Devo Manter o Plantio Direto?


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Publicado em: 01/06/1999

Devo manter o Plantio Direto?

Volnei Pauletti1; Han van den Berg2 1Eng. Agr. M.Sc. Coordenador da Área de Fertilidade de Solos, Fundação ABC, Castro, PR. E-mail: fabc@fundacaoabc.com.br; vpauletti@convoy.com.br 2Economista, Fundação ABC, Castro, PR. E-mail: fabc@fundacaoabc.com.br

Infelizmente, apesar de mais de 20 anos de Plantio Direto (PD) na região dos Campos Gerais - PR, ainda deparamos com perguntas como esta. Não por influência interna, mas principalmente de pesquisadores e palestrantes externos ao grupo, que convivem em outras realidades agrícolas. Não vale a pena para nós, colegas e parceiros na agropecuária, debatermos as grandes vantagens (controle da erosão, melhor aproveitamento da adubação, menor custo de produção, ...) do plantio direto para nossa região. Também gostaria de destacar alguns pontos observados durante os últimos anos, procurando gerar alguma reflexão: 1) Uso da grade no inverno: apesar de facilitar o plantio da aveia e do trigo após o milho, nota-se aumento da erosão nas áreas com o uso deste implemento, apesar de se esperar menos chuva neste período. Conforme constatado por pesquisa desenvolvida anteriormente na F. ABC, o uso de grade não significou aumento de produção. As novas semeadoras tem melhor eficiência sobre palha de milho, o que reduz o efeito de embuchamento; 2) Nos últimos anos, a frequência de chuvas torrenciais e a quantidade de chuvas foi maior, causando mais problemas de erosão; 3) O plantio “morro abaixo” somado às chuvas intensas, tem provocado perdas de solo, adubo e diminuição da população de plantas; 4) Problemas específicos do PD estão surgindo e para não acabar com o sistema, devemos buscar soluções através da pesquisa. Em função do exposto acima, apresentarei alguns dados sobre um trabalho desenvolvido no CDE Fundação ABC - Ponta Grossa, que servem para reforçar a posição de que o PD dá certo e deve ser mantido. Neste trabalho, em andamento a 9 anos, são comparados 4 métodos de preparo: plantio direto (PD), plantio convencional (PC - 1 aração e 2 gradagens), preparo mínimo (PM - 1 grade pesada + 1 leve) e plantio direto plus (PDP - 1 escarificador a cada 3 anos). Observamos que o PD supera o PC em 3 % na produtividade acumulada, enquanto o PDP supera em 5 %. Porém, quando avaliado o lucro líquido por ano (Tabela 1), o PD foi superior. O PC novamente foi o pior sistema.

Tabela 1. Avaliação econômica e lucro por ano, em função dos sistemas de preparos utilizados.

Sistema de preparo

Custo

Lucros s/op.

Lucros c/op.

Lucro líquido

PD

257,4

1474

1217

135,2

PC

1170

1429

258,6

28,7

PM

540

1439

899

99,9

PDP

354,3

1504

1150

127,8