Ser um Ex-Agricultor ou um Empresário Agrícola?


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Publicado em: 01/06/1999

Ser um ex-agricultor ou um empresário agrícola

Ser um ex-agricultor ou um empresário agrícola?

A revista Soybean Digest de dezembro de 1998 publicou uma entrevista com a opinião de alguns agricultores americanos a respeito da agricultura moderna e seu futuro. Neste artigo, sintetizamos alguns dos itens abordados.

Nos anos de 1998 até 2005 veremos algumas tendências de melhora e pouco risco, mas o agricultor com resultados médios não estará muito bem. Ainda haverá lucro na agricultura, mas com menos agricultores que o obtém. Os que conseguem são aqueles que são bons administradores de riscos. Num mercado livre você mesmo precisa tomar os riscos. Assim, agricultura é antes um negócio do que apenas plantar e colher. Uma lavoura perfeita nem sempre garante lucratividade. Uma decisão administrativa pode fazer uma diferença de R$ 100,00 por hectare. Bons empresários agrícolas são aqueles que visam lucros controlando os custos e não perdem eventual aumento de receitas de vista. É uma questão de longa visão. Alguns enxergam mudanças como oportunidade e não se consideram vítimas. Estes empresários tendem a ter o melhor sistema de produção desde a entrada dos insumos até a entrega do produto final. Eles entendem a importância estratégica de produzir alinhado com a indústria. Eles tentam antes ser 1% melhor do que os outros produtores em 1000 coisas do que 1000% em uma coisa. Quando eu trabalhava muito tratando o gado de corte e não ganhava nada, descobri que eu gastava 90% do meu tempo com atividade que significava apenas 10% do meu lucro. Isto me ensinou que você não deve trabalhar de certa maneira porque sempre foi feito assim. Se você ganha dinheiro você precisa saber de onde vem, inclusive observando dados de vários anos seguidos. Você precisa estar disposto a acabar com aquela parte da tua fazenda que não dá lucros, antes que ela acabe com você. A posse do bem produtivo (terra, gado, máquinas) é mais importante do que ser proprietário. Não meço meu êxito através de uma linha de máquinas novas. Meu milho não pergunta quão velho meu trator é. Quando quero expandir calculo a necessidade de máquinas e pego o que estiver disponível, é apenas um item na lista de despesas. É mais importante ver as conseqüências financeiras desta expansão e o tipo de financiamento. Meu objetivo é ser um gerente, não um tratorista. As grandes empresas agrícolas não estão investindo bilhões de reais atoa para o próximo século. No futuro a influência do clima será menor por causa da biotecnologia. Um dia pulverizaremos algum produto sobre a lavoura, capaz de ativar genes que ajudarão a planta a sobreviver em situações climáticas difíceis.

Tradução: Tobias J. Katsman. Publicado na Revista Batavo - Edição nº 87 – Fevereiro de 1999.