Uso do SGI/INPE na Avaliação de Atributos Físicos do Solo no Sistema de Integração Agricultura-Pecuária


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Publicado em: 01/06/1999

Uso do SGI/INPE na avaliação de atributos físicos do solo no sistema de integração agricultura-pecuária

Júlio Cesar Salton1, Henrique de Oliveira1, Amoacy Carvalho Fabrício1, Luiz A Zago Machado1. 1Centro de Pesquisa Agropecuária do Oeste - CPAO Rodovia BR 163, km 253,6 CEP: 79804-970 - Dourados, MS. Cx. Postal: 661 - Fone:(067) 422-5122 - Fax: (067) 421-0811 - http://www.cpao.embrapa.br

Para a sustentabilidade do Sistema Plantio Direto (SPD), em muitas situações é necessário integrar a produção de grãos com a produção de forragem, sendo uma forma bastante usual o cultivo de espécies na entressafra (período de outono/inverno) para pastoreio direto por bovinos. Na região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul os melhores resultados de produção de forragem e de carne tem sido obtidos com a aveia-preta. Com o pastoreio direto da aveia o pisoteio dos animais pode causar alterações em atributos físicos do solo. Com objetivo de avaliar as alterações na densidade, macro e microporosidade do solo, numa área conduzida no SPD com rotação soja/aveia/milheto/soja, foi desenvolvido este trabalho durante o inverno de 1997. Uma área de 4ha foi subdividida em talhões de 1ha para rotacionar o pastejo. Em cada talhão foram coletadas amostras indeformadas nas profundidades de 0 a 5, 5 a 15 e 15 a 30 cm em pontos eqüidistantes de 30m, totalizando 12 pontos e assim compondo uma grade. As amostragens foram realizadas em duas épocas, antes da entrada dos animais (junho) e após a retirada dos animais (agosto). O solo é um LRd argiloso. A aveia apresentava cerca de 1,1t/ha de massa seca no momento de acesso do lote de 15 novilhos com peso médio de 250 kg. Para análise dos resultados considerando a variabilidade espacial do solo e problemas existentes na metodologia de amostragem em cilindros metálicos, decidiu-se efetuar uma análise utilizando-se técnicas de mapeamento com sistema de informações geográficas (SIG). Os valores resultantes das amostras foram processados no SGI/INPE através de um modelo numérico de terreno (MNT), que permite associar dados de coordenadas aos atributos numéricos como densidade do solo, macro e microporosidade, etc. Após a digitalização dos dados seguiram-se as seguintes etapas: a) gerou-se uma grade regular, onde aos valores numéricos digitalizados, foram interpolados considerando-se o valor do ponto mais próximo dentro do mesmo quadrante; b) refinou-se esta grade regular através de uma função bilinear; c) gerou-se as isolinhas através de um espaçamento regular e d) nos mesmos intervalos estabelecidos pelas isolinhas, “fatiou-se” o MNT gerando um mapa poligonal para as classes definidas nas isolinhas. O acompanhamento dos atributos pode ser efetuado pela análise visual dos mapas e quantitativamente pelas áreas ocupadas por cada classe. Na Tabela 1 estão os valores de densidade do solo na profundidade 0 a 5cm, onde verifica-se que houve aumento da densidade do solo, em cerca de 50% da área que passou da classe A (1,20 a 1,30) para a classe B (1,30 a 1,40 g/cm3). Na Tabela 2 com os dados referentes a profundidade de 20 a 25cm, observa-se que ocorreu uma diminuição nos valores de densidade do solo, em cerca de 50% da área, provavelmente pelo efeito do crescimento do sistema radicular da aveia. Através da utilização do SGI/INPE, foi possível discriminar e espacializar as regiões onde houveram alterações em atributos do solo, ocasionadas pelo pisoteio dos animais.

Tabela 1. Alteração da densidade do solo na camada 0 a 5 cm de profundidade em LRd argiloso, avaliado antes e após o pastejo. Embrapa CPAO, Dourados, 1997.

Classe

DS antes

DS depois

Área

(kg.m3)

(m2)

(%)

A

1,02 a 1,10

1,10 a 1,20

0

B

1,20 a 1,30

0

A

1,30 a 1,40

59,95

1,36

A

>1,40

12,62

0,29

Total da classe 1,02 a 1,10:

72,57

1,65

E

1,10 a 1,20

41,02

0,94

F

1,20 a 1,30

170,37

3,89

G

1,30 a 1,40

590,0

13,44

H

> 1,40

9,46

0,21

Total da classe 1,10 a 1,20:

810,85

18,48

K

1,20 a 1,30

1,10 a 1,20

0

L

1,20 a 1,30

694,12

15,82

M

1,30 a 1,40

2.158,08

49,17

N

> 1,40

0

Total da classe 1,20 a 1,30:

2.852,20

64,99

O

1,30 a 1,40

1,10 a 1,20

0

P

1,20 a 1,30

246,10

5,61

Q

1,30 a 1,40

407,01

9,27

R

> 1,40

0

Total da classe 1,30 a 1,40:

653,11

14,88

Total geral

4.388,73

100

Tabela 2. Alteração da densidade do solo na camada 20 a 25 cm de profundidade em LRd argiloso, avaliado antes e após o pastejo. Embrapa CPAO, Dourados, 1997.

Classe

DS antes

DS depois

Área

(kg.m3)

(m2)

(%)

L

1,20 a 1,30

257,40

5,86

M

1,30 a 1,40

260,19

12,76

Total da classe 1,20 a 1,30:

817,59

18,62

P

1,30 a 1,40

1,20 a 1,30

1.979,74

45,11

Q

1,30 a 1,40

1.307,91

29,80

Total da classe 1,30 a 1,40:

3.287,65

74,91

S

> 1,40

1,20 a 1,30

283,49

6,46

T

1,30 a 1,40

0

Total da classe > 1,40:

283,49

6,46

Total geral

4.388,73

100