo de emergência de plântulas de milho ocorreu no 6º dia após a semeadura (Tabela 1). Nesse dia verificaram-se diferenças estatísticas entre as semeadoras, sendo que duas delas (S1 e S2), equipadas com mecanismo sulcador do tipo disco de corte mais facão guilhotina, atingiram cerca de 50 % de emergência. Três e quatro dias após, as mesmas semeadoras atingiram 95 % de emergência. A semeadora S5 atingiu 95 % de emergência somente no 7º dia após ter sido iniciado o processo de emergência. As médias do índice de velocidade de emergência de plântulas foram estatisticamente diferentes entre as semeadoras (Tabela 2). As velocidades de trabalho não induziram diferenças no índice de velocidade de emergência de plântulas de milho, concluindo-se que nas condições do teste, a velocidade de 7,0 km/h não afetou negativamente a velocidade de emergência de plântulas de milho. As diferenças significativas observadas no índice de velocidade de emergência entre as semeadoras avaliadas podem ser atribuídas às características individuais de cada semeadora (tipo do mecanismo sulcador).

Tabela 1. Valores médios do índice de velocidade de emergência de plântulas de milho para cinco semeadoras, em duas velocidades de trabalho. Passo Fundo, RS , 1996.

Velocidade de trabalho

------------- Semeadora -----------

Média

S1

S2

S3

S4

S5

3,5 km.h-1

2,7 a

2,3 a

2,6 a

2,0 a

2,3 a

2,4 a

7,0 km.h-1

2,3 a

2,4 a

2,2 a

2,1 a

2,2 a

Média

2,5 A

2,3 AB

2,5 A

2,1 B

2,2 AB

2,3

Nas condições em que foram realizados os testes, ressaltando-se que a população de plântulas de milho e a profundidade de semeadura foram similares entre os tratamentos, conclui-se que as velocidade de trabalho (V1=3,5 km/h e V2=7,0 km/h) não interferiram no índice de velocidade de emergência de plântulas de milho. Foram observadas diferenças significativas entre as semeadoras para os parâmetros velocidade de emergência (percentagem de emergência) e índice de velocidade de emergência de plântulas de milho. As diferenças observadas podem ser atribuídas às características individuais de cada uma das semeadoras avaliadas.