Plantio Direto de Soja sob a Palha de Cana Vem Sendo Testado com Sucesso


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Publicado em: 01/08/1999

Plantio direto de soja sob a palha de cana vem sendo testado com sucesso

Luiz Messias

Plantar soja em áreas de renovação de canaviais não é novidade no setor canavieiro. A novidade está na nova forma desenvolvida para o plantio desta cultura. A técnica consiste em fazer o plantio direto, ou seja, sem a necessidade de arar ou gradear a terra. Para isto, é feita a aplicação de calcário em área total, sobre a palha, aplica-se um herbicida para matar a brota da cana quando esta atinge aproximadamente 50 cm, e planta-se a soja, utilizando-se de plantadeiras de precisão, desenvolvidas especificadamente para esse fim. Oswaldo Siroshi Tanimoto, engenheiro agrônomo responsável pela Casa da Agricultura de Aramina-SP e membro da diretoria da Associação dos Fornecedores de Cana de Igarapava-SP, que vem desenvolvendo pesquisas sobre o plantio direto da soja, explica que no plantio da soja feito na soqueira da cana queimada e colhida manualmente, utilizou a variedade Conquista, no espaçamento de 0,45m, com a densidade de 17 sementes por metro. A plantadeira utilizada foi a modelo Exacta 2650 a ar, de alta precisão, da Jumil. Para adubação foi utilizada a fórmula 02-20-20 + micro (20 kg FTE) na dosagem de 380 quilos por hectare. Na soqueira da cana, colhida crua e mecanizada, foram plantadas três variedades: Foscarin, Conquista e Confiança, sendo duas delas das mais plantadas na região para rotação com cana e a terceira sendo testada na renovação de cana. Uma quarta variedade, a Cometa, que estava misturada às sementes Conquista, da mesma forma muito plantada na região, também foi utilizada com o mesmo sucesso. Neste segundo teste, foram utilizadas as mesmas técnicas aplicadas no plantio na soqueira da cana queimada e colhida manualmente. As sementes foram tratadas com Tegran e inoculadas com Biomax. As plantadeiras utilizadas foram a Exacta 2650 e 2980, com discos desencontrados, da Jumil. Segundo Tanimoto, nos dois casos o plantio saiu perfeito. ”Quando plantamos a soja direto sob a palha da cana colhida crua e mecanizada, houve um período de estiagem com temperaturas altas. Após 12 dias de clima seco e quente choveu 83 mm. Com isso, as sementes que ficaram no meio da palha permaneceram perfeitas e germinaram em sua totalidade. No entanto, a plantação que foi feita em área convencional no mesmo dia, utilizando-se das mesmas condições, germinaram, mas foram queimadas pela alta temperatura do solo arenoso, precisando ser plantadas novamente”. Oswaldo Tanimoto, que tem seus canaviais em terrenos arenosos, na renovação do canavial, plantou soja no sistema convencional e acabou tendo o mesmo problema de sempre: erosão. Tanimoto afirma que, além de não controlar a erosão, a soja plantada germinou, mas o sol forte matou mais da metade das plantas nascidas. Diante deste quadro, ele resolveu investir no plantio direto da soja, que segundo ele, garante custo de produção cerca de 30% menor que no plantio convencional, pois elimina gastos com o preparo do solo e acabou com o problema da erosão. Tanimoto afirmou ainda que esta técnica diminui o tempo para a devolução do solo para o novo plantio de cana ao eliminar em parte, o tempo gasto com o preparo da terra, tanto no plantio da soja quanto na retomada da produção da cana. Com esse tipo de cultivo garante o engenheiro, a germinação das sementes acontece mais uniforme, mesmo se houver estiagem, já que a palha deixada sobre o solo, assegura a umidade do solo. Tanimoto disse também, que diante da crise do setor canavieiro, o plantador de cana precisa cada vez mais de formas alternativas de produção para minimizar as dificuldades que vem sendo impostas ao setor. ”Estamos, todos os produtores de cana, com dificuldades financeiras, recebendo pela cana que vendemos, apenas o que gastamos na colheita, enquanto que o restante é dividido em seis promissórias rurais. Esta situação está muito difícil de ser sustentada”, disse Tanimoto. Segundo ele, foi esta situação que o levou a descobrir que uma das soluções estava no plantio direto da soja em áreas de renovação da cana, tanto colhida crua como queimada. Para o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Maurício Pereira, fornecedor de cana no município de Morro Agudo-SP, que vem fazendo o plantio direto da soja na renovação de seus canaviais, esta técnica diminui a compactação, evita a erosão do solo, economiza tempo e dinheiro com a dispensa do uso das máquinas no preparo da terra e proporciona um aumento de 20 a 30% na retomada da produção da cana, já que a técnica garante uma maior conservação e uma pronta recuperação do solo. Pereira afirmou ainda que as perdas de plantio caem aproximadamente 10%, se o mesmo for realizado com plantadeiras de precisão.

Fonte: JornalCana, Abril de 1999